segunda-feira, 9 de agosto de 2010

BLANC - A Igualdade é Branca

“Só há um tipo de amor que dura: o não correspondido.” Judie Foster

BLANC - A Igualdade é Branca

Dizem que comédia nunca ganhou Oscar por ser considerado um gênero menor. Eu nunca fui fã dessa categoria de prêmio de academia, nem morro de amores por filme desse gênero; e outra, que rótulos, às vezes enganam.
Blanc – A Igualdade é Branca é o segundo episódio da TRILOGIA DAS CORES do diretor polonês Krzysztof Kieslowski, dedicado ao bicentenário dos ideais da França com os três lemas da bandeira respectivamente: liberdade, igualdade e fraternidade, e é o único da trilogia que tem um certo humor e por essa razão críticos o consideram um exemplar inferior ao Blue e Rouge.
Blanc é um tema banal e corriqueiro no cinema: a história de um casal em crises sem chances de superá-las e a saída encontrada é o divórcio. No entanto, é uma abordagem completamente diferente, extrapolando a barreira dos sentimentos, da emoção e pondo em xeque questões não sentimentais, mas carnais: o desejo, o sexo, orgasmos, tesão, ereção, atração, deixando claro que a falta desses elementos a relação perde o sentido.

Kieslowski é polonês por nacionalidade, francês por paixão e cidadão do mundo. Fala, então, através de seus filmes todos os idiomas. E quando há amor, não existe barreira para a língua. Tanto que ele juntou nessa história BLANC um casal que não fala o mesmo idioma: ela é francesa e ele, polonês. Mesmo assim não viram barreira para se casarem e se tornarem uma só carne, até que a morte os separasse, como reza a cartilha do ritual de enlaçamento matrimonial. Acontece nas melhores famílias. Aspas: Tenho uma irmã que se casou com um estrangeiro.

O filme Ghost Dog de Jim Jarmusch há dois amigos que não falam o mesmo idioma, mas de certo modo, se entendem.

Assisti recentemente a um filme Filipino onde os personagens K e Ana, metidos a cineastas,  andavam pelas ruas com seus equipamentos microfones, gravador, câmera, perguntando para as pessoas o que era AMOR, até que alguém lhes responde com outra pergunta: “Em que ano estamos?, Ainda existe isso?”

No filme Basquiat, sobre a vida desse pintor, em um determinado momento, num restaurante, o artista percebe certo preconceito racial e ele se vira e faz a seguinte pergunta à namorada: “Em que em ano estamos?” Como quem questionasse a impossibilidade de a esta altura do século ainda existirem tais sentimentos de inferioridade.

Tempos modernos! As pessoas estão mais individualistas, preocupadas em trabalhar,  ganhar dinheiro, gastar, nada de envolvimento emocional, apenas sexo, atração e encontros descompromissados. 

A linguagem do AMOR é universal, não existe barreira quando se ama. Mas, e quanto ao sexo? Onde começa um e termina o outro? Ou um é o complemento do outro? Ou são coisas completamente distintas?

O filme BLANC gira em torno do casal. Karol (Zbigniew Zamachowski), um bem-sucedido cabeleireiro polonês cujo casamento está definhando com a francesa Dominique (Julie Delpy). Esse casamento acaba assim que ela descobre que o  marido é impotente, apesar de ele ser loucamente apaixonado por ela, ou talvez por causa disso, ele não consiga consumar sexualmente o casamento e sofre por isso. Quando o filme começa, a garota já perdeu a paciência com a situação e pediu o divórcio. Ela o abandona e volta para a França, assim que descobre que ele é acometido desse mal. Algum tempo depois ele recebe uma intimação do advogado dela a fim de tratar da anulação do casamento. Ele vai à França e lá é muito humilhado por ela, que pede o divórcio e diz que o casamento nunca se “consumou”. Algumas cenas do dia do casamento em flashbacks são as lembranças de Dominique mostradas em alguns lances durante a conversa.

Karol ama essa mulher que escolheu para ser a sua esposa. Ele vai até Paris contra a sua vontade para tratar da separação e nada lá dá certo para ele. Seu cartão de crédito é cancelado, fica sem dinheiro, sem passaporte e sem a esposa. Na estação de trem faz amizade com um estranho homem que não gosta da vida, por alguma razão não quer mais viver e que está procurando alguém para matá-lo. Sem dinheiro e sem passaporte o jeito encontrado para voltar para a Polônia foi dentro da mala do seu novo amigo, Nicolau. A maior parte do tempo sua falta de sorte o acompanha, tanto que até a mala foi roubada por russos que por não encontrarem nada de valor dentro dela, ainda lhe dão uma surra e o abandonam desfalecido num lugar inóspito e frio. Sua falta de sorte começa a mudar, quando finalmente consegue chegar em casa. Volta a trabalhar e começa a arquitetar um plano com a ajuda do amigo para enriquecer e ter a atenção da sua ex novamente. O amigo pagou-lhe para que ele o matasse. Ele recebe esse dinheiro e acaba convencendo seu amigo Nicolau que morrer não é uma boa idéia. Com esse dinheiro ele começa seus investimentos. De vez em quando liga para Dominique até que um dia ela faz questão de que ele ouvisse seus gemidos de prazer na companhia de outro. Para ele que sofre de impotência, esse momento foi o FIM, foi a coisa mais desprezível e humilhante que ouviu da parte dela.
Karol arma uma cilada para a sua amada, passando-se por morto. Compra um cadáver com sua aparência física. O morto era  um homem russo que faleceu e ficou desfigurado, exatamente como ele queria,  a fim de que Dominique ao ir ao necrotério da Polônia ao tentar reconhecê-lo, não desconfiasse que fosse ele, e herdasse toda a sua fortuna que à essa altura já era um milionário.

Dito e feito. Karol agora era considerado um homem morto. E Dominique foi ao enterro, reconheceu aquele cadáver como sendo do seu ex-poso, e ela chorou. Karol de longe observava a tudo e descobriu que ela sempre o amou e que ela chorou por saber que ele estava morto. À noite, no hotel em que Dominique estava hospedada, Karol apareceu para ela, fizeram amor (ou sexo?) durante a noite toda; ele não estava mais impotente, e ela sussurrou para ele que o amava. Karol tinha certeza disso. Karol sabia como agradar a uma mulher muito bem, lembrando que a sua primeira profissão era cabeleireiro; sabia muito bem que a mulher adora um trato no visual, começando pelos cabelos...

Karol foi embora e a deixou dormindo. Dominique ao acordar chamou por ele e quem respondeu foi a polícia que a prendeu por suspeitar dela, que ela tramou a morte dele para ficar com a herança e ela foi presa. Afinal, a igualdade é branca, como um véu de noiva, como a neve do inverno rigoroso da Polônia, como pombos voando, como um orgasmo, como o amor e a paixão, Karol armou para que tudo isso acontecesse, uma forma de se vingar pela humilhação e pela ofensa e por todo o constrangimento que ela o fez passar.

