sábado, 8 de agosto de 2009

A Rosa Púrpura do Cairo

A ROSA PÚRPURA DO CAIRO

Existe algo mais genial do que assistir a um bom filme? Um bom filme é aquele capaz de nos seduzir, de mexer com nossas emoções e sentidos, causar um impacto interior e incomodar de alguma forma nos desestruturar, desconstruir, transformar, mudar ser capaz de nos embriagar seja por imagens, gestos, sons, uma entrega de corpo e alma, uma troca entre ambos vida e arte; ir além da imaginação.

Um filme pode ser considerado magnífico por ser diferente, original e criativo. Seu criador foi capaz de inovar, ousar, imaginar uma história genial, capaz de emocionar, fazer rir ou chorar, surpreender, sentir um algo que dê uma sede maior de viver e de devanear. São detalhes que fazem relembrar determinados filmes e querer assisti-los tantas vezes mais.

A mensagem de Woody Allen, diretor e roteirista da comédia romântica A ROSA PÚRPURA DO CAIRO, é formidável, diferente de tudo que se possa imaginar. O roteiro resume-se basicamente em duelar o fantástico mundo da fantasia com o fantástico mundo real.

A metalinguagem cuidadosamente presente que diverte e nos tira do sério para participar diretamente dessa aventura como protagonista. São duas histórias que correm paralelamente sob a ótica da personagem Cecília, uma pacata dona de casa e seu marido alcoólatra.
Quando a realidade e a ficção se mesclam, torna a obra de arte cinematográfica muito mais brilhante e especial do que ela já é. Quem assistiu ao filme JOGO DE CENA do diretor brasileiro Eduardo Coutinho, deve ter saído da sessão meio tonto e curioso por não saber qual personagem dizia a verdade e qual interpretava a mesma cena, o mesmo discurso; é um filme dois em um, ou melhor, o mesmo diálogo para dois personagens interpretarem.

O diretor brinca com os pólos divergentes constantemente em A ROSA PÚRPURA DO CAIRO; a realidade e a ficção se aglutinam de tal forma tornando o real e o imaginário, personagem do filme e fora dele, únicos. Realidade e ficção con-(fundem-se)!

Realidade porque há homens que exploram as mulheres, gastam todo o dinheiro do trabalho delas em jogos, bebidas, ainda batem nelas e além de tudo tem coragem de as traírem.

Também há mulheres que não suportam o seu casamento, mas não têm coragem de cair fora por medo do parceiro e com isso ficam sonhando em encontrar o verdadeiro amor.

E a ficção é que nenhum personagem pode sair das telas porque se apaixonou por um expectador e nenhum expectador pode entrar pela tela de cinema com um personagem de um filme e passear pelas cidades cinematográficas e depois sair por ela novamente como se nada tivesse acontecido, e ainda por cima os outros personagens conversam com as pessoas reais que estão na sessão esperando a volta do outro personagem, pois não podiam continuar sem ele porque era o protagonista. É ficção povoando o imaginário; isso nunca aconteceu e nunca vai acontecer porque personagens interpretam, não têm vida própria. É criação; é o mundo imaginário. Porém pode acontecer no nosso imaginário tal real...

A Rosa Púrpura do Cairo (Purple Rose of Cairo, The, 1985) » Direção: Woody Allen» Roteiro: Woody Allen» Gênero: Comédia/Fantasia/Romance» Origem: Estados Unidos» Duração: 84 minutos» Tipo: Longa-metragem» Trailer: clique aqui

» Sinopse: Durante os anos da Grande Depressão nos Estados Unidos, Cecilia é uma garçonete que, depois de despedida do emprego, passa a se distrair vendo sucessivamente o filme "A Rosa Púrpura do Cairo", até que presencia o dia em que seu ator principal literalmente sai da tela do cinema para viver a vida real. Os executivos de Hollywood ficam loucos com o ator, querendo impedir que ele continue saindo de outras salas de projeção, enquanto ele passa a ter um caso com Cecilia.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Meu Verso

MEU VERSO

Meu verso é meu riso
Meu prazer,
Alegria e tristeza
Está comigo para o que
Der e vier.
Meu verso é
Meu estado de espírito
Meu juízo
Meu interior em chama
Mentir
Meu exterior em calma
Sentir
Ambos se completam
Em nome da razão.

Meu verso nem mesmo é versado
Nem rebuscado
É sim modesto, confuso,
Acanhado...
Eunice

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Austrália


Frases que anotei deste filme:

Se você não quer amor no coração, você não tem nada.

Seu sonho não tem história.


Uma coisa eu sei: contar histórias. E é o mais importante de tudo.

Sempre.

E assim que fazemos as pessoas nos pertencerem sempre.


Porque eu não sou branco
E também eu não sou negro
Sou mestiço
Um vira-latas.
Não pertenço a ninguém.


Cinema que mostra cinema: Neste filme Austrália mostra o filme O Mágico de OZ.


Sinopse

Uma aristocrata inglesa (Nicole Kidman) é a herdeira de um grande rancho. À medida que um barão inglês do gado procura comprar as terras da mulher, ela, de maneira relutante, se alia a um vaqueiro (Hugh Jackman) com o objetivo de retirar as suas cabeças de gado do local. Essa viagem, porém, os levará a Darwin, cidade australiana prestes a ser bombardeada pelas forças japonesas, no começo da Segunda Guerra Mundial.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Filosofia? Comecei a ler Descartes

Leia mais aqui.

E com Descartes dá a entender era preciso ir para a frente. Ele é considerado o fundador da filosofia moderna. No seu estilo claro mas pleno de construções, demonstrações e imagens ele nos dá as quatro regra do método:

a) jamais acolher algo como verdadeiro, a não ser que seja absolutamente evidente, e não acolher no juízo o que não seja claro e indubitável. É a regra da evidência.

b) a segunda regra, que tem um jeito matemático , diz para dividir as dificuldades em quantas partes fosse possível e necessário para resolvê-las.

c) a terceira regra é conduzir com ordem os pensamentos, começando com os mais simples e indo para os mais complicados, dos mais fáceis de conhecer para os compostos. Descartes também afirma, em outro trecho, que não se fia nos primeiros pensamentos. Na terceira regra é preciso fazer uma síntese da realidade complexa, que foi decomposta em partes menores.

d) a última consiste em fazer em toda a parte enumerações e revisões completas, para nada se omitir.

sábado, 25 de julho de 2009

As Tebas de Todos Nós (Poesia)

Intertextualidade

As Tebas de Todos Nós (Poesia)

Em Tebas tremem os tiranos,
Almas libertadas sem dor,
Corpos cativos sem amor,
Na solidão dos falsos arcanos.

Ao vento o sopro, o ardor,
A espera dos sonhos contidos,
A cegueira dos fatos omitidos,
No tempo o preço, o temor.

Te busco nesse universo falido,
Não importa o passar dos anos,
Pois na terra governam insanos,
A Tebas de um coração partido.

Roberto Souza

As Tebas de Todos Nós (Poesia)

Tebas, muito mais que espinho na carne
Dilacera a alma, causa rancor
Sem falar em ressentimento e desamor
Resgatemos a dignidade, e as mãos, desarmem!

Vento leve brinca, baila no ar
Boas novas, esperanças renovar
Desvenda sonhos contidos no olhar
Tempo cura, sara, valor incontestável pagar.

Te encontrei neste mundo renovado
Gastei todo o tempo necessário
Desta terra que meu coração governa
Devolvendo com juros a Tebas e sua caserna...

