quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Candelabro Russo

 "Eles são honestos: não mentem sem necessidade." Anton Tchekhov

Candelabro Russo


Anton Tchekhov é um dos grandes autores da Literatura Mundial. O século XIX caracterizou-se por extraordinário momento intelectual e artístico como foi oportunamente chamado de GIGANTES da literatura russa, momento que apareceram nomes dos romancistas, contistas, poetas, dramaturgos, como Puchkin, Liermontov, Turguêniev, Tolstoi, Gorki, Dostoievski e Tchekhov.

Abrindo parênteses para falar de um que merece destaque especial: Anton Tchekhov. Ele era médico por formação, mas como dizem, traiu a profissão trocando-a pela Literatura. Seus livros mais conhecidos são: Contos e Narrativas, Um Duelo, A Estepe, A Minha Vida, A Sala Número Seis, Uma História Sem Importância. Escreveu também para o teatro Entre as suas peças, destacam-se: A Gaivota, Tio Vânia, As Três irmãs, O Canto do Cisne etc. Um de seus contos mais conhecidos é A dama do cachorrinho, de 1899 transformado em filme pelo diretor Nikita Mikhalkov sob o título “Olhos Negros” (Oci Ciornie, 1987) que falarei em outra oportunidade.

Enquanto fazia o seu curso de medicina, Tcheckov já escrevia e colaborava em várias publicações periódicas para se manter e ao mesmo tempo ajudar a família. Escreveu pequenas e concisas histórias ‘short story’ de expressividade e perfeição, como também contos longos, novelas e dramaturgia. Seus contos e suas peças distinguem-se pela chamada “atmosfera”, por causa do clima psicológico todo especial, onde aparentemente acontece pouca coisa, mas que na realidade é um mundo cheio de nuances, de detalhes.

A OBRA DE ARTE é um dos contos autobiográfico. É a história do médico Kochelkov que muitas de suas consultas são pagas pelos seus pacientes com pequenos presentes pelos serviços prestados. Tchekhov, o mestre do moderno conto russo, nos presenteia com essa belíssima história.

Certa vez Sacha um de seus pacientes, depois de curado, volta a procurá-lo em seu consultório a fim de agradecer-lhe pelo mesmo ter salvado a sua vida, e leva-lhe um presente, um objeto muito valioso enviado pela mãe como pagamento, como forma de gratidão e reconhecimento, pelo fato de ele ser filho único e agora estar bem. Ele entrega o presente ao médico e diz ser de valor inestimável por ser uma obra de arte antiqüíssima e rara. O médico ficou bastante lisonjeado e satisfeito por todos os elogios vindo da mãe desse paciente.

Só que o médico ao desembrulhar o presente, imediatamente fez cara de desaprovação, demonstrando deselegantemente não ter gostado. Deve ter pensado ‘presente de grego – inútil!’ Na verdade o presente não era tão feio ou ruim assim. Era um Candelabro, todo trabalhado, com muitos detalhes. Eis a questão: O médico Kochelkov não gostou dos detalhes.

O médico, por educação, disse que não era necessário, que ele faz o seu trabalho como qualquer outro faria, sem segundas intenções.

O rapaz falou tanto do valioso objeto, que pertencia à família, mais precisamente ao seu falecido pai e que a mãe, apesar de ser dona de um antiquário, não o vendia por dinheiro nenhum, e, enfim, teceu preciosos comentários que o médico sem graça, cedeu, não teve escapatória: teve que aceitar na marra o dito cujo.

Sacha colocou o presente em cima da mesa do médico. Era um candelabro de bronze antigo, todo artisticamente trabalhado.

Quando o médico viu o presente ficou decepcionado. Analisou o objeto tristemente.A base do candelabro era composta de imagens femininas como vieram ao mundo, nuas como Eva no paraíso. O doutor comentou que o objeto era não–literário demais, se tivesse ao menos uma tarja preta para disfarçar as partes impróprias e que para aquele lugar, seu ambiente de trabalho não servia, muito menos em sua casa, por causa das crianças.

Caríssimo, o que você faz quando ganha um presente que não lhe agrada? Exatamente! O médico passou-o adiante, presenteando um amigo advogado que por acaso teve a mesma reação, desaprovando e considerando-o indecente e não queria aceitá-lo em hipótese alguma alegando que teria problemas com seus clientes e familiares. Mas para não fazer feio, acabou aceitando por educação. E sabe o que o advogado fez com o seu “presente de grego”? Se falou que também passou adiante, adivinhou! Deu para um comediante da cidade e este por fim, que também não gostou resolveu vender a um antiquário do bairro cuja proprietária era a senhora Smirnova, mãe de Sacha, ex-dona do desprezado objeto.

Todos concluíram que o presente era excelente, porém “indecoroso”. E mais uma vez Sacha retorna todo feliz ao consultório do seu médico, o doutor Kochelkov com outro embrulho debaixo do braço entregando ao médico dizendo ser o outro candelabro que estava perdido, par daquele que ele o presenteara há alguns dias atrás. Tsc, tsc...Tadovski do médico!

Formidável, não? Só mesmo Tchekhov para nos presentear como uma história tão interessante como essa e que temos que passá-la adiante não por desfeita, mas com o maior prazer porque com certeza é A OBRA DE ARTE.

Большое спасибо!

K.R.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Atividade Paranormal


Atividade Paranormal


Como o ano está terminando, já posso me dar ao luxo de escolher entre o melhor e o pior filme do ano. Atividade Paranormal certamente estará na listinha do Troféu Framboesa de Ouro de 2009. Apesar do marketing muito bem caprichado feito pela distribuidora Paramount Pictures e foi exatamente o que me levou a assisti-lo, não posso negar que a minha decepção foi imensa.

O filme é razoável (elogio); tinha tudo para ser bom, pelo menos foi uma boa chamada do trailler, mostrando o seu lançamento e um suposto público na mais tensa expectativa e ansiedade, levando muitos sustos durante a sua projeção, mas tudo enganação, não era para tanto. Criou-se uma expectativa, mas deixou muito a desejar o cinéfilo de suspense / terror.

Atividade Paranormal é o primeiro filme do diretor e roteirista israelense Oren Peli que teve a idéia a partir de uma experiência pessoal (ele estava dormindo e foi acordado por uma caixa de detergente que caiu no chão e que o assustou) de baixíssimo orçamento, custando apenas 11 mil dólares, aos moldes do pseudo-documentário, o ótimo A Bruxa de Blair e do formidável Cloverfield (este a Paramount na época realizou uma imensa campanha para promovê-lo com ar de verossímil e credibilidade pelo formato de filme documentário), mas não vingou.

