terça-feira, 8 de setembro de 2009

Arca Russa

Arca Russa,de Alexandr Sokurov

Como não gostar de poesia, de arte, da literatura e da língua russa? Como não gostar de cinema russo? Esta última é a minha paixão incondicional, principalmente após assistir ao ARCA RUSSA de Alexandr Sokurov. Um filme diferente de tudo o que você certamente já viu, ou se ainda não viu, verá e concordará; ou se já viu algo parecido, creia que qualquer semelhança é mera coincidência. O filme é uma obra poética em versos.
A história de 300 anos de arte é contada em 97 minutos em um único plano-sequência, sem cortes, dentro de um dos maiores museus do mundo: o Palacete de Hermitage, em São Peterburgo, atravessando as 35 salas do museu, transformando a tela de cinema em um quadro vivo onde desfilam personagens importantes da história da Rússia: Pedro, O Grande; Catarina II, Nicolau e Alexandra.

O museu de Hermitage é tratado como um ser vivo e Sokurov empresta alma a ele, mesclando poesia, artes plásticas, literatura e sétima arte.
Arca Russa é uma experiência visual única e inesquecível.

Para contar essa história, o próprio diretor vaga pelo museu com a sua câmera no ombro, uma volta ao passado como se fosse uma das personagens do século XIX, saído das telas de um dos quadros, perdido e confuso, conversa com muitos que por ali passaram, pessoas importantes que o visitaram ou com os simples mortais visitantes do museu. As grandes festas que aconteciam lá nesse museu com grandes personalidades daquele século. Assiste-se ao filme e se tem aula de arte e história, além de um passeio panorâmico em todos os seus ambientes. E o tempo todo interage com os quadros, conversando com eles, se esbarrando com alguns personagens e se questionando “Onde afinal estou?” “O que está acontecendo?”

O diretor-protagonista dialoga com um único personagem (fantasma?) que aparece no museu e fala russo, com sotaque francês que será a partir desse encontro o seu guia pela excursão ao museu. Ele nada explica, pelo contrário, confunde mais ainda, apenas especula e tudo torna-se instigante e nada revelador. Caberá ao expectador desvendar alguns mistérios e as mensagens cifradas. O guia representa o conflito de identidade da aristocracia e da arte russa e ela insiste em dizer que "os russos estão sempre a copiar, não têm idéias próprias". (Na vida nada se cria, tudo se copia). O expectador é que deverá fazer suas próprias descobertas e fazer parte desta viagem sem fim. O filme é matéria e essência; é todo o sentido da vida; morte e vida atuando juntos; presente e passado. Aqui não vale dizer a frase debochada “Quem vive de passado é museu”, pois o passado faz-se presente a todo instante, basta contemplar um dos quadros, basta se folhear um livro, abrir um álbum de fotos, reler uma carta amarelada...
O filme todo está em sintonia com a proposta do diretor de um único plano, mesmo assim, há quem diga que encontrou alguns cortes, como por exemplo, na cena em que ele fecha em um par de luvas, ou passa por trás de uma pilastra, importa mesmo? Só reparei nesses detalhes apontados por críticos na minha segunda sessão. Particularmente, acho irrelevante. Mas a crítica, sempre a crítica sutilmente invejosa...

Arca Russa abre portas em vez de fechá-las. "Estamos condenados a navegar sempre", conclui o narrador ao final. Como em boa parte do cinema sokuroviano, fala de um navegar sem ter bússola como parâmetro, pois o passado, induz o diretor, não é necessariamente farol para o futuro.

Cotação: Excelente! Valeu “`a pena” desta poesia reler. Valeu a pena desta fonte beber.
Karenina Rostov
***
Curiosidades sobre o diretor russo Alexandre Sokurov

* Sokúrov é considerado por Paul Schrader e Martin Scorsese, diretores que também atuam como teóricos de cinema, como o mais legítimo herdeiro do "estilo transcendental", no qual inserem também o dinamarquês Carl T. Dreyer, o francês Robert Bresson e o russo Andrei Tarkóvski. O diretor também continua a tradição de mestres russos do cinema silencioso russo, como Serguei Eisenstein e Aleksandr Dovjenko. Seus filmes constituem experiências estéticas e intelectuais de impacto para platéias com atenções voltadas para algo além da velocidade e superficialidade oferecidas pelos grandes estúdios. Seu refinamento na construção visual das imagens, que o convertem em um "cineasta-pintor", irritou os censores e poderes da antiga URSS, que proibiu todos os seu filmes de 1978 até 1987.

* A entrevista foi realizada em Cannes, em maio de 2002, nos dias subseqüentes à estréia mundial de Arca russa, uma produção ambiciosa, ambientada no interior do Museu do Hermitage (São Petersburgo) e registrada em uma única tomada sem cortes, de 96 minutos. Um feito técnico e artístico que deverá passar aos anais da história do cinema.

Gênero - Arte


Direção - Alexander Sokurov

Idioma - Russo

Ano de produção - 2002

País de produção - Russia, Finlandia, Dinamarca, Canadá, Alemanha

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Algumas releituras de Canção do Exílio

CANÇÃO DO EXÍLIO
(Gonçalves Dias)

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;

Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem que ainda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

CANTO DE REGRESSO À PÁTRIA
(Oswald de Andrade)

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas
E quase tem mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá

Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que eu veja a rua 15
E o progresso de São Paulo

CANÇÃO DO EXÍLIO FACILITADA

Lá?
ah!

sabiá...
papá...
maná...
sofá...
sinhá...

cá?
bah!
José Paulo Paes

UMA CANÇÃO
Mário Quintana

Minha terra não tem palmeiras...
E em vez de um mero sabiá,
Cantam aves invisíveis
Nas palmeiras que não há.

Minha terra tem relógios,
Cada qual com a sua hora
Nos mais diversos instantes...
Mas onde o instante de agora?

Mas a palavra “onde”?
Terra ingrata, ingrato filho,
Sob os céus de minha terra
Eu canto a Canção do Exílio.

JOGOS FLORAIS
Cacaso Jogos Florais I

Minha terra tem palmeiras
onde canta o tico-tico
Enquanto isso o sabiá
vive comendo o meu fubá

Ficou moderno o Brasil
ficou moderno o milagre
a água já não vira vinha
vira direto vinagre

Jogos Florais II

Minha terra tem palmares
memória cala-te já
Peço licença poética
Belém capital Pará

Bem, meus prezados senhores
dado o avanço da hora
errata e efeitos do vinho
o poeta sai de fininho.

(será mesmo com esses dois esses
que se escreve paçarinho?)

CANÇÃO DO EXÍLIO
(Murilo Mendes)

Minha terra tem macieiras da Califórnia
onde cantam gaturamos de Veneza.
Os poetas da minha terra
são pretos que vivem em torres de ametista,
os sargentos do exército são monistas, cubistas,
os filósofos são polacos vendendo a prestações.
A gente não pode dormir
com os oradores e os pernilongos
Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda.
Eu morro sufocado
em terra estrangeira.
Nossas flores são mais bonitas
nossas frutas são mais gostosas
mas custam cem mil réis a dúzia.
Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade
e ouvir um sabiá com certidão de idade!


NOVA CANÇÃO DO EXÍLIO
(Carlos Drummond de Andrade)

Um sabiá
na palmeira, longe.
Estas aves cantam
um outro canto.
O céu cintila
sobre flores úmidas.
Vozes na mata,
e o maior amor.
Só, na noite,
seria feliz:
um sabiá,
na palmeira, longe.
Onde é tudo belo
e fantástico,
só, na noite,
seria feliz.
(Um sabiá,
na palmeira, longe.)
Ainda um grito de vida e
voltar
para onde tudo é belo
e fantástico:
a palmeira, o sabiá,
o longe.

NOVÍSSIMA CANÇÃO DO EXÍLIO

Minha terra não tem guerra
Pindorama um dia foi o nome dela
Ela é abençoada por Deus
Onde só tem gente de garra.

Minha terra tem canavial
Não tem terremoto ou maremoto
Gigante e forte, do norte ao
Cruzeiro do Sul, miscigenados
Povo simpático, sem igual.

Minha terra é a mais bela
Quanta honra ser cidadão deste país
De todas, a mais querida
De todas, a mais singela
Esta pátria de nome BRASIL!