Tebas é um lugar que já não existe.

Eunice Bernal

In stand by - Tropa de Elite 2

Tropa de Elite 2

Segundo a coluna Mônica Bergamo, no jornal Folha de São Paulo, Tropa de Elite 2 mostrará a crimilidade entre as pessoas poderosas no Brasil.Sobre o Capitão Nascimento (Wagner Moura, de Romance), ainda de acordo com a jornalista, ele aparecerá mais velho e, desta vez, como funcionário da Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro.
Teremos mais uma mudança na sequência, mas agora nas cópias que serão distribuídas. Bergamo publicou que a intenção da produção é não fazer pré-estreia e sem sessões para críticos. Tudo isso para sentir a reação do público e não da imprensa.
Além de Wagner Moura, Selton Mello (Meu Nome Não é Johnny) também está confirmado no elenco de Tropa de Elite 2. Fernanda Machado, que viveu estudante Maria no primeiro filme, já está em negociações.
Bráulio Mantovani (Última Parada 174) está a cargo do roteiro, que ainda se encontra na fase de desenvolvimento, mas já há previsão para o começo das filmagens, janeiro de 2010.
Tropa de Elite já foi exibido em vários países e ganhou o Urso de Ouro no último Festival de Berlim. Foi o filme nacional mais visto nos cinemas brasileiros em 2007.(Da redação do site Cineclick)

terça-feira, 21 de julho de 2009

A Língua Portuguesa é a Minha Pátria

http://www.youtube.com/watch?v=n2KttEYpURI&eurl=http%3A%2F%2Fletras%2Eterra%2Ecom%2Ebr%2Fcaetano%2Dveloso%2F44738%2F&feature=player_embedded

Língua

Caetano Veloso

Língua
Caetano Veloso
Gosta de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixe os Portugais morrerem à míngua
“Minha pátria é minha língua
”Fala Mangueira! Fala!

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?

Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas! Cadê?
Sejamos imperialistas!
Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda
E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate
E – xeque-mate – explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homem
Lobo do lobo do lobo do homem
Adoro nomesNomes em ã
De coisas como rã e ímãÍmã ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã
Nomes de nomes
Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabée Maria da Fé
Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?

Se você tem uma idéia incrível é melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão
Blitz quer dizer corisco
Hollywood quer dizer Azevedo
E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o Recôncavo meu medo
A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria, tenho mátria
E quero frátria
Poesia concreta, prosa caótica
Ótica futuraSamba-rap, chic-left com banana
(– Será que ele está no Pão de Açúcar?
– Tá craude brô– Você e tu– Lhe amo–
Qué queu te faço, nego?
– Bote ligeiro!– Ma’de brinquinho, Ricardo!?
Teu tio vai ficar desesperado!–
Ó Tavinho, põe camisola pra dentro, assim mais pareces um espantalho!
– I like to spend some time in Mozambique
– Arigatô, arigatô!)
Nós canto-falamos como quem inveja negros
Que sofrem horrores no Gueto do Harlem
Livros, discos, vídeos à mancheia
E deixa que digam, que pensem, que falem.

Essa letra é formidável, não acha?

sábado, 18 de julho de 2009

O VESTIDO – Esse Obscuro Objeto do Desejo

O VESTIDO – Esse Obscuro Objeto do Desejo

Carlos Drummond de Andrade é o meu poeta brasileiro preferido. O Caso do Vestido, é um de seus poemas que considero fascinante e intrigante. Ele é composto de 150 versos distribuídos em 75 estrofes de dois versos cada. É um poema que tem HISTÓRIA, que conta várias histórias tendo como protagonista um objeto que é um VESTIDO.

Eis o poema:

CASO DO VESTIDO
Nossa mãe, o que é aquele
vestido, naquele prego?

Minhas filhas, é o vestido
de uma dona que passou.

Passou quando, nossa mãe?
Era nossa conhecida?

Minhas filhas, boca presa.
Vosso pai evém chegando.

Nossa mãe, dizei depressa
que vestido é esse vestido.

Minhas filhas, mas o corpo
ficou frio e não o veste.

O vestido, nesse prego,
está morto, sossegado.

Nossa mãe, esse vestido
tanta renda, esse segredo!

Minhas filhas, escutai
palavras de minha boca.

Era uma dona de longe,
vosso pai enamorou-se.

E ficou tão transtornado,
se perdeu tanto de nós,

se afastou de toda vida,
se fechou, se devorou,

chorou no prato de carne,
bebeu, brigou, me bateu,

me deixou com vosso berço,
foi para a dona de longe,

mas a dona não ligou.
Em vão o pai implorou.

Dava apólice, fazenda,
dava carro, dava ouro,

beberia seu sobejo,
lamberia seu sapato.

Mas a dona nem ligou.
Então vosso pai, irado,

me pediu que lhe pedisse,
a essa dona tão perversa,

que tivesse paciência
e fosse dormir com ele...

Nossa mãe, por que chorais?
Nosso lenço vos cedemos.

Minhas filhas, vosso pai
chega ao pátio. Disfarcemos.

Nossa mãe, não escutamos
pisar de pé no degrau.

Minhas filhas, procurei
aquela mulher do demo.

E lhe roguei que aplacas
sede meu marido a vontade.

Eu não amo teu marido,
me falou ela se rindo.

Mas posso ficar com ele
se a senhora fizer gosto,

só pra lhe satisfazer,
não por mim, não quero homem.

Olhei para vosso pai,
os olhos dele pediam.

Olhei para a dona ruim,
os olhos dela gozavam.

O seu vestido de renda,
e colo mui devassado,

mais mostrava que escondia
as partes da pecadora.

Eu fiz meu pelo-sinal,
me curvei... disse que sim.

Sai pensando na morte,
mas a morte não chegava.

Andei pelas cinco ruas,
passei ponte, passei rio,

visitei vossos parentes,
não comia, não falava,

tive uma febre terçã,
mas a morte não chegava.

Fiquei fora de perigo,
fiquei de cabeça branca,

perdi meus dentes, meus olhos,
costurei, lavei, fiz doce,

minhas mãos se escalavraram,
meus anéis se dispersaram,

minha corrente de ouro
pagou conta de farmácia.

Vosso pais sumiu no mundo.
O mundo é grande e pequeno.

Um dia a dona soberbam
e aparece já sem nada,

pobre, desfeita, mofina,
com sua trouxa na mão.

Dona, me disse baixinho,
não te dou vosso marido,

que não sei onde ele anda.
Mas te dou este vestido,

última peça de luxo
que guardei como lembrança

daquele dia de cobra,
da maior humilhação.

Eu não tinha amor por ele,
ao depois amor pegou.

Mas então ele enjoado
confessou que só gostava

de mim como eu era dantes.
Me joguei a suas plantas,

fiz toda sorte de dengo,
no chão rocei minha cara,

me puxei pelos cabelos,
me lancei na correnteza,

me cortei de canivete,
me atirei no sumidouro,

bebi fel e gasolina,
rezei duzentas novenas,

dona, de nada valeu:
vosso marido sumiu.

Aqui trago minha roupa
que recorda meu malfeito

de ofender dona casada
pisando no seu orgulho.

Recebei esse vestido
e me dai vosso perdão.

Olhei para a cara dela,
quede os olhos cintilantes?

quede graça de sorriso,
quede colo de camélia?

quede aquela cinturinha
delgada como jeitosa?

quede pezinhos calçados
com sandálias de cetim?

Olhei muito para ela,
boca não disse palavra.

Peguei o vestido, pus
nesse prego da parede.