O roteiro é simplório: um casal de namorados que moram juntos. Ela Katie (Katie Featherston) que desde a infância se diz perseguida por espíritos e assombrações. O seu namorado Micah (Micah Sloat) acredita nela, resolve comprar uma potente filmadora para registrar possíveis acontecimentos paranormais dentro da casa e captar imagens do sobrenatural. Um documentário com formato de Big Brother. Filmado em apenas uma semana na própria casa do diretor, a maior parte no quarto do casal, dormindo. A filmadora fica ligada a noite toda e pela manhã é que o casal vai ver o que de imagem assombrosa foi captada.

A alma penada só aparece de madrugada. O casal só dorme de porta aberta. A porta bate sozinha. A moçoila é sonâmbula. Às vezes luzes da casa se acendem e se apagam pela suposta assombração; ouve-se barulho irreconhecível pela casa; outras vezes pegadas parecida com de um animal deixado no talco espalhado no assoalho. O casal nunca muda de posição na cama. Uma madrugada o rapaz vai verificar um barulho no alçapão e encontra uma foto da namorada. Outra madrugada ela aparece machucada e sangrando.

O casal resolve um dia dar uma saída e deixa o jogo Ouija, armado sobre a mesa e a criatura acaba mordendo a isca deixando mensagem indecifrável do  além. O casal procura ajuda de terceiros, uma espécie de médium, este, porém, diz não ter como ajudá-lo.

O filme nem um pouquinho de terror psicológico para disfarçar tem... não há tensão; é arrastado, a jovem é arrastada literalmente pelo espírito - ao clímax - o que torna a cena hilária, ao invés de assustar; (um curta talvez ficaria assistível) e pasmem, fez sucesso nos festivais independentes dos EUA, e os distribuidores deixaram o público votar se a fita deveria ou não ser lançado e isso só aconteceria se conseguisse o mínimo(?) de um milhão de votos. E não é que conseguiu facilmente? Tanto que ultrapassou a bilheteria do lançamento de A Bruxa de Blair, na época e já ultrapassou Jogos Mortais VI, ainda nos cinemas.

Dizer que a fita decepcionou só aguça a curiosidade de quem ainda não assistiu, pelo menos isso acontece comigo, mas quem não sofre de ansiedade pode muito bem aguardar chegar nas locadoras ou na tevê paga. E fim de conversa para não dar mais cartaz a este.

Sem créditos finais nenhum dando ar de documentário. O que salva o filme e está fazendo esse sucesso todo é a bem feita jogada de marketing. Realmente a propaganda é a alma do negócio.
Cotação: Ruim.

Eunice Bernal
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Atividade Paranormal

Titulo original: (Paranormal Activity)
Lançamento: 2009 (EUA)
Direção: Oren Peli
Atores: Katie Featherston , Micah Sloat , Mark Fredrichs , Ashley Palmer , Amber Armstrong
Duração: 86 min
Gênero: Terror
Status: em cartaz

domingo, 20 de dezembro de 2009

Nova York, Eu Te Amo


Nova York, Eu Te Amo


O filme Nova York, Eu Te Amo é uma colcha de retalhos sobre o projeto “franquia” seguindo o modelo de Paris, Eu Te Amo de 2006. São várias situações, várias histórias de amor e de encontros sob diferentes prismas, algumas confusas, outras nem tanto.

Trânsito caótico, pessoas brigando pelo mesmo táxi; a eterna questão do preconceito racial, a calma e a paz que a convivência na terceira idade traz; na passarela pessoas conhecidas no meio de anônimas. A selva de pedra, a Estátua da Liberdade imponente, um convite ao mundo para ela conhecer.

A miscigenação começa pelos onze contadores dos curtas-metragens; a maioria de nacionalidade não-americana. Há cineastas de origem indiana, japonesa, árabe, chinesa etc; pode-se constatar no final, nos créditos a pluralidade de países representados, exceto Brasil, ficou de fora desta vez como foi em Paris, Te Amo, representado por Walter Salles e faltando também de origem hispânica  para criar esse fantástico mosaico que a cidade representa.

Cada qual narrando uma história de amor, à sua versão para a mesma cidade; contando o encontro de todos os povos num só lugar. Uma das historias achei um tanto incompreensível, meio surrealista sobre uma diva que depois de anos volta a se hospedar no mesmo hotel e relembra de cenas que não se sabe exatamente o propósito.


O charme da burguesia e da 5ª Avenida; A ponte do Brooklyn e o centro financeiro de Manhattan; o revoar dos pássaros, diretores mostram os elementos que ligam aqueles que trabalham e circulam pelas ruas e avenidas, através de costumes, religiões, diversos sotaques, sinais fechados, pedestres, turistas...


O novo trabalho é assinado por diretores que foram escolhidos justamente por representarem o elemento de liga entre todos aqueles que circulam pelas ruas de Nova York à revelia de sobrenomes, raças, credos, nações e sotaques. O filme é arrumado e editado de tal forma que quase não se nota nessa versão nova-iorquina o limite entre um filme e outro, onde uma história termina e outra começa; não está evidente, e um personagem acaba transitando pelo espaço da próxima história.


Curtas para todos os gostos. Gostei da história do músico interpretado por Orlando Broom e por Christina Ricci; ela fazendo uma leitora assídua dos escritores russos, em especial Dostoievski, e o casal só se conhecia por telefone, até que um dia ela toma coragem e bate à sua porta.

Nova York, Eu te Amo é um filme de sentimentos e relacionamentos casuais ou não.

O próximo projeto está previsto para 2010, e será sobre uma cidade brasileira, ou melhor Rio, Eu Te Amo!

Sim, Rio, Eu te Amo! Uma declaração de amor.
Eunice Bernal
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Sinopse:

Na cidade que nunca dorme, o amor está sempre presente. Conexões humanas espontâneas, surpreendentes e eletrizantes criam um caleidoscópio que bombeia o coração da cidade. De Tribeca ao Brooklyn, passando pelo Central Park, pequenos contos dirigidos por dez realizadores de todas as partes do mundo exploram os cinco cantos de Nova York, compondo um retrato complexo e apaixonante de seu rico universo urbano.