Nossa terra tem a Amazônia, logo ali
A floresta de todos os filhos do Criador
Nossa terra tem também o Pantanal
Santuário ecológico universal
O coração do mundo é aqui.

Nossa terra é a mãe gentil
De todos os filhos do Planeta Terra
Todos os povos do mundo reunidos aqui,
Nesta terra de nome BRASIL!
Eunice Bernal (E a minha colaboração à Literatura)

P.S.: Joaquim Osório Duque Estrada pegou emprestado dois versos da Canção do Exílio de Gonçalves Dias para acrescentá-los à letra do Hino Nacional: "Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida no teu seio mais amores"

domingo, 6 de setembro de 2009

Se a vida te der um limão, faça uma limonada!


Plágio, com Louvor!

O plágio é necessário
Como o ar que respiramos.

Quero plagiar
As coisas boas da vida.
O canto do pássaro,
O brilho estelar
O calor do sol
O poder do mar
A sapiência de amar.

Quero plagiar
O sorriso meigo da criança
A bondade do ancião
A filosofia do eremita.
A solidão da lua a nos iluminar.

Quero plagiar o abraço caloroso
Partilhar o beijo mais gostoso
A beleza da natureza
O encanto do infinito
A magia do além horizonte.
O alimento da alma mais saboroso.

Quero plagiar
O mesmo amor que sente por mim
Quero plagiar os momentos mais íntimos
Só com você.

Quero plagiar a não violência
A trégua pela paz
E a bondade do coração
Quero plagiar a humildade
De quem ama de verdade.

Quero plagiar a beleza do céu
E partilhar as coisas mais simples
Com a pessoa amada
E tudo o mais que traz
A verdadeira felicidade.

Quero plagiar o bom caráter
A personalidade marcante
A fidelidade eterna
A sinceridade incessante
E a tal de amizade.

Sempre irei plagiar
A poesia que alguém faz
Pensando em mim,
Quero plagiar o afago mais gostoso
Só com quem eu amo de verdade.

Quero plagiar
O plágio do plágio, do plágio
do plágio... da Canção do Exílio...

Quero plagiar o sonho mais bonito
E a realidade que nos faz infinito.
Quero plagiar a eternidade ao seu lado
No jardim da vida, você e eu seremos nós.
Karenina Rostov "nua, mas com a mão no bolso". (plágio)

sábado, 5 de setembro de 2009

Poesia Concreta

Abstrato

Turn your love
Around
And

Descubra-o
Do avesso...
***

Versos Desalinhados

Não sou um estorvo
Nunca fiz parte da estética da vida
E nunca morei em Bruzudanga.

***

Insônia

A noite pode ser longa
Mas sempre acaba
Se encontrando com o dia.

***

HAICAI – Fazer amor?


Bem, amor é um estado e não uma ação.
Não se pode manipulá-lo.
A gente se move ao amor.

***

PERFUME DE LUI

A glória da amizade
Não é a mão estendida
Nem o sorriso carinhoso,
Nem mesmo a delícia da companhia.
É a inspiração espiritual
Que vem
Quando você descobre
Que alguém acredita em você.

***

E agora,
O que dizer?
O que escrever?
Bem, não há nada de errado
Com o silêncio.
Só que agora busco o barulho
De preferência ensurdecedor.
Vozes caladas, eloqüentes
Palavras, cadê vocês?

***

Imagem,
Conteúdo sem forma
Forma sem conteúdo
Caminhos sem estradas
Chega-se a algum lugar
Em passos sem pressa
Passam pela pessoa
Que se pensa.
Karenina Rostov

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Willem Dafoe, o salvador da pátria

Te amo, gato!

São muitas metáforas lançadas neste filme de Lars von Trier. O da NATUREZA é a espinha dorsal por ela ser infinita. A Natureza humana, por exemplo, pode ser boa ou má; falsa ou verdadeira.


Infelizmente o caos reina. Na destruição da natureza quem sairá perdendo é a natureza do homem. Os homens perderam o controle e as rédeas de quase tudo: um matando o outro; um mutilando o outro - a mãe desnaturada aleijando os pés de seu próprio rebento; o anticristo de prontidão fazendo um inocente errar o caminho que ele deve andar propositalmente. E salve-se quem puder!
Karenina Rostov com preguiça.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O tempo é liberdade, possui asas, como voa!

A Cumplicidade das Estrofes (Poesia)

Por onde o olhar se desvia
É sua imagem que se faz presente
Por isso vivo alheia diariamente
Deixando a alma contente. Deveria?

Gostaria que me levasse a você todos os caminhos
Assim não erraria a rota e de mim não se desviaria
Para ter a certeza que a minha voz não calaria
Retirando do coração todos os espinhos.

Um não anular o outro jamais... enfim,
Mas a magia somar, multiplicar, acrescentar
O milagre acontecerá, o amor extravasar
Independente da ordem: meio, início, fim.

Oferecer-te-ei (amor) bem antes do começo
Porque tudo já estava escrito que seria assim
No futuro, você reservado somente para mim
Desculpa a todas, mas só eu te mereço!

Emudecidos sim porque nem tudo precisa ser dito
No momento da paixão, o beijo é o que importa
Dispa-se agora, mas antes feche a porta
Esqueça os outros, seremos lenda ou mito.

Sexo é bom, somente com você
Não saber onde começa um ou o outro
Deixa-me louca, te deixa solto
Pensem o que quiser, deixe-nos a mercê...

Quero fazer o tempo parar só na sua ausência
E cada segundo relembrar com carinho e amor
Ter em minha boca sempre o teu sabor
Não quero jamais ficar sem tua presença.

O reencontro pode demorar, mas não falhará
Enquanto se espera o delicioso encontro
A poesia de um é o complemento do outro
Jamais a alma de um ao do outro se desviará.
Eunice Bernal

Fonte: Minhas andanças pelo mundo.

Como diz o meu avô, a inteligência é inerente a todos. Aprende-se rápido o que se quiser. Basta querer. Porém, há coisas que é dom de Deus. Reservados para poucos à Sua escolha.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Лев Никола́евич Толсто́й

Minha paixão por Leon Tolstoi começou na infância. A partir daí, mudei o meu nome (de fantasia) para Karenina Rostov.
Alguns de seus pensamentos:
"Falar mal dos outros agrada tanto ás pessoas que é muito difícil deixar de condenar um homem para comprazer os nossos interlocutores."

"O homem ama, porque o amor é a essência da sua alma. Por isso não pode deixar de amar."

"O mal não pode vencer o mal. Só o bem pode fazê-lo."

"Os homens distinguem-se entre si também neste caso: alguns primeiro pensam, depois falam e, em seguida, agem; outros, ao contrário, primeiro falam, depois agem e, por fim, pensam."

"Cada um viveu tanto, quanto amou."

"A mulher é uma substância tal, que, por mais que a estudes, sempre encontrarás nela alguma coisa totalmente nova."

"O amor começa quando uma pessoa se sente só e termina quando uma pessoa deseja estar só."

"Os que se chamam grandes homens são etiquetas que dão o seu nome aos acontecimentos históricos; e assim como as etiquetas, não têm relação com esses acontecimentos."

"A arte é um dos meios que une os homens."

"A condição essencial para a felicidade é ser humano e dedicado ao trabalho."

"A verdadeira felicidade está na própria casa, entre as alegrias da família."

"Não é possível ser bom pela metade."

"Eu escrevo livros, por isso sei todo o mal que eles fazem."

"Dizer que a gente vai amar uma pessoa a vida toda é como dizer que uma vela continuará a queimar enquanto vivermos."

"A alegria de fazer o bem é a única felicidade verdadeira."

"O tempo e a paciência são dois eternos beligerantes."

"A tristeza pura é tão impossível como a alegria pura."

"A sabedoria com as coisas da vida não consiste, ao que me parece, em saber o que é preciso fazer, mas em saber o que é preciso fazer antes e o que fazer depois."

"Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência."

*****
Liev Tolstói é considerado um dos maiores escritores de todos os tempos.
Além de sua fama como escritor, Tolstoi ficou famoso por tornar-se, na velhice, um pacifista, cujos textos e idéias batiam de frente com as igrejas e governos, pregando uma vida simples e em proximidade à natureza.