Em Blanc o que se discute são todos os tipos de igualdade, desde ser igual perante a lei até as obrigações conjugais. Agora tanto um quanto outro têm direitos iguais. Nos tempos modernos de sentir prazer, de se chegar ao orgasmo. Não mais o homem ter essa experiência, mas obrigação de satisfazer a sua companheira. É o amor fisiológico, um olhar irônico sobre como o vazio da vida pode ser profundamente afetado pelo amor.

O filme gira em torno das carências afetivas, quando o amor não se desenvolve não vai adiante por questões orgânicas, fisiológicas, vai além do romantismo, das cartas de amor, flores, declarações apaixonadas. Não se sabe mais onde começa o amor espiritual e termina o carnal. Dizia-se que o sexo é o complemento do amor. Então por que o casal se separou? Onde começa um e termina o outro? Pode-se viver só de amor platônico? Pode-se viver só de sexo e nenhum envolvimento amoroso? Chega um momento que uma coisa sem a outra, cansa.  
Sabe-se que existe sexo sem amor. E o amor sem sexo? Mas um não complementa o outro?

Há quem ame e renuncie ao sexo. Religiosos são exemplos disso. E quem não fique sem sexo, é considerado doente? E fazer sexo por obrigação, seria o quê?

Há quem renuncie as satisfações do desejo. E com o tempo o amor acaba relaxando...acaba a atração física, acaba a atração emocional. A simples satisfação do desejo carnal às vezes custa caro, em ambos os sentidos (monetareamente e sentimentalmente). E quando um quer e o outro não? Um tem mais apetite que o outro?

Cada um vê o amor através de sua formação.

Dominique amava Karol, mas sua vida íntima sem sexualidade não fazia sentido. O amor começa pela admiração, gostar de estar perto daquela pessoa. Em certos pontos do filme a representação visual como uma grande explosão de luz branca, a neve, em alusão ao título do filme BLANC.

Igualdade é o que Karol desejava: amar e ser correspondido; mas como ela trapaceou ele se vingou.

São tantos os questionamentos... Ela foi presa e ele jamais teria sua liberdade de volta, pois agora vivia sob uma pseudo-identidade.
Ela presa nas grades da justiça e ele preso em sua mesquinhez, sua vingança e sua infelicidade de viver para sempre deixando de existir para a sociedade como cidadão Karol.

E foram infelizes para sempre.
Karenina Rostov

Cotação: *****

A Igualdade É Branca (Trois Couleurs: Blanc, França/Polônia/Suíça/Grã-Bretanha, 1994)
Direção: Krzysztof Kieslowski
Elenco: Zbigniew Zamachowski, Julie Delpy, Janusz Gajos, Jerzy Stuhr
Duração: 88 minutos

domingo, 8 de agosto de 2010

Father's day

Amor incondicional, amor Palestino...

Em 55 segundos um verdadeiro amor incondicional, o amor que nutre a resistência!!
São 62 anos de amor pela Pátria, pela família, pelo pai, pela Palestina Livre!

Assista e emocione-se!



Todo o respeito e admiração para as crianças palestinas, libertários que construirão a Palestina Livre!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Xiii, acabou o papel!

Quer dizer que o JB me abandonou mesmo? Como eu fico às sextas-feiras sem a minha REVISTA PROGRAMA?

Charge JB  06/08/2010 - Ique

Jornal do Brasil - O primeiro jornal brasileiro da internet · Capa · País · Rio · Economia · Internacional · Esportes · Ciência e Tecnologia · Cultura ...


Agora JB somente online. Divirtam-se!

http://jbonline.terra.com.br/

Classical Music...

Piotr Ilitch Tchaikovski
Compositor romântico russo


A música de Tchaikovsky de grande popularidade, sendo considerada expressão autêntica da alma russa por ingleses e americanos e também na Alemanha. Na Rússia continua Tchaikovsky sendo considerado como o grande compositor nacional, talvez por ser acessível às massas. Foi também muito elogiado por Stravinsky.

Embora não faça parte do chamado Grupo dos Cinco (Mussorgsky, César Cui, Rimsky-Korsakov, Balakirev e Borodin) de compositores nacionalistas daquele país, sua música se tornou conhecida e admirada por seu caráter distintamente russo, bem como por suas ricas harmonias e vivas melodias. Suas obras, no entanto, foram muito mais ocidentalizadas do que aquelas de seus compatriotas, uma vez que ele utilizava elementos internacionais ao lado de melodias populares nacionalistas russas. Tchaikovski, assim como Mozart, é um dos poucos compositores aclamados que se sentia igualmente confortável escrevendo óperas, sinfonias, concertos e obras para piano.

A composição Eugene Onegin é baseada no poema de mesmo nome do maior poeta russo, Alexander Pushkin; O Quebra-Nozes é bem popular e muito apreciada pelos europeus e o Lago dos Cisnes pelos brasileiros.

O Lago dos Cisnes é a música que escolheria para levar quando daqui partisse. Aliás, levaria o lago, os cisnes, o sol, a brisa, as flores,  um pedaço daqui e um pouco mais...



Há um filme de 1969 dirigido pelo russo Igor Talankin  baseado na biografia de Tchaikovsky  e foi  indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

A sinopse é interessante: Biografia do compositor russo Pyotr Ilyich Tchaikovsky desde a infância - quando começou a demonstrar talento para o piano e sua forte ligação com a mãe, morta quando ele tinha apenas 14 anos de idade - até chegar à fase adulta. Nesse momento descobrimos que Tchaikovksy estabeleceu estranhas amizades e veio a se casar com uma jovem desmiolada que estudava num conservatório. O ponto culminante é a peculiar relação com a rica Natalia von Meckm, que durante trinta anos sustentou a carreira de Tchaikovksy. Foram várias cartas trocadas, mas o músico se recusou a encontrá-la pessoalmente.

Veja o filme, leia o livro, assista à peça, ouça a música.  Tchaikovsky é tudo de bom!
K.R.

En el trabajo (2)

Cuidado com o que você come... e principalmente com o local.


Venho solicitar com urgência que medidas sejam tomadas no sentido de fiscalizar e higienizar não só o Fundão (Salmonela) Grill, como também os demais estabelecimentos onde se vendem alimentos e refeições dentro do nosso (...) frente as denúncias recentes e de maior gravidade de que baratas circulam pelas refeições ofertadas à comunidade deste centro.

Será que estamos vivendo aquela música do grupo Titãs em meados de 90? Até quando?

"Bichos saiam dos lixos.
Baratas que deixem ver suas patas.
Ratos entrem nos sapatos.
Do cidadão civilizado.
Pulgas que habitam minhas rugas.
Oncinha pintada, zebrinda listrada vão se foder!
Por que aqui na face da terra só bicho escroto é que vai ter!