Biografia do diretor:

Jiang Wen nasceu em 1963, na China. Mira Nair nasceu em 1957, na Índia. Shunji Iwai nasceu em 1963, no Japão. Yvan Attal nasceu em 1965, em Israel, mas cresceu na França. Brett Ratner nasceu em 1969, nos EUA. Allen Hughes nasceu em 1972, nos EUA. Shekhar Khapur nasceu em 1945, na Índia. Natalie Portman nasceu em 1981, em Israel, mas cresceu nos EUA. Fatih Akin nasceu em 1973, na Alemanha. Joshua Marston nasceu em 1968, nos EUA. Randall Balsmeyer nasceu nos EUA.
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Nova York, Eu Te Amo faz parte do projeto concebido pelos produtores franceses Emmanuel Benbihy e Marina Grasic. A ideia é convidar vários cineastas a fim de dirigirem histórias que se passam numa cidade. Paris, Eu Te Amo (2006) foi o primeiro filme da série e o próximo, Rio, Eu Te Amo será filmado na cidade brasileira, com estreia prevista para 2011.

Os produtores propuseram aos cineastas convidados que filmassem em 24 horas, editassem em uma semana e mostrassem as características marcantes de cada local da cidade onde filmaram. Por isso, Nova York, Eu Te Amo tem muitas cenas rodadas nas particulares ruas de Nova York. Diferentemente de Paris, Eu Te Amo, que tinha segmentos bem distintos, preservando de uma forma bem clara a identidade de cada diretor, este segundo filme do projeto soa mais como um longa sobre pessoas que vivem em Nova York do que uma união de curtas-metragens, como ocorria na produção sobre a cidade francesa.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Depois do Baile


Moscovo I - Wassily Kandinky, 1916, óleo sobre tela

Mazurka é o nome de uma dança tradicional de origem polaca, feita por pares, formando figuras e desenhos diferentes. Certas coisas são fáceis de se compreender e outras não devido à sua complexidade. Há anos atrás, li um conto que, de certa forma, mexeu com o meu emocional. Aconteceu comigo como aquela brincadeira que fazemos com as palavras ao dizer “entendi, mas não compreendi”, mas contando aqui talvez você compreenda.

A vida é feita de pólos divergentes. Antíteses e paradoxos.

Tudo aconteceu DEPOIS DO BAILE. Um conto de Tolstoi. Fiquei anos com a história martelando dentro de mim... e de repente, como acontece com certos sonhos que vira e mexe se repete, voltei a me lembrar... É uma história de amor à primeira vista do jovem Ivan pela encantadora Várenka. Foi um encontro casual num baile e ambos dançaram juntos a mazurka praticamente a noite toda. Ele se encantou pela moça e a descrevia sempre como linda e deslumbrante; a jovem tinha uns dezoito anos na época e era o centro das atenções. O seu sentimento por ela era correspondido. Ele chegou a conhecer inclusive, o seu pai também naquela mesma noite.

De fato, tudo aconteceu DEPOIS DO BAILE. Ivan viu a sua vida inteira se resumir naquele único dia; toda ela foi radicalmente transformada por aquela infinita e inesquecível madrugada em que ele conheceu o BEM e o MAL. A partir daí sua vida nunca mais foi a mesma.

Assim como eu me lembrei dessa história, aconteceu com Ivan. Depois de muitos anos ele relembrou aquele dia e contou para os seus amigos. Contou que Várenka se casou, teve filhos e mesmo estando numa idade avançada, ele a admirava, e a achava linda e simpática. Passagem da vida de Ivan que modificou o seu modo de pensar. Depois de anos ele repensou seus valores. Concordo que certas experiências são universais, capazes de modificar a condição humana individual.

E a medida que ele ia contando aos amigos esse fato, as suas lembranças daquele dia e pensamentos afloravam. Ivan contou que conheceu o pai da jovem também naquele baile. Ele era um militar do exército. O coronel se retirou mais cedo do baile deixando a sua filha ficar um pouco mais naquela festa, talvez até o fim. A noite foi esplêndida para Ivan. Viu-se perdidamente enamorado pela jovem. Foi o dia mais feliz de sua vida.Trocaram olhares e e-mails. Este último é por minha conta.

“Como acontece com o conteúdo de uma garrafa que, após a primeira gota vertida, começa a fluir em grandes jatos, também na minha alma o amor por Várenka liberou toda a capacidade de amar que se ocultava no meu íntimo.”

A felicidade de Ivan durou pouco. Ao partir, foi testemunha de algo desagradável que aconteceu no caminho. Ele, DEPOIS DO BAILE, ouvia outro tipo de música que era do tipo áspera, desagradável e maldosa acompanhado ao som de flauta. Eram soldados castigando um tártaro por tentativa de fuga. O tártaro foi maltratado de inúmeras formas, espancado, surrado e arrastado por aqueles militares que apenas cumpriam ordens vindas de seu superior e numa procissão pelas ruas cobertas de neve tudo sob o comando do coronel, pai de Várenka.

Ivan teve em uma única noite a melhor e a pior experiência de sua vida. Conheceu o Amor (bem) e a Dor (mal) no mesmo dia. As pessoas sabem de coisas que não sabemos. Foi exatamente isso que Ivan pensou do coronel.

“Se eu soubesse o que ele sabe, talvez eu o compreendesse, e aquilo que eu vi, não me atormentaria assim.”

E por causa dessa noite, Ivan nunca mais foi o mesmo; sua vida inteira foi transformada por esse dia. E ele próprio chegou à conclusão que não prestou para nada. É claro e lógico que ele contando isso aos amigos, eles, evidentemente, não concordaram e achavam tudo isso uma grande tolice. Eles ficaram intrigados com a questão sentimental de Ivan, o que aconteceu com todo aquele amor e por que a sua amada se casou com outro? Então perguntaram:

- Bem, e o amor? Em que deu?

- O amor? O amor, daquele dia em diante começou a minguar. ... o amor definhou e acabou.

Não se chega ao fim sem se passar pelo início; não se morre sem se ter nascido. Trocar uma margem pela outra elimina a possibilidade de totalização. Pode-se até escolher entre a noite e o dia. A aurora  é uma nova possibilidade. Bom quando se faz a coisa certa, mas errar faz parte. Os opostos se atraem: amor e ódio, bem e mal, guerra e paz... dois lados de uma mesma moeda. Uma coisa existe em função da outra.

Às vezes é necessário esquecer o que nos ensinaram e tentar aprender sozinho, pois só assim se acerta ou se erra ainda mais. Adquire-se experiência. Certas passagens da vida ficam registradas para sempre. Guarda-se o que se quer. Lembranças que não se escolhe podem vir à tona quando menos se espera. O ser é resultado daquilo que lê, que come, que faz, que vive; são tantas as possibilidades que o permeiam... do nada pode-se viver situações inusitadas....agora, por exemplo você lendo isto, poderia estar fazendo outra coisa....