Junto a Fiódor Dostoiévski, Gorki e Tchecov, Tolstói foi um dos grandes da literatura russa do século XIX. Suas obras mais famosas são Guerra e Paz, sobre as campanhas de Napoleão na Rússia, e Anna Karenina, onde denuncia o ambiente hipócrita da época e realiza um dos retratos femininos mais profundos e sugestivos da Literatura.
Morreu aos 81 anos, de pneumonia, durante uma fuga de sua casa, buscando viver uma vida simples.

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A Vida Secreta das Abelhas

A Vida Secreta das Abelhas

Ir ao cinema é bom. Melhor ainda é ir ao filme. Ótimo quando se pode mesclar as duas coisas. A Vida Secreta das Abelhas é esse dois em um. Um filme recheado de conflitos em torno da trama sentimento de culpa. A personagem principal é a figura retórica Paradoxo ou Oxímoro na qual combinam palavras de sentimentos opostos que parecem excluírem-se mutuamente, mas que no contexto, reforçam uma expressão, exemplificando em o ilustre desconhecido ou uma arma em casa não combina com criança de quatro anos que mata por descuido dos adultos. Um crime delicado que marcará a vida de todos os envolvidos. A partir daí desencadeará um efeito dominó e a questão de “culpa de quem?”. Culpa, um sentimento que dificilmente se cicatriza.

É necessário a presença da natureza; é necessário o aparecimento de abelhas indicando o caminho das flores, dando vida e beleza a toda narrativa; dando sinais reveladores que possam abrandar tal sentimento. A força delas na vida do homem é que dá o sossego da alma e a paz interior.

A vida tem seus segredos, o universo também. Coisas que a ciência não é capaz em tempo algum descobrir. Coisas que deverá se aprender a conviver por não haver solução, ou quem sabe substituir por outra para essa amenizar ou anular.

E o equilíbrio aos poucos tomando forma. Como dizia uma propaganda De amargo já basta a vida. O equilíbrio está na doçura do mel. Deve-se desvendar os sinais que as abelhas te presenteiam, os segredos que elas também têm, dependendo da situação vivida terá sua interpretação adequada. A natureza é sábia; dá cor ao mundo, embeleza; colhe o néctar da vida; transforma em alimento para a alma em muitos sabores. Tudo muito bem equilibrado, pela simpatia e charme. O trabalho é árduo e infinito. O tempo de colher o néctar nunca cessará; termina um ciclo para outro recomeçar. Incansável porque é compartilhado. E compartilhar é tudo.

Trazer à tona o segredo abranda o sofrimento. Se não conseguir contar ou não quiser revelar ou não querer descobrir, quem sabe a solução seja escrever bilhetes e colocar no muro das lamentações que cada um possui dentro de si. Carregar o mundo nas costas sozinho, não tem graça...

As abelhas dizem que não se deve seguir o caminho do preconceito porque é burrice; a intolerância e o racismo além de crime, é egoísta; aposse-se do direito de ir e vir, sem desrespeitar o liberdade do outro.

Acaso se lembra da última vez que chorou? Qual é mesmo o sabor da lágrima? Engana-se quem diz que é salgada. Às vezes ela tem um gosto amargo. E há quanto tempo não a deixa cair?

A pergunta simplesmente é pelo fato de ao assistir a este instigante filme, certamente vai precisar de um lenço pelas situações emotivas e sinceras. As lembranças... sempre elas... belas ou não dificilmente pode-se descartar. Segredos todos têm. Mistérios da vida que a própria razão desconhece.

O segredo das coisas da amizade... os sonhos de cada um... transformar o querer em poder sem sentimento de culpa.

Autora: Karenina Rostov
Fonte: Filme assistido.

Sinopse: Em 1964, Lily, uma menina de 14 anos, viaja para uma cidade atrás de um antigo segredo de sua falecida mãe.
A Vida Secreta das Abelhas (The Secret Life of Bees, 2008), 110 min.Direção: Gina Prince-BythewoodRoteiro: Gina Prince-Bythewood (roteiro), Sue Monk Kidd (livro)Com: Dakota Fanning, Paul Bettany, Hilarie Burton, Queen Latifah, Jennifer Hudson, Alicia Keys, Tristan Wilds, Nate Parker, Sophie Okonedo, Shondrella Avery, Addy Miller, Joe Chrest, Emily Alyn Lind, Taylor Kowalski
Nerdshop:• Livro A Vida Secreta das Abelhas, de Sue Monk Kidd (Ediouro)

Para ver o trailer, clique aqui.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Maria, presentinho pra você!


Querida amiga Maria, companheira de todos os momentos na época de estudante, na correira diária, conhecer você foi uma das coisas boas e inesquecíveis.

Feliz aniversário! É um momento especial todo seu porque é único no calendário de sua vida. Que Deus te proteja sempre.

Não estranhe a música do Santa Esmeralda. Aconteceu um imprevisto, acabei não encontrando aquela música da Yoko Ono que você tanto gosta. Mas pense o lado interessante ao mesclar dois assuntos completamente opostos e que o poeta Manoel de Barros fala em um de seus poemas:

"Não é para entender, mas para incorporar / Entender é parede, procure ser uma árvore."

E eu acrescento com a outra frase já bem gasta, velha conhecida de muitos:

"Decifra-me se for capaz!"





Beijos e flores!

Karenina

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Deus é fiel

Deus é amor.
A única Comunidade que jamais te expulsará é a DELE. E os novos que ainda não O conhecem, não precisam fazer cerimônia, podem entrar a qualquer momento, sem preocupação que não serão barrados. Lá todos são bem-vindos. As coisas terrenas são passageiras; as do paraíso, eternas. Então para quê o orgulho se o futuro é a morte?




ORAÇÃO DO PAI NOSSO.

Pai nosso, que estás nos céus,
Santificado seja o vosso nome.
Venha a nós o vosso Reino.
Seja feita a vossa vontade,
Assim na Terra como no Céu.
O pão nosso de cada dia nos daí hoje.
Perdoai-nos as nossas dívidas
Assim como nós perdoamos aos nossos devedores
E não nos deixei cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.
Porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre.
Amém.

Autor: Jesus Cristo

Fonte: Bíblia Sagrada

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Tempos de Paz

Tempos de Paz

“Não serei o poeta de um mundo caduco”

A paz é um estado de espírito; é a busca frenética de sossego, uma conquista diária prazerosa e confortável para qualquer pessoa, tão necessário quanto o ar que se respira. Quando se tem paz interior, se tem fora dela e em qualquer lugar. Já dizia o escritor russo Tolstoi “Sempre haverá guerra e paz”, significa que a paz é apenas um momento de trégua. E o escritor alemão Brecht dizia que só se encontra paz na guerra. Contradições à parte...

O novo filme brasileiro TEMPOS DE PAZ, dirigido por Daniel Filho, nos leva a essa reflexão. O enredo é a 2ª Guerra Mundial. Imigrantes fugiam DELA para qualquer terra estrangeira. Entre os imigrantes estava um ator de teatro, tentando entrar no Brasil, se passando por um agricultor. É claro que ele enfrentará um obstáculo para que realize esse sonho. Esse imigrante travará uma batalha para conseguir a tão almejada paz. Será um duelo de titãs. Para conquistar a sua liberdade e receber seu salvo conduto, terá que lutar contra um investigador e torturador de polícia; terá que pegar em armas para conseguir vencer essa guerra. O ex-oficial Segismundo interpretado pelo ator Tony Ramos tenta a qualquer custo cumprir a sua função de barrar e impedir que comunistas e nazistas entrem no país, e um deles é o ator polonês interpretado por Dan Stulbach pelo fato de se mostrar um sujeito muito suspeito.
A partir do encontro de ambos, o interrogador alfandegário Segismundo com o ex-ator polonês Clausewitz começa uma nova batalha. Trava-se uma nova guerra. A guerra, na verdade, são de lembranças que parece que jamais se apagarão. E ninguém está isento tê-las, independentemente de boas ou más.

Um ator que consegue sobreviver a um campo de concentração perdendo todos os parentes e amigos, perdendo a sua língua de origem, sua identidade e seu país, deixando para trás uma guerra para entrar em outra. Um ator que aprende uma língua latina por amor, declama Drummond, terá que provar que não é melhor do que ninguém nem mesmo ao próprio torturador brasileiro, pois, apesar de tudo foi o único que sobreviveu da família para contar a historia. Como fugir de um país em guerra se terá que levar na bagagem as eternas lembranças?