Bichos escrotos saiam dos esgotos.
Bichos escrotos venham enfeitar meu jantar.
meu nobre paladar!"

Até quando?

Em algumas tribos é considerado até um petisco nutritivo, saboroso. Podem comer a minha parte, eu deixo!
Até que me provem o contrário, prefiro apenas cantarolar uma outra música, velha conhecida nossa...

E estou começando a achar que...
Bebida é água
Comida é pasto
Você tem fome de quê?
Você tem sede de quê?

E.B.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Bagunça

Hoje revirando a minha estante, descobri uma caixa de baralhos de tarô que tinha comprado para  a peça teatral A CARTOMANTE que eu me baseei  no conto de Machado de Assis para escrevinhar. Nossa, como o tempo voa! Lá se vão dois anos. Tirei-os da caixa e um deles caiu no chão. Esses baralhos até que são interessantes. Cada um deles vêm com imagem e com um texto dizendo ser RESPOSTA A SUA PERGUNTA. Ué, não perguntei nada, por que saiu essa que caiu para mim? Obra do acaso, claro!
Diz o seguinte:

Pare, reflita; está se precipitando. Liberte-se de conceitos sem valores reais como o orgulho, o poder e a vaidade.

Analise os obstáculos com clareza, equilíbrio e determinação.

O êxito dependerá da sua auto-conquista. Você veio para vencer, tudo dependerá de você.
Valeu!
K.R.

Ao Mestre com Carinho (2)

EDUCAÇÃO - AULA CRONOMETRADA

Abaixo cópia da carta escrita por uma professora que trabalha no Colégio Estadual Mesquita (PR)  à revista Veja. Peço por favor que repasse a todos que conhece, é longa mas vale a pena ler.
  
RESPOSTA À REVISTA VEJA

Sou professora do Estado do Paraná e fiquei indignada com a reportagem da jornalista Roberta de Abreu Lima “Aula Cronometrada”. É com grande pesar que vejo quão distante estão seus argumentos sobre as causas do mau desempenho escolar com as VERDADEIRAS razões que geram este panorama desalentador.

Não há necessidade de cronômetros, nem de especialistas para diagnosticar as falhas da educação. Há necessidade de todos os que pensam que: “os professores é que são incapazes de atrair a atenção de alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital” entrem numa sala de aula e observem a realidade brasileira. Que alunos são esses “repletos de estímulos” que muitas vezes não têm o que comer em suas casas quanto mais inseridos na era digital? Em que pais de famílias oriundas da pobreza trabalham tanto que não têm como acompanhar os filhos em suas atividades escolares, e pior em orientá-los para a vida? Isso sem falar nas famílias impregnadas pelas drogas e destruídas pela ignorância e violência, causas essas que infelizmente são trazidas para dentro da maioria das escolas brasileiras. Está na hora dos professores se rebelarem contra as acusações que lhes são impostas. Problemas da sociedade deverão ser resolvidos pela sociedade e não somente pela escola.

Não gosto de comparar épocas, mas quando penso na minha infância, onde pai e mãe, tios e avós estavam presentes e onde era inadmissível faltar com o respeito aos mais velhos, quanto mais aos professores e não cumprir as obrigações fossem escolares ou simplesmente caseiras, faço comparações com os alunos de hoje “repletos de estímulos”. Estímulos de quê? De passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar em frente ao computador, alguns até altas horas da noite, (quando o têm), brincando no Orkut, ou o que é ainda pior envolvidos nas drogas. Sem disciplina seguem perdidos na vida. Realmente, nada está bom. Porque o que essas crianças e jovens procuram é amor, atenção, orientação e disciplina.

Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos, há uns anos atrás de estímulos? Simplesmente: responsabilidade, esperança, alegria. Esperança que se estudássemos teríamos uma profissão, seríamos realizados na vida. Hoje os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais. Para quê o estudo? Por que numa época com tantos estímulos não vemos olhos brilhantes nos jovens? Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção de somente brincar com os amigos, de ir aos piqueniques, subir em árvores? E, nas aulas, havia respeito, amor pela pátria.. Cantávamos o hino nacional diariamente, tínhamos aulas “chatas” só na lousa e sabíamos ler, escrever e fazer contas com fluência. Se não soubéssemos não iríamos para a 5ª. Série. Precisávamos passar pelo terrível, mas eficiente, exame de admissão. E tínhamos motivação para isso.

Hoje, professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam filmes, trabalham com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil para leitura em sala-de-aula (o que às vezes resulta em uma revolução), levam alunos à biblioteca e a outros locais educativos (benza, Deus, só os mais corajosos!) e, algumas escolas públicas onde a renda dos pais comporta, até a passeios interessantes, planejados minuciosamente, como ir ao Beto Carrero. E, mesmo, assim, a indisciplina está presente, nada está bom. Além disso, esses mesmos professores “incapazes”, elaboram atividades escolares como provas, planejamentos, correções nos fins-de-semana, tudo sem remuneração;

Todos os profissionais têm direito a um intervalo que não é cronometrado quando estão cansados. Professores têm 10 minutos de intervalo, quando têm de escolher entre ir ao banheiro ou tomar às pressas o cafezinho. Todos os profissionais têm direito ao vale alimentação, professor tem que se sujeitar a um lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40h semanais. E a saúde? É a única profissão que conheço que embora apresente atestado médico tem que repor as aulas. Plano de saúde? Muito precário. Há de se pensar, então, que são bem remunerados... Mera ilusão! Por isso, cada vez vemos menos profissionais nessa área, só permanecem os que realmente gostam de ensinar, os que estão aposentando-se e estão perplexos com as mudanças havidas no ensino nos últimos tempos e os que aguardam uma chance de “cair fora”.Todos devem ter vocação para Madre Teresa de Calcutá, porque por mais que esforcem-se em ministrar boas aulas, ainda ouvem alunos chamá-los de “vaca”,”puta”, “gordos “, “velhos” entre outras coisas. Como isso é motivante e temos ainda que ter forças para motivar. Mas, ainda não é tão grave. Temos notícias, dia-a-dia, até de agressões a professores por alunos. Futuramente, esses mesmos alunos, talvez agridam seus pais e familiares.

Lembro de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de Moura Castro, que dizia que um país sucumbe quando o grau de incivilidade de seus cidadãos ultrapassa um certo limite. E acho que esse grau já ultrapassou. Chega de passar alunos que não merecem. Assim, nunca vão saber porque devem estudar e comportar-se na sala de aula; se passam sem estudar mesmo, diante de tantas chances, e com indisciplina... E isso é um crime! Vão passando série após série, e não sabem escrever nem fazer contas simples. Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na cabeça. Ela é cruel e eles já são adultos.