Ela se foi de mansinho
e já na ponta da estrada

vosso pai aparecia.
Olhou pra mim em silêncio,

mal reparou no vestido
e disse apenas: — Mulher,

põe mais um prato na mesa.
Eu fiz, ele se assentou,

comeu, limpou o suor,
era sempre o mesmo homem,

comia meio de lado
e nem estava mais velho.

O barulho da comida
na boca, me acalentava,

me dava uma grande paz,
um sentimento esquisito

de que tudo foi um sonho,
vestido não há... nem nada.

Minhas filhas, eis que ouço
vosso pai subindo a escada.
Carlos Drummond de Andrade
Uma obra literária EM VERSOS, transformada em um belíssimo filme nacional: O VESTIDO dirigido por Paulo Thiago, roteirizado por ele e por Haroldo Marinho Barbosa.

A literatura é TÃO imprescindível e fundamental quanto a música, o cinema entre outras manifestações artísticas. E falar em literatura vale lembrar que toda poesia nem sempre é de fácil compreensão, interpretação ou tradução. Ser considerada obra aberta, não significa que ela possa ser escancarada.

Em se tratando de cinematografia, tornou-se lugar comum o encontro de duas linguagens (literatura e cinema), os textos literários em prosa transformados em belíssimos filmes. Não querendo entrar no mérito de grau de igualdade, inferioridade ou superioridade, ou melhor, se o filme superou ou não a literatura, e vice-versa, não deixando de ser um assunto relevante, porém para outro momento.

O poema O Caso do Vestido do Drummond, é inédito, que eu saiba, saindo das páginas líricas, e sendo transformado primeiramente num ótimo romance pelas mãos de Carlos Herculano considerado um dos mais talentosos da nova geração, vencedor de vários prêmios literários e posteriormente um argumento para roteiro do filme proposto pelo cineasta Paulo Thiago que, como eu, é também fã do poeta Drummond. É claro que o romancista mineiro Herculano topou, graças a ele, temos somado ao cinema nacional um dos filmes mais brilhantes e formidáveis lançado em 2004 que é esse homônimo - O VESTIDO.

E a storyline ficou ótima: A descoberta de um antigo vestido faz com que duas irmãs decidam investigar o passado de sua família. Sem falar nas ótimas atuações de todo o elenco escolhido a dedo: Gabriela Duarte, Ana Beatriz Nogueira, Leonardo Vieira, Paulo José e Daniel Dantas.

E a sinopse não ficou para trás: Por acaso duas meninas descobrem, no porão de sua casa, um velho e lindo vestido de festa. Curiosas, elas querem saber corno o vestido foi parar ali, principalmente após verem sua mãe chorando com o mesmo entre as mãos. Elas iniciam então uma investigação, que pode responder ainda outra pergunta: por que sempre à mesa, nas refeições, havia um prato reservado ao pai, que as havia abandonado há muitos anos?

Do poema para o romance e do romance para o cinema, Carlos Herculano Lopes cumpre a proposta e escreve um romance épico de amor e paixão na Minas Gerais dos anos 40, recheando-o com outros personagens e um enredo tão envolvente quanto o do poema. Foi, segundo ele, um desafio interessante escrever este romance.(“O Vestido”, BRA, 2004, 121 min)

O cinema brasileiro nunca esteve tão bom quanto agora; impecável, e o Vestido é intenso e envolvente. O filme é tão sublime quanto o poema. É um leve dois e pague um. Uma obra-prima e mais uma vez Paulo Thiago fez escolha acertada, já que em 2002, ano do centenário do Poeta Carlos Drummond de Andrade, o cineasta lançou o documentário POETA DE SETE FACES.

Lembrando que 2002 foi o ano de centenário do poeta, e até eu me inspirei no poema QUADRILHA para escrevinhar algo do gênero Dramaturgia.
Eunice

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Teatro, a gente se vê por aqui - Desmascarados

Ser diferente deveria ser normal, ter diferenças, principalmente neste nosso país, o BRASIL, pois somos o resultado das misturas dos povos, credos, culturas, enfim, a soma de tudo, a miscigenação ampla, geral e irrestrita. Somos o país das diversidades.

*****
(DES) MASCARADOS ou ser diferente é normal

LEITURAS DRAMATIZADAS - 22 personagens


Censura: LIVRE

Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com nomes, fatos ou situações da vida real, é mera coincidência.

(Texto de abertura)

NARRADOR

Todo ser humano é igual em muitos aspectos: nascem, crescem, se reproduzem, vivem até uma determinada idade e morrem. Todos comem, bebem, se divertem, dormem, se penteiam, fazem suas necessidades fisiológicas, transpiram, sentem frio, sentem calor, amam, odeiam, sentem medo, são tímidos, são extrovertidos, riem, são desprezados, enfim, são tão parecidos, tão iguais em muitas coisas, em vários aspectos. Cada pessoa é o escritor de sua própria história. Tem livre-arbítrio, faz suas escolhas.

Mas não existe no mundo dois seres iguais, nem mesmo gêmeos idênticos. Todos têm suas diferenças, qualidades, defeitos, opiniões, dons, qualidades intelectuais, morais, religiosas, culturais, regionais, éticas, familiares... diferenças em muitos aspectos. E é disso que vamos falar.

Todo ser humano, tem necessidades básicas de comer, beber e dormir; mas são completamente diferentes nos aspectos internos, no seu modo de pensar, de falar, de agir de decidir etc. É como se cada ser tivesse em seu guarda-roupas além das coisas básicas, para o seu dia-a-dia, também máscaras, fazendo parte do seu vestuário.

Podemos pensar tudo o que quisermos, mas nem tudo o que pensamos podemos dizer. Se por exemplo eu estivesse com raiva de um bandido que acabou de me assaltar e em minha mente eu pensasse o seguinte “se eu tivesse uma arma neste momento eu mataria esse assaltante”, estaria usando nesse momento máscara da maldade., uma das máscaras que compõe o meu guarda-roupa; se eu tivesse inveja de alguém e me fingisse de amigo dele, estaria usando a máscara da falsidade, e assim por diante.

Em nosso armário há todos os tipos de máscaras: o da alegria, da felicidade, o da tristeza, da raiva, do ódio, do amor. Metaforicamente falando somos todos mascarados e um dia a máscara cai, (um dia tiramos a máscara e mostramos quem realmente somos). É o mesmo que dizer que somos diferentes um dos outros. É claro que há pessoas que usam a mesma máscara para o resto de suas vidas, mas há pessoas que trocam de máscara como se trocasse de camisa. Talvez seja até para combinar, a cor, o estilo, a moda ou algo do gênero. Vale lembrar aqui que algumas das diferenças ou diversidades, muitas vezes gera o pre-conceito, permeia ao preconceito. Ser diferente, às vezes, incomoda pessoas, que vê como uma doença social contagiosa.

Muitas vezes não sabemos conviver com as diferenças; mas é necessário aprender e respeitar. O importante é ser solidário sempre, amar e ajudar ao próximo, pois fazendo isso, estaremos fazendo um grande bem para nós mesmos.
Ser diferente, na sua opinião é normal ou anormal?

Quero brindar com vocês as diferenças e desigualdades de nosso país, que apesar de tudo é ainda o melhor país para se viver. VIVA O BRASIL! VIVA TODOS OS TIPOS DE DIFERENÇAS! VIVA A DIVERSIDADE! VIVA O POVO BRASILEIRO.
Eunice Bernal

VIDA LONGA AO REI


Roberto Carlos, querendo ou não, é o rei da MUSICA POPULAR BRASILEIRA.
Suas canções são, indiscutivelmente, parte da cultura nacional.
Te amo, meu REI! Parabéns ao rei pelos 50 anos de música!