Quando começa o embate entre ambos, há um momento que nos faz pensar que ele deveria desistir de querer ficar, que seria melhor enfrentar a guerra em seu país e nem ter saído de lá. Comparando as duas guerras, a de lá era até branda, pois a de cá ele ouviria coisas mais terríveis da boca desse alfandegário, as mais duras e dolorosas lembranças do outro, suas torturas às suas vítimas, que talvez, guerra nenhuma seria pior.

Por ser confundido com um nazista fugitivo, é que se desenrola na sala de imigração a desconfiança nesse sujeito. E o ex-torturador alfandegário, era a própria guerra, capaz de fazer as coisas mais bárbaras e horrendas possíveis; das piores torturas inimagináveis tanto que o próprio médico interpretado por Daniel Filho, salvador de sua irmã, interpretada pela atriz Louise Cardoso, ele sem piedade torturou, quebrando as suas mãos os seus instrumentos de trabalho. A maneira encontrada pelo interrogador foi de fazer um trato com o imigrante; ele deveria fazê-lo chorar. Se conseguisse essa façanha, receberia a tão sonhada liberdade e a nova vida. Poucos atores, porém atuações magistrais. Um filme sublime. E o melhor o diretor deixou para o final, homenageando grandes imigrantes que contribuíram para o engrandecimento do país e todo o amor pela nova pátria.
Tempos de Paz. Assista com carinho.

“O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.” C.D.A.
Karenina Rostov
*************
Sinopse

Em 1945, para fugir da Segunda Guerra Mundial, imigrantes europeus chegam aos montes ao Brasil, indo diretamente ao porto do Rio de Janeiro. É ali que se encontra o interrogador da polícia especializado em torturas chamado Segismundo, funcionário oficial no governo de Getúlio Vargas. E é ele quem vai interrogar o ex-ator polonês Clausewistz, que conseguiu escapar do nazismo depois de passar pelos horrores na guerra.


Informações Técnicas

Título no Brasil: Tempos de Paz
Título Original: Tempos de Paz
País de Origem: Brasil
Gênero: Drama
Classificação etária: 12 anos
Tempo de Duração: 82 minutos
Ano de Lançamento: 2009
Estréia no Brasil: 14/08/2009
Site Oficial: Estúdio/Distrib.: Downtown Filmes
Direção: Daniel Filho

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

AcrósticoS - a la J.G.

O seu dia

Em um dia escolhido no calendário
Um dia como outro qualquer
Não pode existir um único dia
Impossível dedicar apenas um
Como se apenas um compensasse
Eu prefiro te dedicar 365 dias

Bom te amar todos os dias do ano
E receber em troca a sua paixão
Remoer de desejos de estar juntos
Nos sonhos te encontrar e te amar
Afinal é nele que nos estamos juntos
Libertando nossos sentimentos e amor


O SEU DIA

Já é demais todo amor que me declara
Os 365 dias de amor dedicados a cada instante do dia
Será que mereço tamanha felicidade?
É impossível que isso seja real eu devo estar sonhando...

Reconheço que é muito bom ser amada
O melhor ainda é amar, verdadeiramente AMAR
Brindaremos de agora em diante tristeza e alegria
E a vida inteira e sempre serei seu par constante, é o meu
Rei que sacia toda ansiedade (da alma)
Tanto que te quero não há quem goste assim
O amor que me faz mais que rainha... TE AMO!

*****

O Rei Roberto Carlos

Emoções
Uma palavra amiga
Na paz do teu sorriso
Ingênuo e sonhador
Café da manhã
Eu estou apaixonado por você

Baby, meu bem
Eu te darei o céu
Rotina
Não quero ver você triste
Aquele beijo que te dei
Louco por você


Acróstico Roberto Carlos

Jesus Cristo
Outra vez
Só vou gostar de quem gosta de mim
É preciso saber viver

Recordações
O grande amor da minha vida
Brotinho sem juízo
E por isso estou aqui
Recordações e mais nada
Tudo pára
O sósia

De que vale tudo isso
O ano passado
Na paz do teu sorriso
Aleluia
Doce loucura
O amor é mais
Ninguém vai tirar você de mim

***

Eu fico sempre contente, querida
Um pouco de ternura em cada mensagem sua
Nada como receber suas flores e suas poesias
Infla meu coração de amor e sinto você por perto
Cada pétala de flor é como um orgasmo
E o corpo sente a suavidade da sua pele

Bobos como dois adolescentes no primeiro amor
Em cada mensagem ficamos mais apaixonados
Revivemos em todas elas nosso primeiro encontro
Nas entrelinhas delas e no desenho das flores
Achamos nossos corpos a gozar as delicias do amor
Longe dos olhos do mundo sem pecado e sem juízo
..................................................

Se não existisse você não existiria este poeta. Te amo, Eunice Bernal Donadon
Ninguém neste mundo jamais viverá um amor como o nosso.
Beijos, te amo, te adoro, te quero, te desejo e te venero!


Um pouco de gozo e dor

Jamais se contente com um pouco de poesia e algumas flores
Ouça nas entrelinhas de um coração apaixonado tudo o que isso significa
Significa muito mais que meras palavras e belezas
É algo que está além deste tempo, desta vida, deste mundo

Revivo minha vida, minhas descobertas nas pessoas que por mim passam
Ouço o que elas tem a me dizer e imagino vivendo aquela vida
Belas surpresas e encantadoras situações viveria
E também imaginar-me numa determinada situação
Reorganizar o mundo do avesso, por exemplo
Talvez desligar o sol para que o homem reflita e entenda
O quanto o calor é importante...


Somos loucos para viver um amor assim?
Beijos de quem te ama.


... escritos exclusivamente para mim...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Voltando à sala de aula - On-Line - D.E.

Prezado Cursista,

A Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro está oferecendo, em parceria com o CAEd, o Curso de Apropriação dos Resultados de Avaliação, que facilitará a compreensão dos resultados das avaliações de sua rede e sua utilização em ações de melhoria do desempenho de seus alunos.

Nesse curso serão abordados:- Os indicadores sociais e educacionais em âmbito nacional e estadual;- A natureza das avaliações existentes: avaliações da aprendizagem e do desempenho escolar;- O Sistema de Avaliação do seu Estado e os diferentes modos de apropriação dos resultados para a realização de um trabalho produtivo na escola.

O curso é aplicado através da plataforma de ensino do CAEd, disponível via Internet.

A sala de aula virtual disponibiliza uma série de recursos elaborados para auxiliar o desenvolvimento dos seus estudos, como o Guia do Curso, o Guia de Estudo, atividades e Fóruns de discussões temáticas, entre outros.


Tô aqui!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Intertextualidade a la Bukowski

Fotografias do Espelho (Poesia)

Mapear todos teus poros, um por um,
Me aconchegar nas coxas e nos seios,
Sugar tua boca sem obstáculo algum,
Retirar com a língua os tolos receios.

Dentro de você deslizar pelo caminho,
Sentindo crescer ao seu toque certeiro,
Espalhar no teu corpo um doce vinho,
Sorvê-la completa, te secar por inteiro.

Lança esse olhar, afugenta tua razão,
Descansa liberta nesse abraço terno,
Em troca devolvo a minha explosão,
Vigio teu sono, seja verão e inverno.

Na luz ou sombra procuro teu calor,
No sexo desfrutamos nosso alimento,
Lambuzo no teu gozo, amado ardor,
Pois não encontrá-la é meu tormento.

Quero acampar no teu corpo quente,
Grudar nossa pele, nossa respiração,
Ser envolvido hoje, agora ou sempre,
Latejar em você até minha redenção.

Os lábios úmidos que me enlouquecem,
Ávidos chamam, sussurram, espreitam,
Num cantarolar mudo eles estremecem,
Nos desejos sinceros que nos permeiam.

Se encaixe em mim como quiser,
Fecha os olhos, entrega tua mão,
Cruzamos a estrada que convier,
Cultivando cegamente tal paixão.

Somos felizes, banhados de luar,
Sentimos saudades da eternidade,
Do horizonte, abraçamos ao mar,
Num beijo longo de cumplicidade.