Por que os alunos do Japão estudam? Por que há cronômetros? Os professores são mais capacitados? Talvez, mas o mais importante é porque há disciplina. E é isso que precisamos e não de cronômetros. Lembrando: o professor estadual só percorre sua íngreme carreira mediante cursos, capacitações que são realizadas, preferencialmente aos sábados. Portanto, a grande maioria dos professores está constantemente estudando e aprimorando-se.

Em vez de cronômetros, precisamos de carteiras escolares, livros, materiais, quadras-esportivas cobertas (um luxo para a grande maioria de nossas escolas), e de lousas, sim, em melhores condições e em maior quantidade. Existem muitos colégios nesse Brasil afora que nem cadeiras possuem para os alunos sentarem. E é essa a nossa realidade! E, precisamos, também, urgentemente de educação para que tudo que for fornecido ao aluno não seja destruído por ele mesmo

Em plena era digital, os professores ainda são obrigados a preencher os tais livros de chamada, à mão: sem erros, nem borrões (ô, coisa arcaica!), e ainda assim se ouve falar em cronômetros. Francamente!!!

Passou da hora de todos abrirem os olhos e fazerem algo para evitar uma calamidade no país, futuramente. Os professores não são culpados de uma sociedade incivilizada e de banditismo, e finalmente, se os professores até agora não responderam a todas as acusações de serem despreparados e “incapazes” de prender a atenção do aluno com aulas motivadoras é porque não tiveram TEMPO. Responder a essa reportagem custou-me metade do meu domingo, e duas turmas sem as provas corrigidas.
Professora Andréa Pimpão.
Revista Veja no. 2170 de 13 / 06 /2010.

Leia mais: http://veja.abril.com.br/230610/aula-cronometrada-p-122.shtml
*
Essa professora é simplesmente NOTA 10. A lei da Mordaça NUNCA MAIS! Sou fã dela.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Curiosidades Literárias e Musicais (2)


CANTEIROS é uma bela canção de Raimundo Fagner, cuja letra nos quatro primeiros versos, foi escrita utilizando-se (de forma ilegal) de uma estrofe do poema MARCHA de Cecilia Meireles, e o texto foi modificado para se adequar melhor a sonoridade da melodia.

Esta questão já foi resolvida justicialmente e Cecília Meireles foi reconhecida como co-autora da música.

A segunda quadra é de autoria do próprio Fagner seguindo a mesma temática.

Quanto a terceira quadra: Eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza (…) são versos de autoria do composistor Belchior na canção Hora do Almoço. Vencedora do Festival Universitário da Música Popular, TV Tupi do RJ, 1968. Utilizados na gravação como música incidental (provavelmente com autorização do autor, assim como os versos de Águas de Março de Tom Jobim.)

A arte imita a arte... que imita a vida. Eis as duas letras
*
Marcha - Cecília Meireles

As ordens da madrugada
romperam por sobre os montes:
nosso caminho se alarga
sem campos verdes nem fontes.
Apenas o sol redondo
e alguma esmola de vento
quebram as formas do sono
com a idéia do movimento.

Vamos a passo e de longe;
entre nós dois anda o mundo,
com alguns mortos pelo fundo.
As aves trazem mentiras
de países sem sofrimento.
Por mais que alargue as pupilas,
mais minha dúvida aumento.

Também não pretendo nada
senão ir andando à toa,
como um número que se arma
e em seguida se esboroa,
- e cair no mesmo poço
de inércia e de esquecimento,
onde o fim do tempo soma
pedras, águas, pensamento.

Gosto da minha palavra
pelo sabor que lhe deste:
mesmo quando é linda, amarga
como qualquer fruto agreste.
Mesmo assim amarga, é tudo
que tenho, entre o sol e o vento:
meu vestido, minha música,
meu sonho e meu alimento.

Quando penso no teu rosto,
fecho os olhos de saudade;
tenho visto muita coisa,
menos a felicidade.
Soltam-se os meus dedos ristes,
dos sonhos claros que invento.
Nem aquilo que imagino
já me dá contentameno.

Como tudo sempre acaba,
oxalá seja bem cedo!
A esperança que falava
tem lábios brancos de medo.
O horizonte corta a vida
isento de tudo, isento…
Não há lágrima nem grito:
apenas consentimento.
*
Canteiros - Composição: Fagner / sobre poema de Cecília Meireles

Quando penso em você
Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade
Correm os meus dedos longos
Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento

Pode ser até manhã
Sendo claro, feito o dia
Mas nada do que me dizem me faz sentir alegria

(Refrão 2X)
Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza ...
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Senão chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
São as águas de março fechando o verão
É promessa de vida em nosso coração
*


Canção maravilhosa!  Aprecie!
E.B.

Escritores brasileiros

Resolvi voltar a estudar e a fazer cursos que acabam compensando as madrugadas insones... estar em uma sala de aula como aluno é muito bom.

E ontem começou a nova série de palestras no CCBB, o Escritores Brasileiros, começando com Nelson Motta e Marília Pêra. Ele o escritor, e ela fazendo leitura dramatizada de contos dele. O evento contou com a  presença do mundo artístico: atores, escritores, jornalistas e curiosos. Estou ansiosa para os próximos encontros, Marina Colassanti, meu querido Affonso Romano, e muitos outros.
  
Nelson Motta e Marília Pêra participam de evento no Rio
O jornalista e a atriz abriram a série "Escritores Brasileiros"



Nelson Motta e Marília Pêra abriram nesta terça-feira, 3, a série "Escritores Brasileiros", no Centro Cultural Banco do Brasil, no Centro do Rio. O jornalista, que foi casado com a atriz, é autor de "Noites Tropicais" e "Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia". A atriz Vera Holtz também prestigiou o evento.

Deixo a dica.

E.B.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Curiosidades Cinematográficas (3)


E por falar em religião...

Este é um dos quadros de um dos maiores artistas russos da Idade Média (século XV), e que mais tarde abandonou o ofício para dedicar-se a Deus. O pintor foi tema de um cineasta bem conhecido.
*
Quem seria esse pintor?

Qual cineasta o retratou em um de seus filmes?

Cinéfilos e afins, depois dessas dicas, errar é quase impossível, não?

En el trabajo...

O Instituto de Bioquímica Médica - CCS da UFRJ  foi ao ar no último programa da Rede Globo, (29/07) o Jovens Talentosos.

Para quem não assistiu ao programa sobre o Projeto Jovens Talentosos do Prof. Leopoldo de Meis, seguem os links dos vídeos:


http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1309701-7823-PROFESSOR+USA+A+CIENCIA+PARA+MODIFICAR+A+REALIDADE+DE+MUITOS+ADOLESCENTES+CARENTES,00.html


http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1309706-7823-JOVENS+APRENDEM+DESDE+CEDO+OS+PROCEDIMENTOS+EM+UM+LABORATORIO,00.html

Parabéns aos mestres e aos alunos! Prestigiem!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Curiosidades Literárias e Musicais

Desenho de Victor Hugo

Há uma música do Frejat chamada AMOR PRA RECOMEÇAR cuja letra baseia-se no poema DESEJO de Victor Hugo. Só que recentemente descobri que na verdade Frejat se baseou para compor essa canção  no poema chamado VOTOS de autoria de Sérgio Jockymann.