Eis duas canções que gosto de ouvir a qualquer momento:

*****

CAVALGADA

Roberto e Erasmo

Vou cavalgar por toda a noite
Por uma estrada colorida
Usar meus beijos como açoite
E a minha mão mais atrevida

Vou me agarrar aos seus cabelos
Pra não cair do seu galope
Vou atender aos meus apelos
Antes que o dia nos sufoque

Vou me perder de madrugada
Pra te encontrar no meu abraço
Depois de toda a cavalgada
Vou me deitar no seu cansaço

Sem me importar se neste instante
Sou dominado ou se domino
Vou me sentir como um gigante
Ou nada mais do que um menino

Estrelas mudam de lugar
Chegam mais perto só pra ver
E ainda brilham de manhã
Depois do nosso adormecer

E na grandeza deste instante
O amor cavalga sem saber
E na beleza desta hora
O sol espera pra nascer.

*****
OUTRA VEZ

Roberto Carlos (Isolda)

Você foi
O maior dos meus casos
De todos os abraços
O que eu nunca esqueci
Você foi
Dos amores que eu tive
O mais complicado
E o mais simples prá mim...

Você foi
O melhor dos meus erros
A mais estranha história
Que alguém já escreveu
E é por essas e outras
Que a minha saudade
Faz lembrar
De tudo outra vez...

Você foi
A mentira sincera
Brincadeira mais séria
Que me aconteceu
Você foi
O caso mais antigo
E o amor mais amigo
Que me apareceu...

Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim
Sinto você bem perto de mim
Outra vez...

Me esqueci
De tentar te esquecer
Resolvi
Te querer, por querer
Decidi te lembrar
Quantas vezes
Eu tenha vontade
Sem nada perder...

Você foi
Toda a felicidade
Você foi a maldade
Que só me fez bem
Você foi
O melhor dos meus planos
E o maior dos enganos
Que eu pude fazer...

Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim!
Sinto você bem perto de mim
Outra vez....

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Dedico esta música para SÓ VOCÊ

Do Vinicius Cantuária

http://www.youtube.com/watch?v=_AFATin7mWg


Só Você

Vinicius Cantuaria

Composição: Vinicius Canturária

Demorei muito pra te encontar
Agora eu quero só você
Teu jeito todo especial de ser
Fico louco com você
Te abraço e sinto
Coisas que eu não sei dizer
Só sinto com você
Meu pensamento voa de encontro ao teu
Será que é sonho meu?
Tava cansado de me preocupar
Tantas vezes eu dancei
E tantas vezes que eu só fiquei
Chorei, chorei
Agora eu quero ir fundo lá na emoção
Mexer teu coração
Salta comigo alto e todo mundo vê
Que eu quero só você
Eu quero...Só você... só você
Te abraço e sinto
Coisas que eu não sei dizer
Só sinto com você
Meu pensamento voa de encontro ao teu
Será que é sonho meu?
Tava cansado de me preocupar
Tantas vezes eu dancei
E tantas vezes que eu só fiquei
Chorei, chorei
Agora eu quero ir fundo lá na emoção
Mexer teu coração
Salta comigo alto e todo mundo vê
Que eu quero só você
Eu quero...Só você... Só você

Preparando-me para um novo concurso

UFRJ, me aguarde, a boa filha à casa torna. Sinto saudades dos colegas e do ambiente de trabalho. Se passar abandono o Magistério.

Estou na Fase de inscrição. Será que passo? A prova está marcada para o dia 20 / 09 - domingo.

As inscrições continuam abertas, e eu concorro com mais 09 candidatos para o cargo de TECNICOS EM ASSUNTOS EDUCACIONAIS. Pode ser qualquer nível superior. Tem muito mais coisas. Siga o link.

www.nce.ufrj.br/concursos


Este é um dos meus sonhos. Quem gosta de mim, torça para que eu consiga ser aprovada.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Salmo 27

Salmo de Davi

1 O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de quem me recearei?
2 Quando os malvados investiram contra mim, para comerem as minhas carnes, eles, meus adversários e meus inimigos, tropeçaram e caíram.
3 Ainda que um exército se acampe contra mim, o meu coração não temerá; ainda que a guerra se levante contra mim, conservarei a minha confiança.
4 Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei: que possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor, e inquirir no seu templo.
5 Pois no dia da adversidade me esconderá no seu pavilhão; no recôndito do seu tabernáculo me esconderá; sobre uma rocha me elevará.
6 E agora será exaltada a minha cabeça acima dos meus inimigos que estão ao redor de mim; e no seu tabernáculo oferecerei sacrifícios de júbilo; cantarei, sim, cantarei louvores ao Senhor.
7 Ouve, ó Senhor, a minha voz quando clamo; compadece-te de mim e responde-me.
8 Quando disseste: Buscai o meu rosto; o meu coração te disse a ti: O teu rosto, Senhor, buscarei.
9 Não escondas de mim o teu rosto, não rejeites com ira o teu servo, tu que tens sido a minha ajuda. Não me enjeites nem me desampares, ó Deus da minha salvação.
10 Se meu pai e minha mãe me abandonarem, então o Senhor me acolherá.
11 Ensina-me, ó Senhor, o teu caminho, e guia-me por uma vereda plana, por causa dos que me espreitam.
12 Não me entregues à vontade dos meus adversários; pois contra mim se levantaram falsas testemunhas e os que respiram violência.
13 Creio que hei de ver a bondade do Senhor na terra dos viventes.
14 Espera tu pelo Senhor; anima-te, e fortalece o teu coração; espera, pois, pelo Senhor.

sábado, 11 de julho de 2009

Борат!!!!!!

Борат!!!!!!!!!!!!

BORAT, o Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão.

Há tempos não me divertia como hoje assistindo a BORAT, esse bem-humorado e barulhento filme. (A última vez talvez tenha sido na sessão de O SENTIDO DA VIDA - Monty Python.)

Afinal, quem é BORAT? Um repórter, um humorista? Um repórter-terrorista? Simplesmente ele apareceu para aterrorizar o povo americano. Ele saiu de um país bem distante, chamado Cazaquistão a fim de fazer um documentário sobre hábitos, atitudes e costumes dos norte-americanos ou simplesmente fazer merchandising? Mistério...

Borat é um repórter que vai à America do Norte a trabalho, fazer uma espécie de documentário sobre esse país, mas na verdade a imagem que nos passa é de que está nos vendendo um pacote turístico de seu país – o Cazaquistão, cuja capital, ALMA-ATÁ(até 1997), hoje é a cidade de ASTANA na época em que era uma das repúblicas da antiga URSS. Alma-Atá é uma belíssima cidade que significa “A cidade das maçãs”, país que fala dois idiomas oficiais: o cazaque e o russo; uma das maiores reservas de petróleo não exploradas do mundo, e por aí vai... Daí não entender as contradições desse filme: O protagonista se apaixona justamente por uma atriz de filme pornô, e a sua irmã como ele mesmo dizia era uma rameira.


Se Borat é o segundo melhor repórter de seu glorioso país, imagine como deve ser o primeiro? A curiosidade em conhecê-lo aumenta.

Humor, ingênuo, às vezes; outras sarcásticas.

Não há como silenciar diante dessa comédia. Borat é um escracho.