Decerto, DEPOIS DO BAILE, depois de um filme, depois do almoço, depois de um beijo, depois de uma leitura de um poema ou um conto... não se é mais o mesmo.

As coincidências do mundo ficcional não são obras do acaso. Tudo depende das circunstâncias. Ela imita a arte da vida.

Anos depois, Ivan, ao contar essa história aos amigos o modo de pensar já era outro; o que ele viu e viveu no passado poderia ser uma perversão. Se a história do tártaro aconteceu era porque alguma coisa eles sabiam que Ivan não sabia, e ele nunca descobriu o que era. E ele conclui que é uma das coisas que podem modificar e dirigir a vida de um homem para sempre.

E a questão do 'entender e não compreender' achava terrível e inconcebível que uma obra ficcional não terminasse na forma convencional do 'Foram felizes para sempre' como acontece nos contos de fadas.

Na Arte tudo é possível. Relendo um livro, facilmente se consegue tirar novas conclusões, repensar valores e alterá-los; já na vida, devido a muitas circunstâncias diferentemente da ficção, pode-se também rever conceitos e até modificá-los. É difícil, mas não impossível.
Eunice Bernal

Depois do Baile – Leon Tolstoi - Cotação: *****

Farda, Fardão...

Professora entra para a Academia Brasileira de Letras.
Cleonice Berardinelli é eleita para a ABL - A mais nova imortal.
Ela é considerada a maior especialista em literatura portuguesa do Brasil.



Aos 93 anos, a professora carioca Cleonice Berardinelli foi eleita ontem imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL). Formada pela Universidade de São Paulo (USP) e professora emérita de Literatura Portuguesa da Universidade Federal do Rio, ela vai ocupar a cadeira de número oito, vaga desde a morte do escritor Antônio Olinto, em setembro.

Cleonice recebeu 30 votos contra nove de Ronaldo Costa Couto (ex-ministro de José Sarney) e deve tomar posse em março. Especialista na obra de autores portugueses como Luís de Camões e Fernando Pessoa, a nova integrante da ABL é autora de livros como Estudos Camonianos (1973) e Fernando Pessoa: Outra Vez te Revejo... (2004).

Ela merece!
Li no J.B. de sexta-feira, 18 /12/ 2009, esta noticia maravilhosa. Tive a sorte de ser sua aluna de Literatura Portuguesa e isso me deixou muito feliz. Exemplo de vida. Parabéns, querida professora!
E.B.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Arquitetura


Coliseu do Mundo
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Meu Coliseu 

Foto: E.B.

Caixinha de Natal


Caixinha de Surpresa

Dezembro é o mês do ano que considero intenso
Há uma energia especial no ar
Muita euforia
Mês que encerra sempre um ciclo de vida
Para outro começar.

Pessoas nervosas, estressadas,
Descompassadas andam de lá para cá
Na busca constante
E incessante de algo especial para comprar
E presentear para receber
Com a intenção de agradar...

Momento de fazer a faxina final
Tentar deixar a vida menos bagunçada
A sala de visita arrumada
Para receber a visita anual
Daquilo que almejamos para o ano inteiro
Saúde em primeiro lugar.

Hora que muitos colocam
Uma caixinha colorida
Num canto da casa
Na tentativa de algo ganhar,
Receber um pouco dos que possam compartilhar.
Doar gratidão, pequenos gestos de momento extravasar...
Repartir, confraternizar, o outro abraçar...

Bom quando se tem uma caixinha de natal
Durante o ano inteiro
Guardando um pouco de tudo o que foi bom
Recheado de belas surpresas
E lembranças intensas
De coisas que não se quer se desfazer jamais.
Abri-la no fim de ano
E ter a certeza de que
Foi bom e valeu a pena
Repetir tudo e reviver sempre e novamente...
É muito mais que uma caixinha de surpresa
Para guardar na mente
Todos os bons momentos...

Boas novas pra você neste Natal.
K.R.

VOLTAREI, CORUMBÁ!

VOLTAREI, CORUMBÁ!


Corumbá, cidade de sonhos
Delicada e gentil,
Sempre de braços abertos
Como uma mãe a nos esperar...

Hoje o meu cantar é triste
Pois bem sei que ainda existe
E a vontade de estar aí com você persiste
Mas de mim tão longe está...

Corumbá, de mãos fortes a nos afagar,
Com sabedoria indica o caminho certo
Do ir e do voltar.


Ir em busca do ouro,
Em qualquer lugar do mundo
Mas sempre, sempre, como um filho pródigo,
Voltar.

Voltar para casa, sim, para esse santuário
Sem igual,
Chamado PANTANAL.


Quanta saudade sinto
Das tardes à beira do majestoso rio Paraguai
Contemplando todas as maravilhas
Desse paraíso inigualável.


Terra formosa de beleza, riqueza, encanto,
Endereço certo de felicidade eterna...


CIDADE BRANCA,
Como é carinhosamente chamada
Gente amável e hospitaleira
Recordações eternas e felizes
Daquele tempo
Guardo hoje e sempre
Das ruas tranqüilas, do pôr do sol,
Das praças ao som constante dos grilos
Da harmoniosa união entre jacarés, aves, e pântanos...
Do chimarrão quente nas noites frias
Do tereré gelado no portão de casa
Dos barzinhos, dos vizinhos, índios, vinho...


Corumbá, donzela sempre,
Signo de juventude eterna
Princesinha com certeza
Deixo minhas alegrias, minhas emoções
E a saudade que a todo instante
Bate na minh’ alma
Por isso
Voltarei para esse mundo mágico,
Paraíso iluminado, da avenida
Com grandes palmeirais
 Flores, animais e plantas aquáticas
Terra fértil de ternura e fascínio.


Carícia que extasia
Corumbá, onde recompomos
Repomos nossas energias vitais...

Riqueza maior não há
Voltarei para a terra natal,
Voltarei, Corumbá!
K.R.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Poesia Práxis



O TOLO E O SÁBIO

O sábio que há em você
não sabe o que sabe
o tolo que não se vê.

Sabe que não se vê
o tolo que não sabe
o que há de sábio em você.

Mas do tolo que há em você
não sabe o sábio que você vê.
Mário Chamie
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BATATINHA QUANDO NASCE...

Num sobressalto
A geladeira assalto.
Encontro artéria
Arte
Ria
Aveia aorta
Há veia
Aveia
Há horta
Na porta.
E.B.