É a velha história que a arte imita a arte que imita a arte que imita a arte... que imita a vida.
Pra começar o próprio nome da música é um trecho do final do poema.
Eis as letras. Leia, ouça e tire suas conclusões.
***
Amor pra Recomeçar – Frejat
Composição: Frejat/Mauricio Barros/Mauro Sta. Cecília

Eu te desejo não parar tão cedo
pois toda idade tem prazer e medo
e com os que erram feio e bastante
que você consiga ser tolerante

Quando você ficar triste
que seja por um dia e não o ano inteiro
e que você descubra que rir é bom
mas que rir de tudo é desespero

Desejo que você tenha a quem amar
e quando estiver bem cansado
ainda exista amor pra recomeçar,
pra recomeçar

Eu te desejo muitos amigos
mas que em um você possa confiar
e que tenha até inimigos
pra você não deixar de duvidar

Quando você ficar triste
que seja por um dia e não o ano inteiro
e que você descubra que rir é bom
mas que rir de tudo é desespero

Desejo que você tenha a quem amar…

Desejo que você ganhe dinheiro
pois é preciso viver também
e que você diga a ele pelo menos uma vez
quem é mesmo o dono de quem

Desejo que você tenha a quem amar…
***
Votos
de Sérgio Jockymann

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.

Desejo, pois, que não seja assim,
 Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.

E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.

Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.

E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.

E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga “Isso é meu”,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a lhe desejar “.
*


Independentemente de qualquer coisa, a música é linda. Amor, divirta-se!
E.B.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Questão de tempo...

Aproveite bem o seu  

O Tempo que se chama hoje

O segundo semestre do ano de 2010 já chegou! Como célere corre o tempo! Ainda ontem celebrávamos a chegada do ano novo, com imensas expectativas e variados projetos. É como bem afirma a palavra de Deus: “Tudo passa rapidamente e nós voamos.” (Salmo 90:10).

Meditar sobre o tempo gera a constatação que a vida só existe no presente.

O ontem já passou. O amanhã ainda chegará.

O ontem é professor que nos ensina, estabelecendo paradigmas para o hoje, tanto de acertos quanto de tropeços. Os antigos diziam: “Quem não aprende com o passado erra duas vezes”.

O amanhã é perspectiva, espera torcida. É algo que ainda não é. Que se quer, se busca, se anseia. Contudo, não há futuro sem o presente. O amanhã começa a ser tecido agora. A semente lançada hoje na terra será a frutífera árvore no futuro. Nada há que venha a acontecer que não seja iniciado no agora.

Assim, precisamos envidar esforços para viver intensamente o hoje, o tempo que se chama HOJE! Com as experiências do que passou e cheios de esperança no que virá. É sábia a orientação que nos ensina que há dois dias em que nada podemos fazer: o dia de ontem e o dia de amanhã. Só podemos fazer no dia de hoje.

Ame, sirva, estude, fale, escreva, abrace quem você ama, diga o que está no fundo do peito, caminhe, plante, veja as flores, veja o mar, construa, ore, cante, leia... no tempo que se chama HOJE.

O hoje é presente de Deus. No passado Ele nos guiou. No futuro continuará nos amando. O tempo é sagrado. Não desperdice o seu.

Não deixe que ele se desintegre ou vá simplesmente pro ralo.

Time is money.
E.B.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Emoção e Poesia: O cinema de Yasujiro Ozu

O que é bom faço merchan. Em cartaz no CCBB uma retrospectiva completa, com projeções em película, do cineasta Yasujiro Ozu em parceria com a Fundação Japão no Brasil, exibirá todos os 35 filmes do diretor japonês disponíveis hoje, alguns inéditos – 32 longas, 2 curtas e um média metragem - com todas as suas fases criativas, desde os primeiros filmes mudos até os últimos trabalhos.

Ontem consegui assistir dele a este aqui (vide sinopse) e apareceu uma curiosidade cinematográfica que não consegui descobrir. Se alguém souber, por favor, help me! É um livro com título em russo que está sobre à mesa de cabeça para baixo. Que livro é aquele?

Sinopse - A ESPOSA DE UMA NOITE (SONO YO NO TSUMA / THAT NIGHT'S WIFE.
1930, mudo, P&B, 65 minutes). O empobrecido artista Shuji Hashizume precisa pagar o tratamento médico de sua filha Michiko, e para isso decide assaltar um escritório. Ao chegar em casa, o motorista que o levara revela ser policial e tenta prendê-lo. A situação se inverte quando Mayumi, esposa de Shuji, desarma o policial e o mantém sob a mira da pistola para que Shuji, enquanto isto, possa tomar conta da filha deles.

Basta comprar o Cinepasse válido para toda a mostra e apresentar na entrada do cinema. O catálogo é grátis. Divirtam-se!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

365 dias com o profeta Isaías

Armei o meu silêncio e não o tenho...antes de dormir mil coisas povoam meus pensamentos...de tudo um pouco... "A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros."  Encontrar os devaneios, enfim...
***
Hoje está sendo um bom dia para mim... acordei com Deus falando ao meu coração na voz do profeta Isaías que muito amo. Ele me dissse tanta coisa em  sonho... uma delas é que "A sabedoria é a arte de bem viver' e que a crítica é um bom sinal que  se está na rota certa.

Isaías 58.11

O SENHOR te guiará continuamente, fartará a tua alma até em lugares áridos e fortificará os teus ossos; serás como um jardim regado e como um manancial cujas águas jamais faltam.

Não se esqueça de orar e que DEUS te ama.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Em recesso...


Ôba, estou de férias!  Vou aproveitar para um descanso merecido. Beijos e até breve.

domingo, 25 de julho de 2010

Miquéias 7

O tempo passa, mas o homem continua o mesmo: mesquinho e egoísta.  Não aprende com os erros, não se arrepende das suas maldades... O texto que escolhi do Velho Testamento é do profeta Miquéias, apesar de mais de dois mil anos, continua tão atual...  

Orai e vigiai.
***
1. Ai de mim! porque estou feito como as colheitas de frutas do verão, como os rabiscos da vindima; não há cacho de uvas para comer, nem figos temporãos que a minha alma deseja.

2. Já pereceu da terra o homem piedoso, e não há entre os homens um que seja justo; todos armam ciladas para sangue; cada um caça a seu irmão com a rede,

3. As suas mãos fazem diligentemente o mal; assim demanda o príncipe, e o juiz julga pela recompensa, e o grande fala da corrupção da sua alma, e assim todos eles tecem o mal.