Nem de longe Borat seria daqueles filmes de humor refinado, pelo contrário, é atrevido; mostra que cinema é uma forma de manifestar emoções, alegrias, tristezas, protestos, raiva... capaz de mexer com a nossa razão e emoção. Foi assim com o filme A PAIXÃO DE CRISTO de Mel Gibson que não há como segurar o choro, ou como no A CAMINHO DE GUANTÁNAMO, em que a reação mais comum seria de raiva dos yanques. Borat não podia ser diferente, mesmo nas situaçães hilárias em que o humor estava mais para OS TRAPALHÕES (na cena do galo dentro da mala); ou pastelão como em O GORDO E O MAGRO (na cena em que ele e seu amigo correm nus e uma a tarja preta cobrindo suas partes íntimas).

Talvez humor negro na residência do casal de judeus idosos quando Borat e seu amigo pensaram que seriam envenenados, mortos ou trucidados ou quando ele oferece dinheiro às baratas achando se tratar desse mesmo casal transformados? E na cena em que ele canta o hino nacional americano com a letra do hino nacional cazaque em forma de deboche? São muitos os questionamentos...

Borat é um filme simplesmente divertido do início ao fim. Borat é um personagem mundial; por onde passar será lembrado ou ser reconhecido em alguma situação, alguma cena ou alguma piada. E não há quem não diga “Já vi esse filme”, “Essa piada é velha”, talvez graças à globalização, as piadas tornaram-se universais. Borat não é novidade; é apenas mais um filme de humor. Mas por que está fazendo tanto sucesso? Talvez pela sua irreverência e seu cinismo.

O ator nem é lá tão engraçado assim como Jim Carrey, por exmplo, que mesmo em um filme sério nos passa o inverso. Talvez a receita de bolo fosse essa; o objetivo alçancado: basta consultar a número de espectadores na semana de lançamento.

Qual é o objetivo desse filme nas entrelinhas, nas suas “metáforas”? Um ator inglês alfinetando os americanos, pra quê? Não importa. O importante é que diverte. Apesar dos pesares a diversão é necessária.

Gostaria de conhecer um pouco mais dessa grande figura que é BORAT. Depois dele você não é mais o mesmo; eu já não sou a mesma. Um dia comprarei uma passagem para conhecer o exótico país Casaquistão.

Cinema é ainda a maior diversão.

Eunice Bernal

Borat Sagdiyev (em cazaque cirílico Борат Сагдиев) é um personagem de televisão criado pelo humorista britânico Sacha Baron Cohen. Originalmente criado para o Da Ali G Show — programa de televisão no qual Cohen interpreta um rapper escrachado e recebe convidados ilustres —, Borat, o segundo melhor jornalista do Cazaquistão, viaja pela Inglaterra e pelos Estados Unidos entrevistando diversas pessoas dos nichos mais extremados da sociedade, de sulistas americanos a feministas e figurões de elite da Rainha. O sucesso do repórter da Ásia Central rendeu um longa-metragem campeão de bilheteria na Europa e na América do Norte.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

AO ALUNO COM CARINHO


Declaração de amor - Amo a minha profissão e meus alunos. Vocês fazem parte da minha vida.
AO ALUNO DA VIDA, COM CARINHO

Você, aluno, amigo, companheiro, criança desta vida,
Que está ainda no início desta caminhada
Que é longa e muitas vezes árdua,
que está passando para uma nova fase,
Uma que se acaba
e outra que se iniciará em breve,
A construção do saber, do conhecimento da verdadeira
Escola que é essa vida
E você, companheiro, não é o futuro deste país,
como dizem,
Mas sim, o momento presente
A esperança, a alegria, a liberdade,
A realidade que faltava para
Concretizar todos os sonhos da
Humanidade que é de tornar
Este mundo cada dia melhor.

Só é possível a existência do passado e do futuro
pelo momento AGORA.
E este momento é VOCÊ que
está CONSTRUINDO!
Persevere, e jamais
deixe de sorrir para a vida.

Eunice

segunda-feira, 6 de julho de 2009

AppaloosA - Uma Cidade Sem Lei


Somente a sinopse de AppaloosA e algumas frases de efeito que lembram a minha infância.

Qualquer um que come carne gosta de Búfalos.

Nunca o tempo é muito.

O que eu devo fazer é o que me preocupa, não é o que os outros pensam.

Tem certas horas que você não quer que eu feche a minha boca.

Appaloosa - Uma Cidade sem Lei (Appaloosa)
Elenco: Ed Harris, Robert Knott, Viggo Mortensen, Renee Zellweger, Timothy V. Murphy.
Direção: Ed Harris
Gênero: Romance/Western
Duração: 108 min.
Distribuidora: Playarte Pictures
Estreia: 21 de Novembro de 2008

Sinopse: No Velho Oeste norte-americano, Virgil Cole e Everett Hitch, dois amigos e pistoleiros, são contratados para tomar conta de uma pequena cidade chamada Appaloosa. O vilarejo está sofrendo nas mãos de Randall Bragg, um brutal rancheiro sem respeito pela lei, que toma suprimentos, armas, cavalos e mulheres a seu bel prazer e que mandou matar o último xerife e seu auxiliar. A dupla, no entanto, acaba tendo sua luta complicada com a chegada de uma jovem viúva ao local.




quinta-feira, 2 de julho de 2009

A VIAGEM DO BALÃO VERMELHO

A VIAGEM DO BALÃO VERMELHO

A Viagem do Balão Vermelho é uma fábula sublime para crianças de 8 a 80 anos transformada em belíssimas imagens pelo diretor taiwanês HHH - Hou Hsiao-Hsien. Ele se baseou no filme que sempre admirou e que assistiu na infância, O BALÃO VERMELHO de Albert Lamorisse, sendo uma forma singela de homenageá-lo.

O filme de Albert Lamorisse ganhou o Oscar de melhor Roteiro Original na década de 50. É um conto sobre um menino solitário que encontra um balão vermelho na rua. O balão estava amarrado a um poste de iluminação e ao soltá-lo de sua “prisão” ele passa a acompanhá-lo pelas ruas de Paris, no metrô, nas avenidas, na escola e até a sua casa, como se fosse um cão de estimação que ganhou um dono. O filme de Lamorisse tem mais de 40 anos e continua fazendo a alegria e mantendo o encanto inerente ao imaginário infantil.

A Viagem do Balão Vermelho de 2007 é a recriação dessa história. Simon é um garoto de sete anos e tem como amigo um misterioso balão vermelho que segue-o por Paris. A mãe, Suzanne (Juliette Binoche), é uma atriz de marionetes que utiliza os seus talentos vocais para trazer à vida os espetáculos que ela escreve. Suzanne contrata uma jovem para tomar conta de seu filho. Essa jovem é uma estudante de cinema. Interessante essa prosopopéia, a idéia de um balão encontrar um menino e adotá-lo como amigo, e não o contrário.

O filme é um poema de amor; singelo, encantador, de uma pureza e simplicidade que emociona do início ao fim. Assistir a esse filme é viajar pela nossa memória trazendo à tona lembranças da nossa infância. O próprio adulto costuma dizer que fala com seus botões, onde, conclui-se que, não é nenhuma loucura conversar com plantas, com um ventilador, ou adotar um balão como amigo, ao invés de adotar um animal para companhia.

São tantos momentos tocantes e belos. Uma das cenas mais lindas do filme é quando o balão sobrevoa Paris como se estivesse procurando Simon, seu dono. Há outra cena mostrando a família reunida na sala de jantar e o balão observando pelo lado de fora da janela. Formidável e comovente. Realmente mexe com o nosso emocional.