Afaga este perigo, seduz esta tentação,
A vida enfim apontou nossos destinos,
No amor eterno cuido do teu coração,
Escute agora o surdo badalar dos sinos.
Roberto Souza


Fotografias do Espelho (Poesia)

Mapear a geografia do teu corpo inteiro
Da cabeça aos pés, montanhas escalar,
Com a língua tuas entranhas navegar,
Esvaziar o fel e as angústias primeiro.

Como o sol e a lua quero estar,
Dentro ou fora de você, não importa,
Em teus braços, no teu ventre eclipsar,
E beber a lava do teu vulcão na hora morta.

Liberte anseios, e aprecie o outro olhar,
Relaxemos quietos, o silêncio valorizar,
De abraçar, beijar, murmurar, sussurrar,
Devolvemos boas lembranças ao amanhã.

Procuro-te em todos os portos, praças, mar,
Por que a fuga se a alma se despe para mim?
Por que se esconde se o sexo penetra em mim?
Quando corpo e alma confessam gostar...

Quero muito mais que gostar
Quero acima de tudo amar
Quero o sexo gozar
Quero sentir minha alma latejar.

Bem sabe que, teu toque me enlouquece,
O teu céu interior, teu calor, me ensurdece,
O fazer amor, teu cheiro me emudece,
Teu ser, teu sabor me enobrece.

Tuas formas nas minhas, direitinho se encaixam,
Feito sob medida, não importa quanto,
Posições, formas de amar, não importa como,
A música como testemunha, goza e relaxa.

Somos felizes e sabemos dar valor
Abraçamos o mundo de felicidade
Quero morrer somente desse amor
Não quero que jamais seja saudade.

Finalmente ouvi sinos a badalar
Sinal de amor eterno e verdadeiro
A cumplicidade de Deus a nos falar
Se foi obra do criador, não quero acordar!
Eunice Bernal

sábado, 15 de agosto de 2009

Правда = é tudo verdade!

O jornal Pravda (Правда = verdade), teve seu funcionamento de 1918 a 1991 (fechado pelo presidente Yeltsin) e representava o órgão oficial de comunicação do partido comunista.

Durante seu perído de funcionamento, o jornal teve diversos nomes:
Рабочая правда (Rabochaya Pravda, "A verdade dos trabalhadores")
Северная правда (Severnaya Pravda, "A verdade do Norte")
Правда Труда (Pravda Truda, "A verdade do trabalho")
За правду (Za Pravdu, "Pela verdade")
Пролетарская правда (Proletarskaya Pravda, "A verdade do proletariado")
Путь правды (Put' Pravdy, "O caminho da verdade")
Рабочий (Rabochy, "O trabalhador")
Трудовая правда (Trudovaya Pravda, "A verdade do trabalhor")

Há atualmente um outro jornal com o mesmo nome (www.pravda.ru).

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Mongol - Uma aula de história

The Fevers

Genghis Khan (dschinghis Khan)

Havia na Mongólia um lutador feroz (Genghis Khan)
[ha, hu, ha]Que conquistou a China, o Afeganistâo (e o Irã)
[ha, hu, ha]Até a tropa russa derrotou
E do império turco se apossou
E contra a própria morte ele lutou [hu, ha]

Genghis, Genghis, Genghis Khan
Foi o maior lutador que existiu
Era o Genghis, Genghis, Genghis Khan
Líder de bravos guerreiros
que nunca sofreram uma derrota (oh ho ho ho)
vilões e assassinos (ah ha ha ha)
Tanta crueldade não se viu

Genghis, Genghis, Genghis Khan
Deixa na História uma página de dor
Era o Genghis, Genghis, Genghis Khan
Foi ditador, foi herói, foi bandido
E a todos que encontrava (oh ho ho ho)
matava e queimava (ah, ha, ha, ha)
Era o mais temido dos mortais

Vencendo os inimigos, Genghis Khan en fim (conquistou)
[ha, hu, ha]
Um grande império bem maior do que alguém (já sonhou)
[ha, hu, ha]Exércitos inteiros dominou
Milhares de guerreiros comandou
Por muitos anos ele assim reinou
[hu, ha]

Genghis, Genghis, Genghis Khan
Foi o maior lutador que existiu
Era o Genghis, Genghis, Genghis Khan
Líder de bravos guerreiros
que nunca sofreram uma derrota (oh ho ho ho)
vilões e assassinos (ah ha ha ha)
Tanta crueldade não se viu

Genghis, Genghis, Genghis Khan
Deixa na História uma página de dor
Era o Genghis, Genghis, Genghis Khan
Foi ditador, foi herói, foi bandido
E a todos que encontrava (oh ho ho ho)
matava e queimava (ah, ha, ha, ha)
Era o mais temido dos mortais[ha, hu, ha, hu]

13 de Agosto - dia do Canhoto

"Esquerda festiva Nasci canhoto. Não sei o motivo. Chuto com a perna esquerda e uso a mão esquerda para tudo. Sempre fui minoria. Os canhotos, nesta Redação, somos apenas dois, em mais de 30 profissionais. A essência de ser canhoto é principalmente escrever com a mão esquerda, não saber fazer o resto dos trabalhos manuais e praticamente esquecer que se tem uma mão direita.
O canhoto é antes de tudo um deslocado. O charme de pertencer à minoria tem seu preço: viver em um mundo que não é feito para você. É ter certos traumas engraçados, como nos melhores filmes de humor negro. "A mão direita é a mão que a gente escreve", diz no primeiro dia de aula a professora magrinha do primário, com sua voz de pássaro.

Quase sempre, na sala de 30, um canhoto solitário levanta a mão esquerda, errando desde já o princípio da vida. "Não, você é diferente; é com a outra mão", diz, sem paciência, a professorinha, abaixando nossa mão esquerda.

Na outra aula, a tesoura. Não há linha reta que assim permaneça se cortada por um canhoto. É preciso virar a tesoura e fazer do ato de cortar uma simples folha de papel o trabalho de um malabarista de um circo pobre de interior, que se apresenta sem graça ou leveza. Eu sempre evitei as tesouras. Assim como evitei (e evito) os abridores da lata. A dificuldade de abrir uma lata com a mão esquerda é enorme.

Até à mesa, nossos braços ficam se chocando com o de qualquer pessoa, já que a maioria leva a comida à boca com a mão direita - do outro lado tem a gente, insistindo em fazer o contrário. Também dizem que mulheres canhotas não conseguem fazer tricô e crochê.

Ser canhoto é ser de esquerda desde o princípio - mas uma esquerda festiva, que ri de si própria por saber que não vai dar certo (e bebe para esquecer). Tenho um orgulho silencioso de ser canhoto. Sei que todo mundo queria ser canhoto. Por fim, defendo as cotas para canhotos: um pagamento pelo trauma de ficar anos tendo de fugir de tesouras, abridores, trabalhos práticos. Quando quiser xingar alguém, chame-o de canhoto."
***
Meu trauma foi não ter conseguido aprender a tocar violão. O meu professor não tinha paciência com canhotos.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Maratona de Agosto

VERONIKA DECIDE MORRER : Nem o filme deprê superou o Imortal posto que é chama Paulo Coelho. Veronika sabia que se continuasse viva sua vida seria uma rotina: casar, nos primeiros anos seria "Só Love"; depois o marido a trairia, e ela teria que cuidar da casa, filhos, trabalho,
trabalho, filhos...

http://www.youtube.com/watch?v=VkEITSgsqgk

CONFISSÕES DE UMA GAROTA DE PROGRAMA: Prefácio interessantíssimo dos seus depoimentos ao jornalista e nádegas à declarar. Deu pena na cena em que o amigo lhe pergunta o motivo de ela estar meio triste. E ela comenta que teve que dormir com um cara que não tomava banho há três dias. Qual comentário alguém faria de uma linda garota de programa limpa mas que dorme no emprego?

http://www.youtube.com/watch?v=u4A2xCwQsMo

ARRASTE-ME PARA O INFERNO: Sam Raimi em plena forma. Foi o ponto alto da noite. Bem aplaudido por sinal. Humor negro de primeira. Formidáveis efeitos especiais. Penso que ninguém esperava um final tão surpreendente como esse. Bom rever o seu clássico neste gênero - Uma Noite Alucinante.

http://www.youtube.com/watch?v=p-REviL75zg

Eunice Bernal

WESTERN Tribute (bang bang à italiana )

Recordar é Viver - Estudando um pouco mais...