4. O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que a sebe de espinhos; veio o dia dos teus vigias, veio o dia da tua punição; agora será a sua confusão.

5. Não creiais no amigo, nem confieis no vosso guia; daquela que repousa no teu seio, guarda as portas da tua boca.

6. Porque o filho despreza ao pai, a filha se levanta contra sua mãe, a nora contra sua sogra, os inimigos do homem são os da sua própria casa.

7. Eu, porém, olharei para o SENHOR; esperarei no Deus da minha salvação; o meu Deus me ouvirá.

(E continue lendo até o v.20)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Curiosidades Cinematográficas (2)



Beijos Proibidos - de François Truffaut

Beijos Proibidos é uma das obras-primas de François Truffaut.

O objetivo aqui é comentar algo que me chamou a atenção neste filme, simplesmente porque eu desconhecia  e achei  tão interessante que fui à pesquisa para matar a minha curiosidade e agora deixo  registrado  para quem interessar possa.  Trata-se de um sistema de entrega rápida de cartas. Acabei descobrindo mais curiosidades, mas vou comentar apenas duas delas.


A primeira é o título que Truffaut tirou das palavras de uma canção de Charles Trenet, "Que-Rest-t-il de Nos Amours?", que pergunta o que resta de nossos amores, de nossos dias felizes, olhos amassados, beijos roubados. Truffaut dizia que, se o filme ficasse parecido com essa música, ficaria contente. Foi esse exatamente o resultado: um filme suavemente melancólico, simples e complicado como a vida, ao mesmo tempo poético e divertido. E diferente de tudo que ele já fez.

A segunda curiosidade foi a que mais me chamou a atenção pelo fato de mostrar algo que eu desconhecia. Trata-se de um sistema de comunicação muito interessante da época, hoje em dia já extinto, denominada Correios Pneumáticos, em francês,  "pnéumatique" onde se enviava uma mensagem expressa por um sistema de tubos subterrâneos injetados com ar comprimido chegando ao destinatário no mesmo dia, e neste filme foi mostrado de uma forma bem poética, e Truffaut conseguiu transformar em belas imagens e muita emoção como a de uma carta de amor. A pessoa recebe a correspondência quase que em tempo real como nos dias atuais.

Esse tipo de correio funcionava como uma espécie de telegrama e servia para se escrever cartas importantes, apresentar desculpas relevantes, marcar um encontro fundamental, para felicitar, agradecer etc. Escrevia-se uma mensagem num papel especial. No correio, o papel era colocado numa caixa cilíndrica que passava, através de um tubo pneumático, por toda Paris, saindo num outro posto, a mensagem chegava às mãos de um carteiro, que a entregava ao destinatário.

Muito da tecnologia da era industrial, tubos, gás, a aspiração etc, estava a serviço dessa correspondência. Achei essa parte do filme maravilhoso, tanto que resolvi postar aqui. A nova  tecnologia, a informática veio substituir algumas formas de comunicação, a máquina de ecrever e o e-mail são algumas delas. 

Fica o saudosismo, mesmo para quem nunca utilizou deste meio de comunicação.
Karenina Rostov

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Deixe seu recado após o sinal...

Produção de texto através de imagens 
Trabalhar com imagem é um ótimo exercício de memória, faz-me lembrar de atividades do magistério desenvolvidas em sala de aula, em técnicas redacionais e sai cada texto interessante. É uma forma de 'enganar' o aluno fazendo-o produzir seu próprio texto, trabalhando a linguagem verbal a partir da linguagem não-verbal. O resultado é formidável e gratificante. De bobo o discente nada tem. Bem, não custa tentar. 

E então, gostaria de participar? Fica a dica.
Querido, beijos e flores pra você!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Cão sem dono

Cão sem dono: fofíssimo, não acha?


O cachorro é o melhor amigo do homem, aliás, do dono, dócil e fácil de se domesticar.

Tive o prazer de encontrar um pelo caminho há pouco tempo e pelo qual me encantei. Ele é um cão especial que vive no do campus da UFRJ, em frente ao prédio do CCS - centro de ciências da saúde. Um puro vira latas, de pelo preto, todo arrepiado, lembrando um porco-espinho; adulto, de porte mediano, magro, o olhar sempre distante perdido no espaço e no horizonte, como se estivesse pensando. Simpático, para gente só falta falar.

Desde que o vi pela primeira vez me apaixonei por esse animalzinho de Deus. Sempre quis ter um cachorro, mas como moro em apartamento não posso; casinha de cachorro até tenho, agora é arranjar um.

O cão preto não tem nome, que eu saiba; dorme num cantinho próximo aos degraus deste prédio, sobre um trapos que colocaram para ele, e ao lado tem água e comida sempre. Como ele tem cara de doido um nome que cairia bem para a espécie seria Cientista.

Ele não é sociável; nem bravo, nem manso. Quando cisma com alguém, avança e chega a morder. Parece que não gosta de ônibus, pois sempre que se aproxima um, sai em disparada latindo sem parar.

Uma mania dele é querer pegar o próprio rabo para morder, fica às vezes dando volta em círculo com esse propósito, chega a ser engraçado.

Adora carinho; sempre tem alguém fazendo um cafuné no bichinho. Bom saber que tem gente boa neste mundo que gosta de animais, expressando isso através do cuidado e de carinho.

Uma coisa tenho certeza: o cão gosta da gente como nós somos, com nossas qualidades e defeitos, bonito ou feio, jovem ou velho, saudável ou não. E sem necessidade de usar coleira.

Repito: casinha de cachorro, já tenho; só falta ganhar um.
Karenina Rostov

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A Culpa é SEMPRE do Professor...

Há tempos que a eXcola já não é mais a mesma. A violência de todo tipo impera, tornou-se rotina. A evasão escolar agora é do professor. O aluno se rebelou, depredando, destruindo o espaço que deveria cuidar e preservar, o seu segundo lar. E querem sempre achar um responsável pelo vandalismo. E sabe quem leva a culpa? Adivinhe.
Nesta semana foi divulgado o resultado da avaliação da Educação no país - IDEB - e o Estado do Rio de Janeiro está lá no penúltimo lugar, ou seja, a Educação das escolas estaduais do Estado da Cidade Maravilhosa, foi considerada de péssima qualidade. Culpa de quem? Adivinhe...outra vez!
Violência são salas lotadas, sem infra-estrutura, sem suporte pedagógico, baixos salários, descaso...
  
Lei da mordaça never more...

"Hey! Teachers! Leave them kids alone!"
Pink Floyd - The Walll

A letra  desta canção fala de uma educação repressora, (o filme Sociedade dos Poetas Mortos é um retrato desse 'modelo' opressor de educação) onde o professor era tido o senhor da verdade e dono do saber.

domingo, 18 de julho de 2010

Só para descontrair...

Onde está o Bill Gates?