Foto: E.B.

Sei que para muitos isso pode representar uma MERDA, mas escrevi esta bobagem porque de fato, quando abro a minha geladeira me deparo com uma densa e úmida floresta geminando, brotando, crescendo, na gaveta, das prateleiras e na porta... Significa VIDA e isso me dá uma elegria imensa e sede maior de viver. Sinto uma pena danada de jogar fora, de me desfazer dela,  mas de vez em quando tenho que fazer uma limpeza, caso contrário aparecerá também moradores, daí resolvi registrar para guardar de lembrança. 

E como disse Fernando Pessoa "As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido."

domingo, 13 de dezembro de 2009

Let's sing!

Happy Xmas (War Is Over)

John Lennon
Composição: John Lennon e Yoko Ono

So this is christmas
And what have you done
Another year over
And new one just begun

And so this is christmas
I hope you have fun
The near and the dear one
The older and the young

A very merry christmas
And a happy new year
Let's hope it's a good one
Without any fear

And so this is christmas (war is over...)
For weak and for strong (...if you want it)
The rich and the poor one
The world is so wrong

And so happy christmas
For black and for white
For the yellow and red one
Let's stop all the fight

A very merry christmas
And a happy new year
Lets hope it's a good one
Without any fear

And so this is christmas
And what have we done
Another year over
And new one just begun...

And so happy christmas
We hope you have fun
The near and the dear one
The older and the young

A very merry christmas
And a happy new year
Let's hope it's a good one
Without any fear

War is over - if you want it
War is over - if you want it
War is over - if you want it
War is over - if you want it

http://www.youtube.com/watch?v=WUCbZhIfQbA&feature=player_embedded#at=95

Como se desperdiça tempo precioso com bobagens, mesquinhez, mentira, falsidade, prepotência,  egoismo. Talvez não seja uma letra para repensar o tempo perdido, mas quem sabe possa ajudar a tornar o mundo menos triste e traga paz, amor e solidariedade nos corações dos orgulhosos.

Quem canta seus males espanta! Let's sing! Faz um bem danado à alma. VAMOS CANTAR!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

No prelo

Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.
Cora Coralina

Óleo sobre tela: Prof. Sidiney Rocha.



 
14 – AOS POLÍTICOS

A política é um sonho
Um pesadelo
Eu digo que a política
Pode mudar
E transformar
Nossas vidas.

Pode ser bom,
Mas também pode ser ruim.

Queria dizer aos políticos isso:
 Cuidado com suas decisões!
Interferem em nossas vidas.

Com suas decisões
A política vem e vai
Mas as nossas vidas
As mesmas
Nunca mais!

T. M. (aluna concorrente)
Visite a 'Expo' do IX Concurso de Poesia - Aguardando resultado para breve.
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Resultado 21 / 12 / 2009.
1o Lugar - Marcos Antonio Ferreira Junior - Turma 802 - Poesia Aos Deficientes.
2o Lugar - Camylla de Souza Agustinho - Turma 802 - Aos Alunos.
3o Lugar - Turma 2002 - Maria Eduarda Teixeira - Aos Brasileiros.


terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Temas Transversais - Mona Lisa











A Mona Lisa de Leonardo da Vinci é uma das pinturas mais famosas do mundo. Ela está no Museu do Louvre, em Paris, protegida por um grosso vidro à prova de balas. As precauções de segurança tomadas pelo Louvre fazem desta obra a mais protegida do mundo, como também a mais difícil para o visitante ver claramente. O quadro é surpreendentemente pequeno, possui, 77 cm de altura por 53 cm de comprimento.

A obra Mona Lisa é conhecida como La Gioconda.

A aula rendeu muitas brincadeiras divertidas e inesquecíveis, desde poses para autorretrato, como muitos sorrisos enigmáticos e outras brincadeiras mais, até que coincidentemente, a professora de Artes trabalhava o mesmo tema, explorando uma miscelânea de atividades. Se tivéssemos combinado, a interdisciplinaridade de um tema transversal, não ficaria natural. Foi o dia internacional da bagunça generalizada. Ganhamos o dia.
Eis algumas poses, uma homenageando os flamenguistas.
Parabéns, crianças, e profa. Cristiane!


domingo, 6 de dezembro de 2009

A difícil arte de Avaliar

Ano letivo terminando... fazendo faxina  em alguns arquivos, encontrei este texto de 1996 perdido. O assunto é Avaliação. Tarefa nem sempre fácil, e é um assunto que nunca envelhece. Relevante nesse período.  Talvez sirva para consulta.


BOCA DE FORNO

“ – Boca de forno!
- Forno!
- Furtaram um bolo!
- Bolo!
- Farão tudo o que seu mestre mandar?
- Faremos todos, faremos todos, faremos todos...”

Acho que esta brincadeira é uma repetição do que acontece nas escolas. As crianças são ensinadas. Aprendem bem. Tão bem que se tornam incapazes de pensar coisas diferentes. Tornam-se ecos das receitas ensinadas e aprendidas. Tornam-se incapazes de dizer o diferente. Se existe uma forma certa de pensar as coisas e de fazer as coisas, por que se dar o trabalho de se meter por caminhos não-explorados? Basta repetir aquilo que a tradição sedimentou e que a escola ensinou. O saber sedimentado nos poupa dos riscos da aventura de pensar.

Não, não sou contrário a que se ensinem receitas já testadas. Se existe um jeito fácil e rápido de amarrar os cordões dos sapatos, não vejo razão para submeter os alunos às dores de inventar um jeito diferente. Se existe um jeito já testado e gostado de fazer moqueca, não vejo razões por que este cozinheiro se sinta na obrigação de estar sempre inventando receitas novas. O saber já testado tem uma função econômica: a de poupar trabalho, a de evitar erros, a de tornar desnecessário o pensamento. Assim, aprende-se para não precisar pensar. Sabendo-se a receita, basta aplicá-la quando surge a ocasião.

Senti isto muitas vezes, tentando pensar com minha filha problemas de matemática. É preciso confessar que isto já faz muito tempo, pois o que me restou de matemática já não me permite nem mesmo entender os símbolos que ela maneja. Claro que minha maneira de pensar era diferente da maneira de pensar de hoje. No meu ainda se cantava a tabuada... Mas o que me impressionava era a sua recusa de, pelo menos, considerar a possibilidade de que um mesmo problema pudesse ser resolvido por caminhos diferentes. Ela havia aprendido que há uma maneira certa de fazer as coisas, e que caminhos diferentes só podem estar errados. A conversa era sempre encerrada com a afirmação:

“Não é assim que a professora ensina...”