Western spaghetti (1963 até 1977 )

*Western spaghetti é como são chamados os westerns realizados por diretores italianos. Embora fossem produzidos na Itália, a grande parte dos filmes era rodada na Espanha, na região da Almería, que se parecia com o Velho Oeste Americano. Nessas produções haviam atores das mais diversas nacionalidades: americanos, italianos, espanhóis, alemães, etc. Foram feitos mais de 600 filmes entre 1963 e 1977. Esses filmes eram uma maneira do cinema europeu faturar em cima do sucesso dos westerns americanos, que estavam em baixa em Hollywood na época. Já no fim da década de 1960 os filmes decaíram de popularidade. No Brasil, convencionou-se chamar este estilo de filmes por "Bang-Bang à Italiana", emprestando o nome de uma famosa sessão de filmes da TV Record, exibida até meados dos anos 1980

Confira a lista dos 111 melhores filmes Gênero: Western

http://melhoresfilmes.com.br/generos/western

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A arte de fazer um filme "SUECADO"

Sergio e Wladimir


MATOU AULA E FOI AO CINEMA


Roteiro de

Karenina Rostov


CURTA
aprox. 20 minutos.
20 laudas

JULHO, 2009


Todos os direitos reservados e bem guardados.

Copyright de

© Eunice Bernal

A ARTE DE FAZER UM FILME "SUECADO"


Filme “suecado”, é um filme bem tosco, caseiro, feito com recursos mínimos, mas capaz de contar uma história de verdade.


Segundo Gondry, estas são as etapas para realizar um filme “suecado”:

1- Escolher o gênero do filme; Escolher o título (mesmo antes do enredo);
2-Desenvolver a história – início, meio e fim.
3-Escrever as cenas –
4- Filmagem!

Mesmo sem conhecer o Michel Gondry (abaixo), eu o agradeço publicamente por proporcionar esta experiência de criatividade explícita, sem compromisso, sem pré-requisitos, sem cobranças ou expectativas, a quem quiser se aventurar. É delicioso! É de graça! Só precisa chegar cedo para se inscrever.
Nada é ousado a quem se atreve.

Perdi o Anima Mundi 2009

Mas, porém contudo, entretanto, todavia, no entanto... encontrei um vídeo no Blog de um amigo que vale a pena por todo o festival. Uma história surpreendente, criativo e inteligante. Para assistir e refletir sobre a situação apresentada.

DIVIRTA-SE! (Ou Não)


http://www.youtube.com/watch?v=RDv5akmlVU4&eurl=http%3A%2F%2Fnotobviouscinema%2Ewordpress%2Ecom%2F&feature=player_embedded

sábado, 8 de agosto de 2009

A Rosa Púrpura do Cairo

A ROSA PÚRPURA DO CAIRO

Existe algo mais genial do que assistir a um bom filme? Um bom filme é aquele capaz de nos seduzir, de mexer com nossas emoções e sentidos, causar um impacto interior e incomodar de alguma forma nos desestruturar, desconstruir, transformar, mudar ser capaz de nos embriagar seja por imagens, gestos, sons, uma entrega de corpo e alma, uma troca entre ambos vida e arte; ir além da imaginação.

Um filme pode ser considerado magnífico por ser diferente, original e criativo. Seu criador foi capaz de inovar, ousar, imaginar uma história genial, capaz de emocionar, fazer rir ou chorar, surpreender, sentir um algo que dê uma sede maior de viver e de devanear. São detalhes que fazem relembrar determinados filmes e querer assisti-los tantas vezes mais.

A mensagem de Woody Allen, diretor e roteirista da comédia romântica A ROSA PÚRPURA DO CAIRO, é formidável, diferente de tudo que se possa imaginar. O roteiro resume-se basicamente em duelar o fantástico mundo da fantasia com o fantástico mundo real.

A metalinguagem cuidadosamente presente que diverte e nos tira do sério para participar diretamente dessa aventura como protagonista. São duas histórias que correm paralelamente sob a ótica da personagem Cecília, uma pacata dona de casa e seu marido alcoólatra.
Quando a realidade e a ficção se mesclam, torna a obra de arte cinematográfica muito mais brilhante e especial do que ela já é. Quem assistiu ao filme JOGO DE CENA do diretor brasileiro Eduardo Coutinho, deve ter saído da sessão meio tonto e curioso por não saber qual personagem dizia a verdade e qual interpretava a mesma cena, o mesmo discurso; é um filme dois em um, ou melhor, o mesmo diálogo para dois personagens interpretarem.

O diretor brinca com os pólos divergentes constantemente em A ROSA PÚRPURA DO CAIRO; a realidade e a ficção se aglutinam de tal forma tornando o real e o imaginário, personagem do filme e fora dele, únicos. Realidade e ficção con-(fundem-se)!

Realidade porque há homens que exploram as mulheres, gastam todo o dinheiro do trabalho delas em jogos, bebidas, ainda batem nelas e além de tudo tem coragem de as traírem.

Também há mulheres que não suportam o seu casamento, mas não têm coragem de cair fora por medo do parceiro e com isso ficam sonhando em encontrar o verdadeiro amor.

E a ficção é que nenhum personagem pode sair das telas porque se apaixonou por um expectador e nenhum expectador pode entrar pela tela de cinema com um personagem de um filme e passear pelas cidades cinematográficas e depois sair por ela novamente como se nada tivesse acontecido, e ainda por cima os outros personagens conversam com as pessoas reais que estão na sessão esperando a volta do outro personagem, pois não podiam continuar sem ele porque era o protagonista. É ficção povoando o imaginário; isso nunca aconteceu e nunca vai acontecer porque personagens interpretam, não têm vida própria. É criação; é o mundo imaginário. Porém pode acontecer no nosso imaginário tal real...

A Rosa Púrpura do Cairo (Purple Rose of Cairo, The, 1985) » Direção: Woody Allen» Roteiro: Woody Allen» Gênero: Comédia/Fantasia/Romance» Origem: Estados Unidos» Duração: 84 minutos» Tipo: Longa-metragem» Trailer: clique aqui

» Sinopse: Durante os anos da Grande Depressão nos Estados Unidos, Cecilia é uma garçonete que, depois de despedida do emprego, passa a se distrair vendo sucessivamente o filme "A Rosa Púrpura do Cairo", até que presencia o dia em que seu ator principal literalmente sai da tela do cinema para viver a vida real. Os executivos de Hollywood ficam loucos com o ator, querendo impedir que ele continue saindo de outras salas de projeção, enquanto ele passa a ter um caso com Cecilia.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Meu Verso

MEU VERSO

Meu verso é meu riso
Meu prazer,
Alegria e tristeza
Está comigo para o que
Der e vier.
Meu verso é
Meu estado de espírito
Meu juízo
Meu interior em chama
Mentir
Meu exterior em calma
Sentir
Ambos se completam
Em nome da razão.

Meu verso nem mesmo é versado
Nem rebuscado
É sim modesto, confuso,
Acanhado...
Eunice

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Austrália


Frases que anotei deste filme:

Se você não quer amor no coração, você não tem nada.

Seu sonho não tem história.


Uma coisa eu sei: contar histórias. E é o mais importante de tudo.

Sempre.

E assim que fazemos as pessoas nos pertencerem sempre.


Porque eu não sou branco
E também eu não sou negro
Sou mestiço
Um vira-latas.
Não pertenço a ninguém.


Cinema que mostra cinema: Neste filme Austrália mostra o filme O Mágico de OZ.


Sinopse

Uma aristocrata inglesa (Nicole Kidman) é a herdeira de um grande rancho. À medida que um barão inglês do gado procura comprar as terras da mulher, ela, de maneira relutante, se alia a um vaqueiro (Hugh Jackman) com o objetivo de retirar as suas cabeças de gado do local. Essa viagem, porém, os levará a Darwin, cidade australiana prestes a ser bombardeada pelas forças japonesas, no começo da Segunda Guerra Mundial.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Filosofia? Comecei a ler Descartes

Leia mais aqui.