Lembra da brincadeira 'Onde está o Wally?' Aqui a brincadeira agora  é  tentar achar o fundador da Microsoft, o  Bill Gates. Veja se você é capaz. Divirta-se!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Créditos interessantes

Créditos iniciais ou finais interessantes

Nos filmes, crédito ou final ou inicial é algo que quase ninguém dá valor, parece insignificante, sem graça e acaba passando batido. Até mesmo o projecionista demonstra não ter paciência, acendendo as luzes antes do término da sessão, o pessoal da limpeza entra, e o público começa a se levantar e a se dispersar sem ao menos ler, demonstrando descaso.


Mas é algo que me fascina, na verdade, ao assistir a um filme, não gosto de perder nenhuma fala, nenhuma sequência, muito menos a abertura e os créditos finais, principalmente quando eles são bem criativos e originais. Há muitos filmes com designer bem bolado, bem interessante.

Cito aqui um que não é lá essas coisas, meio tosco,  mas os créditos finais tudo a ver com a história contada, com o roteiro então vale pela obra toda. É o Mandando Bala. Veja se concorda.

E você, o que acha dos créditos? Lembra de algum que seja interessante? Podemos saber? Diga qual, não faça cerimônia, divida com a gente esses seus conhecimentos.

Quando eu me lembrar de outros, posto aqui. Com carinho, eu.

K.R.


Mandando Bala

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Que susto!


Esta semana fui ao Endocrino para o check-up anual. Agora existe um ritual nos consultórios médicos. Antes da consulta propriamente dita, tem que se pesar, confirmar a altura e verificar a pressão. Levei um susto ao descobrir que houve uma alteração de 900gr a mais em meu peso. Nem acreditei! Disse para a atendente que a balança deveria estar com defeito, que não correspondia ao meu peso. Ela me respondeu que todas dizem a mesma coisa, e que não tinha nada de errado com a balança.  
A médica me indicou uma dieta; mostrou-me um leque de opções. Sendo assim, escolhi a das frutas. Até deixarei aqui para quem gostar da ideia, afinal salada de frutas não mata nem engorda.

A melhor forma de perder peso é comendo frutas. Em geral todas elas trazem benefícios ao nosso organismo, umas podem até ter mais calorias, mas ajudam de outra forma na dieta. 

FRUTAS QUE EMAGRECEM

1. Abacaxi - Pouco calórico e possui muita água em sua composição, o que o torna um alimento diurético.
2. Banana - Rica em triptofano, ajuda a combater a ansiedade pelas comidas que acabam com a dieta.
3. Figo - Rico em magnésio, também é diurético e atua como um laxante mais suave.
4. Limão - Ajuda a combater os radicais livres e ainda é diurético.
5. Manga - Possui quantidades significativas de vitaminas, minerais e anti-oxidantes, além de altas concentrações de potássio e magnésio.
6. Melancia - Pela grande quantidade de água desse alimento ajuda a reduzir os níveis de açúcar no sangue e baixa a quantidade de insulina.
7. Pêssego - Tem um valor nutritivo de vitaminas muito grande.

 E a sobremesa, só uma balinha de Iogurte de pêssego.

domingo, 11 de julho de 2010

Um é bom, dois é muito, três é...

MARAVILHOSO!

Costumo animar as aulas de literatura jogando esses três assuntos distintos no ar: um livro da Bíblia, um poema de Camões, e uma música de Renato Russo. O que o trio tem em comum? Descubra aqui. Só para animar a festa. As turmas gostam!
1 Coríntios 13

1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que retine.
2 E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
3 E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
4 O amor é paciente, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
5 Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
6 Não se alegra com a injustiça, mas folga com a verdade;
7 Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
8 O amor nunca acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
9 Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
10 Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.
11 Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
12 Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.
*
Amor é fogo que arde sem se ver...

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões (1524-1580)
*
Monte Castelo

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria...

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja
Ou se envaidece...

O amor é o fogo
Que arde sem se ver
É ferida que dói
E não se sente
É um contentamento
Descontente
É dor que desatina sem doer...

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria...

É um não querer
Mais que bem querer
É solitário andar
Por entre a gente
É um não contentar-se
De contente
É cuidar que se ganha
Em se perder...

É um estar-se preso
Por vontade
É servir a quem vence
O vencedor
É um ter com quem nos mata
A lealdade
Tão contrário a si
É o mesmo amor...

Estou acordado
E todos dormem, todos dormem
Todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade...

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria...
Legião Urbana
Composição: Renato Russo (recortes do Apóstolo Paulo e de Camões).

***

***

!Olé, España!

Parabéns à África do Sul por ter cumprido muito bem o seu papel, realizando uma ótima  Copa do Mundo.
Parabéns à seleção Espanhola!

Pegando carona na copa...

Vários ativistas da organização People for the Ethical Treatment of Animals Asia (Peta) aproveitaram o dia sem jogos na África do Sul e, seminus e pintados com cores dos países que disputam o Mundial 2010, protestaram na quinta-feira (08), em Joanesburgo, contra a crueldade dos animais e pelo uso de suas peles. Eles também agradeceram à Fifa pela Jabulani, bola 100% sintética. Foto: EFE

Defender os animais e cuidar do meio ambiente é a minha luta constante. Eu apoio essa ideia. Parabéns pela iniciativa! Amo isso.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Saneamento Básico

O cidadão brasileiro que paga seus impostos em dia, e tem seus representantes legais eleitos através de voto, e que por isso  deveriam cumprir bem a sua função, trabalhando para o engrandecimento do país, devolvendo à cidade em melhorias e servir muito bem a população, que nada! Ao invés disso, o povo já sofrido,  tem agora mais um motivo para se preocupar:    olhar onde pisa. Como se não bastasse os bueiros sem tampa, em dia de dilúvio, pondo a vida em risco  de cair e de se machucar, agora estão explodindo. Nos últimos tempos foram cinco na cidade maravilhosa.

Não pega bem para um país que pretende sediar uma copa do mundo, uma olimpíada estar entregue às baratas e ratos. E é o saneamento básico, pasmem,  em condições precárias, uma vergonha...

É de entristecer saber que um casal de turista se acidentou de maneira tão brutal  vítima de um bueiro que explodiu. Dê que adianta pedir desculpa? Sinto muito, é uma situação bem desagrável, e isso me deixou mal. 

Bueiro de primeiro mundo é de causar inveja. Eis alguns do Japão:

Senhor prefeito, que tal aprender com esse país?
 E eis o nosso. Uma pena...
**
K.R.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Selo

Ganhei este selo de presente o que me deixou feliz. Nem sabia o quo siginifcava, depois que me explicaram, senti-me lisonjeada. Obrigada pelo carinho e pelo reconhecimento.Tem Regras:

1. Indicar 03 amigos que você torce muito para alcançar um objetivo: torço por todos os meus amigos, e terei que quebrar esta regra. Sorry.