E então, quer brincar de esconde-esconde numa nebulosa e depois pegar carona nesse lindo BALÃO VERMELHO? Viaje nessa história você também. Garanto que você vai se apaixonar e irá guardar de recordação para rever e lembrar sempre que sentir saudade.
Eunice

A VIAGEM DO BALÃO VERMELHO (Le Voyage du Ballon Rouge) - França, 2007
Direção: Hou Hsiao-Hsien.
Elenco: Juliette Binoche, Simon Iteanu, Fang Song, Hippolyte Girardot, Louise Margolin e Anna Si

sábado, 27 de junho de 2009

Angel-A

Angel-A

“O que conta é o que está no interior, não o exterior.” Luc Besson

Dizem que o ser humano é diariamente acompanhado por três anjos: dois bons e um mau.
Depois de assistir ao filme Angel-A tente descobrir qual dois três é que se materializa para ajudar o personagem encrencado.

Angel-A é um roteiro surpreendente e instigante mostrando os dois lados de uma mesma moeda, ou cara e coroa, corpo e alma, dois em um, de Luc Besson que também é o responsável pela direção e produção. É a história de André, um rapaz de 28 anos totalmente endividado e por isso é perseguido por perigosíssimos gângsteres que lhes dá um prazo mínimo de algumas horas apenas para quitar a alta dívida, caso contrário, ele sofrerá terríveis conseqüências.

André se vê sem saída, e seu desespero é infinito. A solução que ele encontra é o suicídio. Quando está preste a pular de uma das mais altas pontes de Paris, ele se depara com uma linda mulher, alta, loira, aos prantos e muito triste, também com a mesma intenção de deixar de viver.

A presença dessa misteriosa moça atrai a atenção de André, que a todo custo tenta convencê-la que isso que ela pretende fazer é loucura que não vale a pena. Há um jogo de palavras interessante entre eles, dando a entender que ambos são a mesma pessoa.
Ela acaba pulando e ele, ironia do destino, acaba resgatando-a e a salva do afogamento.

André e essa misteriosa mulher descobrem que têm muito mais coisas em comum, além da tentativa de suicídio, e vão se conhecendo aos poucos. Ela passa a segui-lo, na tentativa de ajudá-lo a mudar sua vida. Decide retribuir a ajuda de seu salvador. Os dois passam a noite tentando resolver seus problemas, além de um mistério que os cerca. Ele lhe conta que deve dinheiro a Deus e ao mundo e que esse era o motivo do seu desespero. Bem, ele precisava de um anjo. E Angel-A caiu do céu no momento certo.
O céu mandou um anjo e o anjo estava com ele; e o anjo era ele. Um dia um anjo apareceu na vida dele e teve a gentileza de julgá-lo. E esse anjo o amou mesmo não sendo grande coisa.
“Nós podemos fazer escolhas justas. Eu te amo quero passar o resto da minha vida com você. Minha vida é você. Você me ensinou o essencial, a não mentir. O que eu faço. Meu Deus? Eu estou morta?”

O filme é todo em preto e branco, com momentos singelos, tocantes e divertidos.
André e Angel-A são a mesma pessoa. Um é a extensão do outro. Angel-A é o anjo protetor que veio para ajudá-lo. É como aquela história de a outra metade da laranja. Só que um é um ser carnal; o outro angelical; o encontro do corpo com a alma. A simbologia significante e significado; linguagem completamente metafórica.

Angel-A é um anjo pornográfico. A forma que encontrou para solucionar os problemas de seu protegido seria como prostituta. Isso vai contra todos nossos conceitos concebidos de anjo em nossas mentes. Todas as leis do paraíso. Um ser sublime. Sem pecado ou mácula. Em uma só noite conseguiu uma fortuna em “programas” que daria para pagar toda a dívida de André e ainda sobraria um bom troco.

Para quem gosta de romance angelical, este é uma boa pedida; nos faz lembrar vagamente do formidável Asas do Desejo de Wim Wenders.

O filme é uma lição de amor, com muitos ensinamentos, principalmente o de não desistir da vida. É uma história de descobertas, encontrar a si próprio, buscar saídas. Acreditar em si mesmo, alimentar as esperanças, achar soluções para os problemas por mais difíceis que possam parecer. A busca da auto-estima e da felicidade constante.

Angel–A falando com André:

“- Sou seu reflexo, sou sua imagem. Eu sou você!”
CREDITOS

Título Original: Angel-A
Gênero: Comédia Romântica
Tempo de Duração: 88 minutos
Ano de Lançamento (França): 2005
Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson
Produção: Luc Besson
Música: Anja Garbarek
Fotografia: Thierry Arbogast
Desenho de Produção: Jacques Bufnoir
Figurino: Martine Rapin
Edição: Frédéric Thoraval
Efeitos Especiais: BUF

O filme surpreende do início ao fim. Ótimo é pouco.
Eunice

terça-feira, 23 de junho de 2009

GARAPA SEM PASTEL

GARAPA SEM PASTEL

“Comer é uma necessidade do estômago; beber é uma necessidade da alma.”
Victor Hugo

A linguagem de uma narrativa cinematográfica no formato documental é de extrema importância e valor já que é um constante aprendizado, acrescentando novas informações, somando experiências, matando curiosidades ou especulações de um determinado assunto de total ou parcial conhecimento, que se domina ou não.

Fazer um filme DOCUMENTÁRIO, a princípio, parecer ser algo fácil e simples, bastando uma idéia na cabeça e uma câmera na mão. Mas nada é o que parece ser. A dificuldade é tamanha, tal qual a uma superprodução recheada de efeitos especiais.

José Padilha, cineasta brasileiro, ganhador de muitos prêmios pelos seus filmes TROPA DE ELITE e ÔNIBUS 174, realizou recentemente um documentário intitulado GARAPA.

Garapa é uma bebida nacionalmente conhecida como caldo de cana. Garapa pode ser também qualquer bebida refrigerante mistura de água com açúcar.

O cinema DOCUMENTÁRIO é fascinante. O fascínio está na forma de abordagem, na temática e em todos os ingredientes inseridos. O fascínio daquilo que temos sede de aprender e apreender. E o aprendizado às vezes é doloroso; e a apreensão às vezes maltrata a alma.

Assistir ao documentário GARAPA, é preciso ter estômago de avestruz e sangue de barata. É um filme indigesto. Um filme VERDADEIRO. As verdades de nosso país muitas vezes varrido para debaixo do tapete. O problema existe, e finge-se não ouvir, ver e falar.

GARAPA mostra o drama de três famílias nordestinas miseráveis, e é considerado um dos mais contundentes retratos da fome no Brasil, tendo como único recurso alimentício a garapa (mistura de água com açúcar), e um auxílio de um pouco mais que R$ 50,00, repassado pelo programa bolsa-família ou Fome Zero. O filme é todo em preto e branco (o que torna o documentário menos chocante e violento), sem música, confetes ou serpentinas, tendo como protagonistas três mulheres batalhadoras e seus filhos como figurantes. A tristeza e o drama enfrentados diariamente por essas três famílias não param aí. São vários os fatores: o desemprego, a falta de saneamento, educação e lazer ou programa de controle familiar. Acostumados com a situação, vivem sem nenhuma expectativa.

A fome é um assunto mundial e parece não ter fim. É o pior tipo de violência. Não precisa citar a África, ela está aqui, ao nosso lado, o nosso vizinho, em nosso país.