E com Descartes dá a entender era preciso ir para a frente. Ele é considerado o fundador da filosofia moderna. No seu estilo claro mas pleno de construções, demonstrações e imagens ele nos dá as quatro regra do método:

a) jamais acolher algo como verdadeiro, a não ser que seja absolutamente evidente, e não acolher no juízo o que não seja claro e indubitável. É a regra da evidência.

b) a segunda regra, que tem um jeito matemático , diz para dividir as dificuldades em quantas partes fosse possível e necessário para resolvê-las.

c) a terceira regra é conduzir com ordem os pensamentos, começando com os mais simples e indo para os mais complicados, dos mais fáceis de conhecer para os compostos. Descartes também afirma, em outro trecho, que não se fia nos primeiros pensamentos. Na terceira regra é preciso fazer uma síntese da realidade complexa, que foi decomposta em partes menores.

d) a última consiste em fazer em toda a parte enumerações e revisões completas, para nada se omitir.

sábado, 25 de julho de 2009

As Tebas de Todos Nós (Poesia)

Intertextualidade

As Tebas de Todos Nós (Poesia)

Em Tebas tremem os tiranos,
Almas libertadas sem dor,
Corpos cativos sem amor,
Na solidão dos falsos arcanos.

Ao vento o sopro, o ardor,
A espera dos sonhos contidos,
A cegueira dos fatos omitidos,
No tempo o preço, o temor.

Te busco nesse universo falido,
Não importa o passar dos anos,
Pois na terra governam insanos,
A Tebas de um coração partido.

Roberto Souza

As Tebas de Todos Nós (Poesia)

Tebas, muito mais que espinho na carne
Dilacera a alma, causa rancor
Sem falar em ressentimento e desamor
Resgatemos a dignidade, e as mãos, desarmem!

Vento leve brinca, baila no ar
Boas novas, esperanças renovar
Desvenda sonhos contidos no olhar
Tempo cura, sara, valor incontestável pagar.

Te encontrei neste mundo renovado
Gastei todo o tempo necessário
Desta terra que meu coração governa
Devolvendo com juros a Tebas e sua caserna...

Tebas é um lugar que já não existe.

Eunice Bernal

In stand by - Tropa de Elite 2

Tropa de Elite 2

Segundo a coluna Mônica Bergamo, no jornal Folha de São Paulo, Tropa de Elite 2 mostrará a crimilidade entre as pessoas poderosas no Brasil.Sobre o Capitão Nascimento (Wagner Moura, de Romance), ainda de acordo com a jornalista, ele aparecerá mais velho e, desta vez, como funcionário da Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro.
Teremos mais uma mudança na sequência, mas agora nas cópias que serão distribuídas. Bergamo publicou que a intenção da produção é não fazer pré-estreia e sem sessões para críticos. Tudo isso para sentir a reação do público e não da imprensa.
Além de Wagner Moura, Selton Mello (Meu Nome Não é Johnny) também está confirmado no elenco de Tropa de Elite 2. Fernanda Machado, que viveu estudante Maria no primeiro filme, já está em negociações.
Bráulio Mantovani (Última Parada 174) está a cargo do roteiro, que ainda se encontra na fase de desenvolvimento, mas já há previsão para o começo das filmagens, janeiro de 2010.
Tropa de Elite já foi exibido em vários países e ganhou o Urso de Ouro no último Festival de Berlim. Foi o filme nacional mais visto nos cinemas brasileiros em 2007.(Da redação do site Cineclick)

terça-feira, 21 de julho de 2009

A Língua Portuguesa é a Minha Pátria

http://www.youtube.com/watch?v=n2KttEYpURI&eurl=http%3A%2F%2Fletras%2Eterra%2Ecom%2Ebr%2Fcaetano%2Dveloso%2F44738%2F&feature=player_embedded

Língua

Caetano Veloso

Língua
Caetano Veloso
Gosta de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixe os Portugais morrerem à míngua
“Minha pátria é minha língua
”Fala Mangueira! Fala!

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?

Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas! Cadê?
Sejamos imperialistas!
Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda
E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate
E – xeque-mate – explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homem
Lobo do lobo do lobo do homem
Adoro nomesNomes em ã
De coisas como rã e ímãÍmã ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã
Nomes de nomes
Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabée Maria da Fé
Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?

Se você tem uma idéia incrível é melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão
Blitz quer dizer corisco
Hollywood quer dizer Azevedo
E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o Recôncavo meu medo
A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria, tenho mátria
E quero frátria
Poesia concreta, prosa caótica
Ótica futuraSamba-rap, chic-left com banana
(– Será que ele está no Pão de Açúcar?
– Tá craude brô– Você e tu– Lhe amo–
Qué queu te faço, nego?
– Bote ligeiro!– Ma’de brinquinho, Ricardo!?
Teu tio vai ficar desesperado!–
Ó Tavinho, põe camisola pra dentro, assim mais pareces um espantalho!
– I like to spend some time in Mozambique
– Arigatô, arigatô!)
Nós canto-falamos como quem inveja negros
Que sofrem horrores no Gueto do Harlem
Livros, discos, vídeos à mancheia
E deixa que digam, que pensem, que falem.

Essa letra é formidável, não acha?

sábado, 18 de julho de 2009

O VESTIDO – Esse Obscuro Objeto do Desejo

O VESTIDO – Esse Obscuro Objeto do Desejo

Carlos Drummond de Andrade é o meu poeta brasileiro preferido. O Caso do Vestido, é um de seus poemas que considero fascinante e intrigante. Ele é composto de 150 versos distribuídos em 75 estrofes de dois versos cada. É um poema que tem HISTÓRIA, que conta várias histórias tendo como protagonista um objeto que é um VESTIDO.

Eis o poema:

CASO DO VESTIDO
Nossa mãe, o que é aquele
vestido, naquele prego?

Minhas filhas, é o vestido
de uma dona que passou.

Passou quando, nossa mãe?
Era nossa conhecida?

Minhas filhas, boca presa.
Vosso pai evém chegando.

Nossa mãe, dizei depressa
que vestido é esse vestido.

Minhas filhas, mas o corpo
ficou frio e não o veste.

O vestido, nesse prego,
está morto, sossegado.

Nossa mãe, esse vestido
tanta renda, esse segredo!

Minhas filhas, escutai
palavras de minha boca.

Era uma dona de longe,
vosso pai enamorou-se.

E ficou tão transtornado,
se perdeu tanto de nós,

se afastou de toda vida,
se fechou, se devorou,

chorou no prato de carne,
bebeu, brigou, me bateu,

me deixou com vosso berço,
foi para a dona de longe,

mas a dona não ligou.
Em vão o pai implorou.

Dava apólice, fazenda,
dava carro, dava ouro,

beberia seu sobejo,
lamberia seu sapato.

Mas a dona nem ligou.
Então vosso pai, irado,

me pediu que lhe pedisse,
a essa dona tão perversa,

que tivesse paciência
e fosse dormir com ele...

Nossa mãe, por que chorais?
Nosso lenço vos cedemos.

Minhas filhas, vosso pai
chega ao pátio. Disfarcemos.

Nossa mãe, não escutamos
pisar de pé no degrau.

Minhas filhas, procurei
aquela mulher do demo.

E lhe roguei que aplacas
sede meu marido a vontade.

Eu não amo teu marido,
me falou ela se rindo.

Mas posso ficar com ele
se a senhora fizer gosto,

só pra lhe satisfazer,
não por mim, não quero homem.

Olhei para vosso pai,
os olhos dele pediam.

Olhei para a dona ruim,
os olhos dela gozavam.

O seu vestido de renda,
e colo mui devassado,

mais mostrava que escondia
as partes da pecadora.

Eu fiz meu pelo-sinal,
me curvei... disse que sim.

Sai pensando na morte,
mas a morte não chegava.

Andei pelas cinco ruas,
passei ponte, passei rio,

visitei vossos parentes,
não comia, não falava,

tive uma febre terçã,
mas a morte não chegava.

Fiquei fora de perigo,
fiquei de cabeça branca,

perdi meus dentes, meus olhos,
costurei, lavei, fiz doce,

minhas mãos se escalavraram,
meus anéis se dispersaram,

minha corrente de ouro
pagou conta de farmácia.

Vosso pais sumiu no mundo.
O mundo é grande e pequeno.

Um dia a dona soberbam
e aparece já sem nada,

pobre, desfeita, mofina,
com sua trouxa na mão.

Dona, me disse baixinho,
não te dou vosso marido,

que não sei onde ele anda.
Mas te dou este vestido,

última peça de luxo
que guardei como lembrança

daquele dia de cobra,
da maior humilhação.

Eu não tinha amor por ele,
ao depois amor pegou.