É como nos catecismos religiosos: o mestre diz qual é a pergunta e qual é a resposta certa. O aluno é aprovado quando repete a resposta que o professor ensinou.

A letra mudou. Mas a música continua a mesma.

Pois não é isto que são os vestibulares? Ao final existe o gabarito: o conjunto das respostas certas. Claro que há respostas certas e erradas. O equívoco está em se ensinar ao aluno que é disto que a ciência, o saber, a vida, são feitos. E, com isto, ao aprender as respostas certas os alunos desaprendem a arte de se aventurar e de errar, sem saber que, para uma resposta certa, milhares de tentativas erradas devem ser feitas. Espero que haja um dia em que os alunos sejam avaliados também pela ousadia dos seus vôos! Teses que serão aprovadas a despeito de seu final insólito: “Assim, ao final de todas estas pesquisas, concluímos que todas as nossas hipóteses estavam erradas.” Pois isto também é conhecimento.

Escondidos em meio à vegetação da floresta, observávamos a anta que bebia à beira da lagoa. Suas costas estavam feridas, fundos cortes onde o sangue ainda se via. O guia explicou: “A anta é um animal apetitoso, presa fácil das onças. E sem defesas. Contra a onça ela só dispõe de uma arma, estabelece uma trilha pela floresta, e dela não se afasta. Este caminho passa por baixo de um galho de árvore, rente às suas costas. Quando a onça ataca e crava dentes e garras no seu lombo, ela sai em desabalada corrida por sua trilha. Seu corpo passa por baixo do galho. Mas a onça recebe uma paulada. E assim, a anta tem uma chance de fugir.”

Acho que a educação freqüentemente cria antas: pessoas que não se atrevem a sair das trilhas aprendidas, por medo da onça. De suas trilhas sabem tudo, os mínimos detalhes, especialistas. Mas o resto da floresta permanece desconhecido. Pela vida afora vão brincando de “Boca de Forno...”

Rubem Alves
*****

BOCA DE FORNO

“ – Boca de forno!
- Forno!
- Furtaram um bolo!
- Bolo!
- Farão tudo o que seu mestre mandar?
- Faremos todos, faremos todos, faremos todos...”

Este texto de Rubem Alves aborda o ensino que é reprodutivo e não criativo, que não leva à reflexão, ao questionamento, à crítica. O saber é conduzido. Este saber tem uma função cômoda de interesse financeira e de evitar erros, pois a repetição, evita a reformulação que leva a gastos e investimentos. Dessa forma há um interesse muito grande dos dominantes que as pessoas apenas reproduzam um certo aprendizado, sem, contudo, recriar, inventar nada.

A essência do aprendizado se perdeu, pois o que ficou é seguir uma conduta preestabelecida, sem questionamento, sem ousadias. Seguem-se os modelos, ou seja, modelos fixos com objetivos políticos, econômicos e administrativos.

Encontramos na educação de hoje pessoas sem capacidade de questionar, criar e dessa forma incapazes de melhorar, de desenvolver, de especializar, de adquirir um crescimento intelectualmente, que são fatores que levam a uma melhoria social e econômica da sociedade.

Consciente da necessidade de explorar a criatividade e senso crítico do aluno, tento levá-lo a refletir e questionar sobre temas abordados em sala de aula, fazendo-o relacionar com o seu dia a dia.

As idéias apontadas no texto são reais e digo mais... são bem mais abrangentes, estão relacionadas a todo o contexto da vida. O homem reproduz aquilo que vê e aprende, sem ao menos comparar, refletir.

No colégio o aluno deve encontrar oportunidade de se desenvolver, de escolher um posicionamento e descobrir que tem capacidade de opinar, decidir, construir e mesmo reconstruir. O ensino brasileiro deve ser reformulado desde sua base. Não funciona cobrar uma melhoria, um bom desempenho em sua última etapa. Para se ter uma boa qualidade de ensino / aprendizagem deve se começar do início, partindo da conscientização da população e dos governantes.

Eunice Bernal
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Curso de Capacitação em Avaliação - Telecurso 2000 - Fundação Roberto Marinho

sábado, 5 de dezembro de 2009

Good News



Trem do Pantanal volta a funcionar após 18 anos em MS.
Turismo


O Trem do Pantanal será a nova atração turística de Mato Grosso do Sul. O meio de transporte funcionava apenas para carga, mas agora servirá como meio de locomoção para os turistas que querem viajar de Campo Grande para Aquidauana (MS) e Miranda (MS).

De acordo com a assessoria de imprensa do governo de Mato Grosso do Sul, a atração será operada apenas aos finais de semana. A saída acontecerá aos sábados, de Campo Grande, com retorno aos domingos, partindo de Miranda.
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Quinta-feira, 03 de dezembro de 2009 17:35

Iphan aprova o tombamento da Estrada de Ferro Noroeste em Campo Grande


Fonte: Redação MS Record

O Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan acaba de aprovar o tombamento do complexo ferroviário da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil – EFNOB, em Campo Grande. O grupo, que está reunido nesta quinta-feira (3), em São João del-Rei, aprovou a proposta apresentada por técnicos do Instituto.

O tombamento destaca a importância da EFNOB para o desenvolvimento no Centro-Oeste brasileiro no início do século XX. O complexo ainda hoje mantém sua coesão formal, o que garante a importância de sua preservação, já que descreve uma narrativa das transformações histórica, política, social, tecnológica e arquitetônico-urbanística dos anos em que foram implementadas.

Leia mais:
 

http://www.msrecord.com.br/noticias/

Profissão Perigo

Projeto estuda como proteger professores das ameaças de alunos.

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1161641-7823-PROJETO+ESTUDA+COMO+PROTEGER+PROFESSORES+DAS+AMEACAS+DE+ALUNOS,00.html

Quarta-feira, 18/11/2009

Jornal Hoje 

O projeto está sendo discutido no Congresso Nacional e dá poder aos juízes para mudar o aluno de turma ou mesmo de escola. A medida poderá ser aplicada em estudantes que cometerem violência.

Em último caso,  sendo radical, fazendo concurso e mudando de profissão.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Acervos Culturais

Tudo o que o amante da sétima arte sempre quis saber sobre restaurações de película, mas tinha vergonha de perguntar, pode ver neste vídeo da Discovery.

http://www.youtube.com/watch?v=b0A04Qr3864

Video sobre Restauração e Recuperação de acervos cinematográficos. Parece simples, mas não é.

domingo, 29 de novembro de 2009

Zelig


ZELIG

“A existência humana precede sua essência.” Jean-Paul Sartre

“Eu queria ser qualquer outra pessoa.” Woody Allen

A elegância, o charme, o carisma, a criatividade, o humor, são marcas registradas do artista Woody Allen.