É um documentário que veio para somar e sensibilizar a todos do grande problema que é essa forma de violência que considero a pior de todas: A FOME. Lembrando que há vários tipos de fome: fome de saber, de conhecimento, de amor, de solidariedade, de amizade, mas a de não ter um pão para se comer pela manhã, nunca comer uma fruta, nem água potável, passar por todo tipo de privação e humilhação, pedindo, esmolando é simplesmente o fim, a pior desgraça que o ser humano NÃO deveria enfrentar.

Para quem é sensível, se choca e passa mal com facilidade com o que fere e maltrata, com as mais diversas formas de violência, este filme não é aconselhável. NÃO ASSISTA em hipótese alguma. Que eu me lembre é o primeiro filme que a censura não é definida. A informação sobre ele diz CENSURA A DEFINIR. Talvez seja um tipo de aviso ao expectador como: CUIDADO, ou ATENÇÃO.

Vivendo e aprendendo e nunca mais ser o mesmo assistindo a documentários. Fará parte de sua história de vida, estará para sempre nas suas células, na mente ou no coração; de alguma forma te modificará. Repensar os valores da sociedade, a ética, seu espaço e liberdade, direito de ir e vir, as obrigações, os deveres, a impotência diante desse caos que não embevece, nem orgulha; entristece e envergonha.

E depois de assistir ao GARAPA o expectador nunca mais será o mesmo. E o assunto não se esgota aqui.
Eunice

quinta-feira, 11 de junho de 2009

MOMENTOS DE REFLEXÃO



MOMENTOS DE REFLEXÃO

01- Elogie três pessoas por dia.
02- Assista ao nascer do sol ao menos uma vez por ano.
03- Tenha um aperto de mão filme.
04- Olhe as pessoas nos olhos.
05- Cante no chuveiro.
06- Gaste menos do que ganha.
07- Saiba perdoar a si e aos outros.
08- Aprenda 03 piadas boas, mas inocentes.
09- Devolva tudo o que pegar emprestado.
10- Trate a todos como gostaria de ser tratado.
11- Faça novos amigos.
12- Saiba guardar segredos.
13- Não adie uma alegria.
14- Reconheça seus erros.
15- Sorria, não custa nada e não tem preço.
16- Ao orar, peça apenas coragem e sabedoria.
17- Dê as pessoas uma segunda chance.
18- Não tome nenhuma medida enquanto estiver zangado.
19- Dê o melhor de si em tudo o que executar.
20- Jamais prive uma pessoa da esperança; talvez ela só tenha isso.
21- Aprenda a arte de ouvir, porque não basta escutar.
Karenina Rostov

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Um pouco de PROSA e POESIA

VIDAS AMARGAS, MEDOS DIFUSOS
Onde estará o sol que nós aquecia?
Guardado, esperando o momento,
Brilhando longínqüo qual incenso,
Abençoando este futuro de alegria.

As certezas por nós são construídas,
Na atração irresistível dos desejos,
Na força carinhosa de doces beijos,
No abraço protetor que a faz querida.

Procuro sempre tua face na neblina,
Nas brumas do tempo, se escondida,
Se na pousada vejo um sorriso de menina,
Na morada descubro o encanto da mulher.

Tantas noites a dois, tantas histórias,
Tateando juntos longas madrugadas,
Ao amanhecer, o renascer em glória,
De corações servis destas cavalgadas.

Outros desafios, antigos segredos,
No toque mútuo o valor da alforria,
O prazer de propor novos enigmas,
O pacto de recriá-los todos os dias.

Se o caminho é longo, o que importa,
Ao seu final aguarda a maior riqueza,
Na travessia impetuosa da mudança,
O encontro natural da nossa certeza.

No lugar de bradar aos ventos,
Quero sussurrar ao teu ouvido,
Palavras de doçura e de alento,
Frases que invadem ao infinito.

Não será a cavalo, mas vindo num carro,
Não tenho armadura, somente as vestes,
Não há doença, apenas nossas crenças,
Não existe separação e sim a redenção.
*
Faces cruas exibindo vidas amargas,
Semblantes vívidos e medos difusos,
Quando a minha mão se fechar na tua,
Acenderemos até o lado escuro da Lua.
Roberto Souza

VIDAS AMARGAS, MEDOS DIFUSOS
O sol brilhará e nos aquecerá sempre
Independente de dias nublados
Mormaço no momento presente
Acredite, futuramente abençoado.

A paixão pouco a pouco tomando forma
Porque a cada despertar o desejo aumenta
Querer a presença amada tornou-se norma
Proteger quem amamos a alma acalenta.

Por todos os cantos da cidade te procuro
Nos bares, nas praças, nas esquinas, vinda e ida
Em cada olhar de menino sua presença no escuro
Aos poucos dando espaço ao homem da minha vida

Pouco tempo e construímos tantas histórias
Começou bom em curto espaço e é maravilhoso
Imagine só tudo o que reteremos na memória
Em outros momentos juntos relembrar será gostoso.

O amor um desafio novo, segredos a revelar
É importante e necessário ser sincero
Ser criativo, original, o prazer renovar
A cumplicidade, o pacto selar o que mais quero.

Se o amor acontece quero o longo caminho
Porque amor é tudo, a maior riqueza
Atravessar obstáculos enfrentar os espinhos
Queremos ser amados e a nossa certeza.

No lugar dos ventos, prefiro seus alentos
Ouvir ao pé do ouvido declaração de amor
Minha alma precisa, todos os momentos
Não pode mais viver sem o teu calor.

O modo de chegada não importa
O modo que fala, anda, veste também não
O que importa é a crença, a felicidade, a emoção
O coração tem a certeza desse querer, ele suporta.

Certamente que existe o medo
Do novo, do desafio do que não é tão certo
Não sabemos qual será o nosso futuro: incerto?
Um ao outro o que queremos neste momento.
Eunice Bernal

Veja Esta Canção

Ela tem história...

http://www.youtube.com/watch?v=7GX17qvrBtQ&feature=related

Muito Estranho (Cuida Bem de Mim)

Dalto

Composição: Cláudio Rabello / Dalto

Hum!
Mas se um dia eu chegar
Muito estranho
Deixa essa água no corpo
Lembrar nosso banho...

Hum!
Mas se um dia eu chegar
Muito louco
Deixa essa noite saber
Que um dia foi pouco...

Cuida bem de mim
Então misture tudo
Dentro de nós
Porque ninguém vai dormir
Nosso sonho...

Hum!
Minha cara prá que
Tantos planos
Se quero te amar e te amar
E te amar muitos anos...

Hum!
Tantas vezes eu quis
Ficar solto
Como se fosse uma lua
A brincar no teu rosto
Cuida bem de mim
Então misture tudo
Dentro de nós
Porque ninguém vai dormir
Nosso sonho...(2x)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Eu sei o que vocês fizeram no ano passado

É verdade. no ano passado homenageamos o maior escritor do Brasil: Machado de Assis.

http://www.youtube.com/watch?v=YphuVxsWwU4


E neste ano de 2009, elas não devem parar!


Letra do samba-enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel - Carnaval 2009

“Mocidade apresenta: Clube Literário – Machado de Assis e Guimarães Rosa…
Estrelas em Poesia!”