Mas então ele enjoado
confessou que só gostava

de mim como eu era dantes.
Me joguei a suas plantas,

fiz toda sorte de dengo,
no chão rocei minha cara,

me puxei pelos cabelos,
me lancei na correnteza,

me cortei de canivete,
me atirei no sumidouro,

bebi fel e gasolina,
rezei duzentas novenas,

dona, de nada valeu:
vosso marido sumiu.

Aqui trago minha roupa
que recorda meu malfeito

de ofender dona casada
pisando no seu orgulho.

Recebei esse vestido
e me dai vosso perdão.

Olhei para a cara dela,
quede os olhos cintilantes?

quede graça de sorriso,
quede colo de camélia?

quede aquela cinturinha
delgada como jeitosa?

quede pezinhos calçados
com sandálias de cetim?

Olhei muito para ela,
boca não disse palavra.

Peguei o vestido, pus
nesse prego da parede.

Ela se foi de mansinho
e já na ponta da estrada

vosso pai aparecia.
Olhou pra mim em silêncio,

mal reparou no vestido
e disse apenas: — Mulher,

põe mais um prato na mesa.
Eu fiz, ele se assentou,

comeu, limpou o suor,
era sempre o mesmo homem,

comia meio de lado
e nem estava mais velho.

O barulho da comida
na boca, me acalentava,

me dava uma grande paz,
um sentimento esquisito

de que tudo foi um sonho,
vestido não há... nem nada.

Minhas filhas, eis que ouço
vosso pai subindo a escada.
Carlos Drummond de Andrade
Uma obra literária EM VERSOS, transformada em um belíssimo filme nacional: O VESTIDO dirigido por Paulo Thiago, roteirizado por ele e por Haroldo Marinho Barbosa.

A literatura é TÃO imprescindível e fundamental quanto a música, o cinema entre outras manifestações artísticas. E falar em literatura vale lembrar que toda poesia nem sempre é de fácil compreensão, interpretação ou tradução. Ser considerada obra aberta, não significa que ela possa ser escancarada.

Em se tratando de cinematografia, tornou-se lugar comum o encontro de duas linguagens (literatura e cinema), os textos literários em prosa transformados em belíssimos filmes. Não querendo entrar no mérito de grau de igualdade, inferioridade ou superioridade, ou melhor, se o filme superou ou não a literatura, e vice-versa, não deixando de ser um assunto relevante, porém para outro momento.

O poema O Caso do Vestido do Drummond, é inédito, que eu saiba, saindo das páginas líricas, e sendo transformado primeiramente num ótimo romance pelas mãos de Carlos Herculano considerado um dos mais talentosos da nova geração, vencedor de vários prêmios literários e posteriormente um argumento para roteiro do filme proposto pelo cineasta Paulo Thiago que, como eu, é também fã do poeta Drummond. É claro que o romancista mineiro Herculano topou, graças a ele, temos somado ao cinema nacional um dos filmes mais brilhantes e formidáveis lançado em 2004 que é esse homônimo - O VESTIDO.

E a storyline ficou ótima: A descoberta de um antigo vestido faz com que duas irmãs decidam investigar o passado de sua família. Sem falar nas ótimas atuações de todo o elenco escolhido a dedo: Gabriela Duarte, Ana Beatriz Nogueira, Leonardo Vieira, Paulo José e Daniel Dantas.

E a sinopse não ficou para trás: Por acaso duas meninas descobrem, no porão de sua casa, um velho e lindo vestido de festa. Curiosas, elas querem saber corno o vestido foi parar ali, principalmente após verem sua mãe chorando com o mesmo entre as mãos. Elas iniciam então uma investigação, que pode responder ainda outra pergunta: por que sempre à mesa, nas refeições, havia um prato reservado ao pai, que as havia abandonado há muitos anos?

Do poema para o romance e do romance para o cinema, Carlos Herculano Lopes cumpre a proposta e escreve um romance épico de amor e paixão na Minas Gerais dos anos 40, recheando-o com outros personagens e um enredo tão envolvente quanto o do poema. Foi, segundo ele, um desafio interessante escrever este romance.(“O Vestido”, BRA, 2004, 121 min)

O cinema brasileiro nunca esteve tão bom quanto agora; impecável, e o Vestido é intenso e envolvente. O filme é tão sublime quanto o poema. É um leve dois e pague um. Uma obra-prima e mais uma vez Paulo Thiago fez escolha acertada, já que em 2002, ano do centenário do Poeta Carlos Drummond de Andrade, o cineasta lançou o documentário POETA DE SETE FACES.

Lembrando que 2002 foi o ano de centenário do poeta, e até eu me inspirei no poema QUADRILHA para escrevinhar algo do gênero Dramaturgia.
Eunice

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Teatro, a gente se vê por aqui - Desmascarados

Ser diferente deveria ser normal, ter diferenças, principalmente neste nosso país, o BRASIL, pois somos o resultado das misturas dos povos, credos, culturas, enfim, a soma de tudo, a miscigenação ampla, geral e irrestrita. Somos o país das diversidades.

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(DES) MASCARADOS ou ser diferente é normal

LEITURAS DRAMATIZADAS - 22 personagens


Censura: LIVRE

Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com nomes, fatos ou situações da vida real, é mera coincidência.

(Texto de abertura)

NARRADOR

Todo ser humano é igual em muitos aspectos: nascem, crescem, se reproduzem, vivem até uma determinada idade e morrem. Todos comem, bebem, se divertem, dormem, se penteiam, fazem suas necessidades fisiológicas, transpiram, sentem frio, sentem calor, amam, odeiam, sentem medo, são tímidos, são extrovertidos, riem, são desprezados, enfim, são tão parecidos, tão iguais em muitas coisas, em vários aspectos. Cada pessoa é o escritor de sua própria história. Tem livre-arbítrio, faz suas escolhas.

Mas não existe no mundo dois seres iguais, nem mesmo gêmeos idênticos. Todos têm suas diferenças, qualidades, defeitos, opiniões, dons, qualidades intelectuais, morais, religiosas, culturais, regionais, éticas, familiares... diferenças em muitos aspectos. E é disso que vamos falar.

Todo ser humano, tem necessidades básicas de comer, beber e dormir; mas são completamente diferentes nos aspectos internos, no seu modo de pensar, de falar, de agir de decidir etc. É como se cada ser tivesse em seu guarda-roupas além das coisas básicas, para o seu dia-a-dia, também máscaras, fazendo parte do seu vestuário.

Podemos pensar tudo o que quisermos, mas nem tudo o que pensamos podemos dizer. Se por exemplo eu estivesse com raiva de um bandido que acabou de me assaltar e em minha mente eu pensasse o seguinte “se eu tivesse uma arma neste momento eu mataria esse assaltante”, estaria usando nesse momento máscara da maldade., uma das máscaras que compõe o meu guarda-roupa; se eu tivesse inveja de alguém e me fingisse de amigo dele, estaria usando a máscara da falsidade, e assim por diante.

Em nosso armário há todos os tipos de máscaras: o da alegria, da felicidade, o da tristeza, da raiva, do ódio, do amor. Metaforicamente falando somos todos mascarados e um dia a máscara cai, (um dia tiramos a máscara e mostramos quem realmente somos). É o mesmo que dizer que somos diferentes um dos outros. É claro que há pessoas que usam a mesma máscara para o resto de suas vidas, mas há pessoas que trocam de máscara como se trocasse de camisa. Talvez seja até para combinar, a cor, o estilo, a moda ou algo do gênero. Vale lembrar aqui que algumas das diferenças ou diversidades, muitas vezes gera o pre-conceito, permeia ao preconceito. Ser diferente, às vezes, incomoda pessoas, que vê como uma doença social contagiosa.

Muitas vezes não sabemos conviver com as diferenças; mas é necessário aprender e respeitar. O importante é ser solidário sempre, amar e ajudar ao próximo, pois fazendo isso, estaremos fazendo um grande bem para nós mesmos.
Ser diferente, na sua opinião é normal ou anormal?

Quero brindar com vocês as diferenças e desigualdades de nosso país, que apesar de tudo é ainda o melhor país para se viver. VIVA O BRASIL! VIVA TODOS OS TIPOS DE DIFERENÇAS! VIVA A DIVERSIDADE! VIVA O POVO BRASILEIRO.
Eunice Bernal