Zelig é um dos filmes que ainda não havia assistido desse genial diretor, e depois da sessão senti-me premiada pois é uma obra-prima incontestável.


Woody Allen criou o personagem Leonard Zelig fora dos padrões, digamos, normais. Zelig é imprevisível, podendo aparecer em qualquer canto do mundo que quiser, tomando formas ou características humanas a seu bel prazer, transformando-se em chinês, índio, magro, gordo, negro, branco, pobre, rico... só não tomou forma feminina; e sob várias personalidades psicológicas. É um personagem-camaleão com essa habilidade de mudar de características mentais e físicas de acordo com o seu interlocutor.


Zelig foi realizado na década de 80, e é um dos 40 filmes de Woody Allen, um dos diretores mais ativos da atualidade, produzindo um filme por ano. Os cariocas foram contemplados pelo Centro Cultural Banco do Brasil com a retrospectiva completa desse ícone da sétima arte. De fato, alguns filmes são difíceis de se encontrar, até mesmo os dessa mostra, algumas preciosidades em película, uma das cópias que conseguiram na Espanha, infelizmente a alfândega não liberou a tempo, e tiveram que passar a em DVD para que o expectador não perdesse a viagem, óbvio.

Leonard ZELIG é um pseudo-documentário nada convencional que hora transita pelo mundo real, hora pelo ficcional, e é isso que torna a obra brilhante e especial. O próprio Woody Allen faz o papel-título  supracitado homem-camaleão, capaz de aparentar e agir como qualquer pessoa que estivesse por perto. Capaz de adquirir características físicas e comportamentais, idem. Zelig tira qualquer um literalmente do sério.



Cheguei à conclusão que somos um pouco Zelig, tanto no mundo real como no virtual. No mundo real, certamente adquirimos características comportamentais de acordo com o ambiente. Apesar de achar que o ambiente não influi no nosso modo de agir, mas nós é que influímos nele, pode acontecer o inverso, ou seja, agirmos de acordo com o ambiente que nos cerca, e somente naquele momento, depois voltamos pacato para a nossa rotina. Entenda-se que isso não é regra. Um fato interessante para ilustrar essa história de comportamento e que virou caso de polícia recentemente nos noticiários, são de pessoas se passando por profissionais da saúde (dando consulta, medicando): vide alguns pseudo-médicos e pseudo-advogados saindo algemados de seus respectivos “consultórios”.

No mundo virtual isso é mais freqüente de se constatar. Atrás de uma tela de um PC, o interlocutor anônimo pode tomar a forma que quiser, poder ir muito além de Zelig, transportando-se de uma anatomia física e mental masculina para uma feminina. Duvida? No mundo virtual quase nada é impossível.

Somos talvez uma ilha cercados de ZeligES por todos os lados.

Ele é a tentativa de construir a própria identidade a partir do outro e das relações sociais e o contexto em que está inserido. O modo de agir ou de se relacionar em cada espaço social podendo ser o familiar, na escola, trabalho, igreja, nem sempre é igual. Alunos agem de uma forma na escola e outra em casa, por exemplo... tornou-se algo corriqueiro no meio cultural. Também noticiário rotineiro, o quebra-quebra e o vandalismo nas escolas e ruas e a "santidade" em casa.

Há pessoas que mudam radicalmente de personalidade, preferências, gostos constantemente é fato. Constroem sua identidade ao longo da vida ou da noite pro dia.

Zelig conseguia essa façanha. Poderia ser quem bem quisesse e quando bem entendesse. Era o objeto de estudo de muitos. Até que apareceu uma psiquiatra, a Dra. Eudora Fletcher (Mia Farrow) que tentou “estudá-lo” e curá-lo, e assim resolveria seu próprio problema de auto-estima. Ao lado da médica, ele também se torna um psiquiatra. Mesmo assim, ele aceita ser objeto de estudo e tratamento dela. E em uma das sessões Zelig, sob hipnose, consegue-se algum início de tratamento. Ele diz que se sente mais seguro pegando formas emprestadas daqueles que encontra. Diz também que a ama que gostaria de dormir com ela e que ela é adorável. Acaba saindo verdades que talvez ela não quisesse ouvir; algo do gênero “Você cozinha mal; as suas panquecas são ruins, quando você não está olhando, eu as jogo fora”. A psiquiatra consegue desvendar o mistério aos poucos. Em uns dos diálogos isso fica evidente que ele adota esse mecanismo que lhe permite mudar de forma para se fundir com o seu ambiente imediato, a fim de se proteger, uma autodefesa do mundo que o circunda. Formidável!


Dra. Fletcher: “ O que você entende por seguro?”
Zelig: “É mais seguro ser como os outros.”
Dra. Fletcher: “ Você quer estar em segurança?”
Zelig: “Eu quero ser amado.”

A história acontece entre os anos 20 – 30, e ele é considerado um herói. Todos querem conhecê-lo e saber a sua história. É um filme grandioso, considerado excepcional pela crítica. Tem apenas 79 minutos de duração. Filme obrigatoriamente indispensável. 
Karenina Rostov

*****
Como documentário, há presença de um narrador tipo cobertura jornalística completa a cada passo dado pelo personagem.

Zelig recebeu as melhores críticas no ano de lançamento e ganhou o Prêmio Pasinetti no Festival de Veneza.

“ Woody Allen harmonizou todos os seus talentos e fez um filme que finalmente merece a honra dos enciclopedistas e a condição de obra-prima.” Leon Cakoff, Folha de São Paulo, 1984.

SINOPSE

A história (fictícia) de um homem camaleão, Leonard Zelig, inseguro e neurótico, que se obriga a imitar física e mentalmente qualquer pessoa que esteja em sua companhia. Tenta um tratamento com a Dra. Eudora Fletcher, mas vira celebridade nacional e aparecem manchas do seu passado, como furto e bigamia.

FICHA DO FILME

Título original: Zelig
Diretor: Woody Allen
Elenco: Mia Farrow, Woody Allen, Susan Sontag, Saul Bellow, Irving Howe, Garrett Brown, Michael Jeter
Gênero: Comédia
Duração: 79 min
Ano: 1983

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Pra ficar com o Cooper Feito!

Extra, Extra!