Reluzente, estrela de um encontro divinal
Risca o céu em poesias
Traz a magia pra reger meu Carnaval
Despertam das páginas do tempo
Romances, personagens, sentimentos…
Machado de Assis que fez da vida sua inspiração
Um literato iluminado
As obras, um destino a superação
Nos olhos da arte, reflete o legado
Do gênio imortal, do bruxo amado
Que deu ao jornal, um tom verdadeiro
Apaixonado pelo Rio de Janeiro
A canção do meu sarau, te faz sonhar

A emoção vai te levar
A estrela adormece, na paz do amor
Abençoado um novo sol brilhou
O vento traz Rosa de Minas

Rosa do mundo pra te encantar
Palavras que tocam a alma
Fascinam e tem poder de curar
Pelas veredas do sertão, a fé, o povo em oração
Pedindo a santa em romaria, pra chover em nosso chão
Mistérios na vida desse escritor
Revelam histórias de um sonhador
Brasil de tantas artes, nas letras sedução
Herança em cada coração
Mocidade, a sua estrela sempre vai brilhar

Um show de poesia, em nossa academia
Saudade em verso e prosa vai ficar

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Violência Gratuita

(Funny Games)

Dois mais dois são quatro. Cinco mil anos para se entender isso. Sempre haverá violência gratuita. Em nenhum tempo se entenderá isso.

São tantos os tipos e modos de violência, em todos os tempos e todos os lugares. A violência verbal é só uma delas, e é tão agressiva quanto a física: ambos ferem e machucam como o machado. Mas o objetivo aqui não é listá-los.

Esta semana acompanhou-se pelos meios de comunicação mais alguns casos de VIOLÊNCIA GRATUITA que chamou a atenção. Uma delas tendo como protagonista uma brasileira grávida fora de seu país agredida por três rapazes (a versão desse fato ainda não está esclarecida; independente do que aconteceu realmente não tira o mérito de um ato de extrema violência); a outra aconteceu com uma menina de cinco anos, morta porque chorou ao ver seu pai sendo assassinado. Parece que ninguém mais se choca quando presencia algo do gênero; age-se como imunes e vacinados, não demonstrando reação de revolta, raiva ou qualquer sentimento de pena ou culpa. Talvez pela própria impotência: fazer o quê? Isso é fato. É real. E cada um com o seu individualismo.

E sempre se falou que a arte imita a vida. Ou a vida é que imita a arte? Há uma inversão de valores. A vida já não vale nada. A arte é ficcional. A arte baseia-se no real. O conceito de estética cinematográfica como sinônimo de entretenimento há muito já não existe. As novas mudanças são facilmente reconhecidas no cinema inovador do austríaco Michel Haneke. Ele, em seu filme Funny Games NÃO deixa o expectador ficar à vontade. Certamente se você ainda não assistiu ficará perturbado e chocado com a trama. A história é banal, só que envolve o expectador de tal maneira que o torna praticamente conivente e cúmplice das as situações de violência.

Só de se pegar o filme, já sabendo de antemão a sua sinopse, um thriller provocante e brutal de uma família em férias que recebe a inesperada visita de dois jovens profundamente perturbados, torna-se responsável por aquilo que se assiste. A partir daí as férias de sonhos dessa família se transforma em pesadelo quando são sujeitados a inimagináveis terrores e provações para continuarem vivos. A violência é sutil, ela é apenas sugerida. Paul e Peter, personagens impecavelmente vestidos de branco, a cor que simboliza pureza, iniciam seus jogos de sadismo e horror com a família (homem, mulher, o filho e o cão) sempre intitulados com frases de duplo sentido, engraçadas infantis, chegando a ser um JOGO ENGRAÇADO, brincadeira de criança.

O fato inusitado nesta história que Haneke presenteia seu público começa quando Peter, o líder da dupla delinqüente, fala com a câmera com a certeza da presença do expectador, não pura e simplesmente como um voyeur, mas com a certeza de que ELE faz parte desse jogo e é conivente, não estando ao lado da família, mas apoiando toda a maldade que ali se instalou e impera. Às vezes um deles dá umas piscadas como que autorizando e confirmando com o espectador a aceitar essa condição, lembrando-o de vez em quando que está vendo um filme e, pior do que isso, colocando-o na inusitada posição de cúmplice passivo do ato de violência.

Bem ou mal, quem o assiste acaba fazendo parte da narrativa. É um filme não confortável porque quase que obriga a fazer parte da história e tomar partido dela. Parece que o real e o imaginário fundem-se. A tal linha tênue que separava ambos não existe aqui.

É uma receita velha para ingredientes novos. O cinema com uma nova roupagem, novos elementos instigantes que nos prendem a atenção. Apesar de o título VIOLÊNCIA GRATUITA (a tradução faz sentido), porém, ela quase não é mostrada. E é isso que torna o filme mais genial e inteligente do que ele deveria ser. Tudo é sugerido. Quando vai acontecer algo de terrível e violento a câmera não mostra, se ouve apenas sons dizendo que algo ruim aconteceu. E o resto fica por conta dos devaneios de quem assiste. Tem que refletir. Ou melhor, isso não é necessário.
Uma vez usado o tempo ele não volta mais. Daqui a pouco o agora será passado. Em Violência Gratuita, pode-se retroceder. Pode se alterar a história, ressuscitar os mortos; pode se pegar o controle remoto e fazer as mudanças necessárias. Na arte tudo é possível. Basta querer. Um filme ousado. Gosto disso.

Eis alguns bons motivos para se conferir a mais essa jogada do mestre Haneke. Uma obra prima.
***
Violência GratuitaFunny Games USReino Unido / EUA / França, 2007 -
107 min
Suspense / Drama
Direção:Michael Haneke
Roteiro:Michael Haneke
Elenco:Naomi Watts, Michael Pitt, Tim Roth, Brady Corbet, Boyd Gaines, Siobhan Fallon e Devon Gearhart

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Em agosto, se Vênus me ajudar...

A Unidade Escolar 432 homenageará neste ano letivo de 2009 a poetisa Cora Coralina no já consagrado Concurso de Poesia

E vamos à 9a. Edição!

Homenagem a Cora Coralina

Em 20 de agosto de 1889, nascia em Goiás, Ana Lins dos Guimarães Peixoto. Conhecida como Cora Coralina.

Cora Coralina, a doce e ao mesmo tempo forte poetisa brasileira.

Cora teve sua estréia literária aos 76 anos de idade, mas seu afã era de alguém muito jovem e além do seu tempo.

Autodidata, a ausência de um ensino formal jamais a prejudicou. Contou apenas com uma professora particular por dois ou três anos do ensino primário, mas seu conhecimento cultural sempre esteve evidente.

Tornou-se uma poetisa indiscutível e nada convencional, jamais tolerou a rima, seus poemas, contos e prosas apresentam características marcantes do modernismo brasileiro.

“Ela declarou, mais de uma vez em entrevistas e depoimentos preservados por meio magnético, que só foi capaz de fazer poesia depois das conquistas dos modernistas, da adoção do verso livre”.

Deixo aqui, em homenagem, um pouquinho de Cora Coralina, lembrando que ela sempre exaltou sua confiança na juventude.

***
Aos Moços

Eu sou aquela mulhera quem o tempo muito ensinou.
Ensinou a amar a vida.
Não desistir da luta.
Recomeçar na derrota.
Renunciar a palavras e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos.
Ser otimista.
Creio numa força imanente
Que vai ligando a família humana
Numa corrente luminosa
De fraternidade universal.
Creio na solidariedade humana.
Creio na superação dos erros e angústias do presente.
Acredito nos moços.
Exalto sua confiança, generosidade e idealismo.
Creio nos milagres da ciência e na descoberta de uma
profilaxia futura dos erros e violências do presente.
Aprendi que mais vale lutar
Do que recolher dinheiro fácil.
Antes acreditar do que duvidar.
Cora Coralina