2-Deixar uma mensagem de apoio. Ok.

Grandes são os obstáculos da vida, mas se pararmos para pensar grandes mesmos são os desafios que temos que seguir adiante ao longo de nossas vidas e nunca deixarmos para trás aquilo que já começamos. o seu sucesso só depende de você, e torço por isso sempre.

3. Linkar quem te enviou. 

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Quer dizer que...

A voz do polvo é a voz de Deus? E o futebol é o ópio do polvo?




Bonitinho! Amei esse molusco. Gostei mais ainda do resultado desse jogo.  Não sou fanática por futebol, mas é o meu esporte preferido e gosto de uma boa partida, independente de bandeiras. Alemanha já teve suas oportunidades. Bom abrir espaço para outras nações.

terça-feira, 6 de julho de 2010

1,99 - Um Supermercado que Vende Palavras

"O dia, a água, o sol, a lua, a noite, tudo isso não compro com dinheiro; tudo mais que queremos, compramos." (Plauto)

Cinema Nacional sem Legendas (2)

1,99 - UM SUPERMERCADO QUE VENDE PALAVRAS
A produção cinematográfica dos tempos atuais é imensa; várias nacionalidades e gêneros sendo impossível acompanhar tudo, e a qualidade fica a desejar. Enxurrada de filme descartável. Em três minutos após uma sessão, não nos lembramos sequer do título, com raras exceções. Uma dessas exceções já considero não só um clássico como também cult do cinema brasileiro, ficou pouquíssimo tempo em cartaz, não lotou salas, por isso não está na lista dos campeões de bilheterias, é o  1,99 - UM SUPERMERCADO QUE VENDE PALAVRAS. de Marcelo Masagão. Dele, o público brasileiro aprovou e aplaudiu o Nós Que aqui Estamos por Vós Esperamos.

O que me atrai da sétima arte é geralmente um roteiro inteligente, e nada convencional; como diz um amigo “aquilo que não é óbvio” e o cinema brasileiro tem o talento deste cineasta, representando muito bem a sua categoria no quesito roteiro, direção e arte; o dom e a sensibilidade na narração de um conto de fadas à altura de Ettore Scola, por exemplo, na direção de O BAILE, completamente sem diálogos ponto de contato entre ambos.
Os setenta minutos do filme ‘1,99’ se passa dentro de um supermercado completamente branco onde os clientes, oitenta ao todo, vão às compras dos produtos principais dessa loja que são simplesmente PALAVRAS, e lá acontecem situações bem curiosas. Os 'protagonistas' deste conto de Masagão são:  o desejo, a angústia e a compulsão que representam a ânsia  que o homem tem de comprar e gastar. Essa idéia de fazer um supermercado estilizado como uma instalação de arte, inteiramente branco saiu da leitura do livro NO LOGO, (em português Sem Logo - A Tirania das Marcas em Um Planeta Vendido), da jornalista canadense Naomi Klein. Neste livro a autora faz uma rigorosa e surpreendente análise de como as grandes marcas têm necessidades intrínsecas de se fetichizar ao infinito para sobreviver. O roteiro é instigante. Não só a cor da loja como todos os seus produtos nas comportadas prateleiras da mesma cor; caixas empilhadas apenas com o nome nas embalagens. O que você compraria numa loja de preços populares, ou R$ 1,99 além de amor, saúde, felicidade, compaixão, vida? Interessantes histórias ocorrem neste lugar, onde ninguém consegue sair, a comunicação e totalmente visual, por slogans, palavras e frases soltas espalhadas pela loja; pessoas brigando pelo último mesmo produto, idosos entrando nas geladeiras simbolizando talvez a morte...
 O diretor fez combinações formidáveis de imagens impactantes com pequenos textos ou palavras isoladas, espalhadas pelo mercado, entre pacotes e produtos, desafiando os rótulos convencionais, não considerando exatamente um documentário, já que utiliza atores e retrata idéias e não fatos comprovados; e toda obra tem um pouco de ficção.

Loja de 1,99 (preço, precinho, como diz uma propaganda), especializada na venda de conceitos, o valor de uma pechincha ilustrando muito bem o mundo atual com a febre de consumo imediato e tudo que existe e que assola o homem moderno, definindo-o como ‘você é aquilo que possui’; compra-se sem necessidade, coisas que não se precisa que nunca se usará pelo mero prazer do que simbolizam: o status, um estilo de vida sonhado, mas nunca alcançado, já que sua regra básica implica na própria necessidade de querer sempre mais e mais.

Os fregueses deste supermercado de 1,99 pertencem a uma classe social definida como a elite, a classe A e B,  representados pela cor de seus trajes sempre claros; já no lado de fora, há outro tipo de consumidor trajando diferentes cores aguardando o convite para entrar, simbolizando os excluídos. Pessoas de todas as faixas etárias passeiam  com seus carrinhos, buscando entre um corredor e outro, nas prateleiras, o produto desejado. O filme soa familiar, a rotina nossa de cada dia de ir às compras, ao  mercado de preferência, passar pelo mesmo caixa, esbarrar nos funcionários patinadores repondo mercadorias ou em outros afazeres, passar pela cortesia do cafezinho, comprar supérfluo...  

“Consumir tornou-se, para a maior parte das pessoas, uma fonte de prazer quase orgástica; e introduzir o cartão na fenda do caixa eletrônico iguala-se, portanto, ao ato sexual em si.”

Se eu fosse dar um Oscar para um filme brasileiro (não que ache isso importante) seria pra este de Marcelo Masagão pela sua originalidade e criatividade. Nosso país vai ganhar, acredite, pois tem potencial para isso, nosso cinema é tudo de bom, idéias brilhantes, e originais tem-se de montão, como também capacidade e boa vontade.

O filme possui uma narrativa com situações bem contextualizadas. E o seu gênero, POESIA MODERNA. E então, que mercadoria deste supermercado você colocaria no seu carrinho?

Considero 1,99 Um Supermercado que Vende Palavras, uma obra-prima do cinema nacional. Não deixe de COMPRAR essa idéia. Assista!
Cotação: *****
Karenina Rostov
______________

FICHA TÉCNICA

Título Original: 1,99 - Um Supermercado Que Vende Palavras.
Origem: Brasil, 2003.
Direção: Marcelo Masagão.
Roteiro: Marcelo Masagão e Gustavo Steinberg.
Produção: Clarissa Knoll e Gustavo Steinberg.
Fotografia: Hélcio Alemão Naganine.
 Música: Wim Mertens e André Abujamra.
  Aqui você pode entrar!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Aos amantes de Cinema e Literatura:



Eis um dois em um superinteressante: CINEMA e LITERATURA. Veja o programa completo no endereço acima. Uma ótima diversão para este mês. Aproveitem que é grátis e divirtam-se!