Descobri o que os colegas de trabalho fazem quando não estão em sala de aula.
Representando a Unidade Escolar, claro!

Nesta reportagem do Jornal Extra aparecem três deles, mais um aluno. Gostei de ver. Estou na torcida, hein, pessoal! Luciana, Jonas, Bruno e Jonathan, Parabéns!

Projeto  AR!  

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Publicidade


Foto: E.B.

Sapato R$ 350,00 no cartão. A FELICIDADE NÃO SE COMPRA. Ah, disso eu já sabia! Ela é um estado de espírito.



BOnitinhO, mas OrdináriO!

Novo Orkut




Você ainda vai ter um!


Chegou convite e eu respondi:

- Obrigada, já jantei! Rs...

Brincadeira, gente! Eu é que sou meio conservadora. Vou resistir enquanto der. Até meados de 2010, todos deverão trocar por esse modelito novo. Saiba mais.

http://www.youtube.com/watch?v=gxoNxHxYabk&feature=player_embedded

terça-feira, 24 de novembro de 2009

piCHações


Foto: E.B.

A pichação é uma herança de nossos antepassados. O ser primitivo já se comunicava através de pinturas rupestres. Em algumas cidades brasileiras ela se sobressai tornando-se praticamente como modelo de um sistema social que não deve ser seguido, e  que polui visualmente muros, fachadas e museus a céu aberto. Polêmica à parte (arte ou vandalismo?) fiz questão de registrar uma que, de certo modo, teve uma razão para ser feita. Pano para manga.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Perereca Pantaneira - Animais de Estimação II


A minha perereca é pantaneira. E por incrível que pareça ela renega a própria classe. Só gosta de brincar com cobras.  @-->--

Os Amantes do Filme POLAR

É um gênero que o cinema francês contribuiu a consolidar, com produções de estilo bastante variado, ao longo dos anos com esse nome específico de POLAR.

O Declínio dos Homens (1994) - de Jacques Audiard e Um Dia após o Outro (2003) - de Sam Karmann são filmes ditos 'Polar'.


Rótulos! Sempre rótulos. Entretanto, não podemos viver sem eles.

Classes de Palavras

Mulher Jovem.

 Mulher = Subst. Jovem = Adj. O professor Castelar tinha razão: Os adjetivos vão embora primeiro.

Sala de aula limpa. Daqui a pouco não estará mais.

Os Adjetivos Passam ... Ficam os Substantivos...

O meu Avô materno é um sábio. Quando alguém quer zombar de sua velhice, ele simplesmente responde:

- Se você tiver sorte, chegará um dia à minha idade.

A minha mãe também é uma pessoa sábia. Ela sempre diz:

- Cada idade, o seu encanto.

Se Deus me der  oportunidade de viver tanto quanto o meu avô, gostaria de me parecer com ele nesse aspecto OTIMISTA.

Sou professora. Uma professora velha. E, apesar de achar horóscopo uma tremenda baboseira, ouvi dizer que o aquariano já nasce com cem anos nas costas. Sou, portanto, uma anciã. Agora, aos preconceituosos, que se acham gatinhas ou gatinhos, quando a tenra idade chegar, poderão se livrar das rugas, escolhendo a cirurgia plástica, por exemplo, mas saiba de antemão que ela não se aplica à alma mesquinha e enrugada, tampouco ao cérebro.  Talvez um dia... quem sabe?

20 de novembro - Dia Consciência Negra e outros PRÉ - Conceitos mais....

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Projeto em Andamento




IX CONCURSO DE POESIA

COM QUE ROUPA, EU VOU? Eis duas das possíveis estampas para a  nossa camiseta do concurso.

Professores Organizadores:
Eunice Bernal,
Sidiney R. Rocha,
Cristiane Amaral Souza

Queridos leitores,

Desculpem a demora em divulgar a IX Edição do nosso Concurso de Poesia, mas o ano ainda não acabou. Vamos lá torcer em meados de dezembro. Eu já elegi a poesia vencedora. Brincadeira, eu não voto. Há uma comissão julgadora, mas isso não me impede de ter uma preferida, não é mesmo? Ei-la:

24 – AOS ALUNOS


Eu sou aquela aluna
Aquela a quem
Os professores
Muito ensinaram
Ensinaram a amar os livros
Ensinaram a ler
E a escrever
Ensinaram-me também
Não desistir de querer aprender.


A acreditar que somos capazes
De superar os estudos
Como: Ciências. Matemática e as outras...

Acreditar na minha inteligência
Que vai se misturando ao Amor
Em uma ciranda com a paz
A qual vai rodando
E nossa ciranda também faz parte
A busca de cada dia mais
aprendizado.

A superação das barreiras
Dos erros que podemos cometer
Mas sempre acreditando
Na capacidade que todo ser humano tem
De transformar as barreiras em degraus.
E em cada pedra que me lançarem
Acabarei de construir o meu palácio.

Aprendi com meus professores
Que mais vale estudar
Do que colar ou copiar.
Antes recapitular
Do que marcar a resposta errada.


CAMYLLA – TURMA 802

Parabéns, querida aluna, seu texto é cool! De cem poetas inscritos, ficou difícil escolher apenas um, mas para mim, só pela coragem de participar já é um prêmio.

A propósito, o aluno Bruno, apareceu por aqui, encontrou o comentário sobre ele em PROFISSÃO DE FÉ, e postou um comentário lá.  Meu alunos têm a capacidade de me DESARMAR...
Eunice Bernal

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Fênix

Foto de E.B.
Pelas minhas andanças, encontrei isto: um broto despertando de um miserável pedaço de tronco para tornar-se mais belo. Mesmo esse tronco estando todo bichado, foi capaz de hospedá-lo em um pequeno espaço e dividindo o seu pouco alimento, somando forças, dizendo que sempre cabe mais um.

A Natureza é solidária: ela tudo nos dá sem nada pedir em troca. Com ela não se brinca. E é capaz de coisas que não imagina nossa vã filosofia. Admiro o seu poder.  Fico impressionada com a sua capacidade de se renovar. É uma lição de moral ao homem que a maltrata sem dó nem piedade; que destroi e a  massacra por puro orgulho e egoísmo. Tsc, tsc... vaidade humana!

Imponentemente, ela vai mostrando o seu vigor, a sua cor viva, um vermelho da paixão escarlate....

A natureza não é covarde. Não nega a sua própria natureza, nada teme e nada tem a esconder. Enfrenta o mundo pelo seu ideal...

O homem tem muito que aprender com a natureza. E será que ele quer?
E.B.