quinta-feira, 16 de julho de 2009

VIDA LONGA AO REI


Roberto Carlos, querendo ou não, é o rei da MUSICA POPULAR BRASILEIRA.
Suas canções são, indiscutivelmente, parte da cultura nacional.
Te amo, meu REI! Parabéns ao rei pelos 50 anos de música!

Eis duas canções que gosto de ouvir a qualquer momento:

*****

CAVALGADA

Roberto e Erasmo

Vou cavalgar por toda a noite
Por uma estrada colorida
Usar meus beijos como açoite
E a minha mão mais atrevida

Vou me agarrar aos seus cabelos
Pra não cair do seu galope
Vou atender aos meus apelos
Antes que o dia nos sufoque

Vou me perder de madrugada
Pra te encontrar no meu abraço
Depois de toda a cavalgada
Vou me deitar no seu cansaço

Sem me importar se neste instante
Sou dominado ou se domino
Vou me sentir como um gigante
Ou nada mais do que um menino

Estrelas mudam de lugar
Chegam mais perto só pra ver
E ainda brilham de manhã
Depois do nosso adormecer

E na grandeza deste instante
O amor cavalga sem saber
E na beleza desta hora
O sol espera pra nascer.

*****
OUTRA VEZ

Roberto Carlos (Isolda)

Você foi
O maior dos meus casos
De todos os abraços
O que eu nunca esqueci
Você foi
Dos amores que eu tive
O mais complicado
E o mais simples prá mim...

Você foi
O melhor dos meus erros
A mais estranha história
Que alguém já escreveu
E é por essas e outras
Que a minha saudade
Faz lembrar
De tudo outra vez...

Você foi
A mentira sincera
Brincadeira mais séria
Que me aconteceu
Você foi
O caso mais antigo
E o amor mais amigo
Que me apareceu...

Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim
Sinto você bem perto de mim
Outra vez...

Me esqueci
De tentar te esquecer
Resolvi
Te querer, por querer
Decidi te lembrar
Quantas vezes
Eu tenha vontade
Sem nada perder...

Você foi
Toda a felicidade
Você foi a maldade
Que só me fez bem
Você foi
O melhor dos meus planos
E o maior dos enganos
Que eu pude fazer...

Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim!
Sinto você bem perto de mim
Outra vez....

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Dedico esta música para SÓ VOCÊ

Do Vinicius Cantuária

http://www.youtube.com/watch?v=_AFATin7mWg


Só Você

Vinicius Cantuaria

Composição: Vinicius Canturária

Demorei muito pra te encontar
Agora eu quero só você
Teu jeito todo especial de ser
Fico louco com você
Te abraço e sinto
Coisas que eu não sei dizer
Só sinto com você
Meu pensamento voa de encontro ao teu
Será que é sonho meu?
Tava cansado de me preocupar
Tantas vezes eu dancei
E tantas vezes que eu só fiquei
Chorei, chorei
Agora eu quero ir fundo lá na emoção
Mexer teu coração
Salta comigo alto e todo mundo vê
Que eu quero só você
Eu quero...Só você... só você
Te abraço e sinto
Coisas que eu não sei dizer
Só sinto com você
Meu pensamento voa de encontro ao teu
Será que é sonho meu?
Tava cansado de me preocupar
Tantas vezes eu dancei
E tantas vezes que eu só fiquei
Chorei, chorei
Agora eu quero ir fundo lá na emoção
Mexer teu coração
Salta comigo alto e todo mundo vê
Que eu quero só você
Eu quero...Só você... Só você

Preparando-me para um novo concurso

UFRJ, me aguarde, a boa filha à casa torna. Sinto saudades dos colegas e do ambiente de trabalho. Se passar abandono o Magistério.

Estou na Fase de inscrição. Será que passo? A prova está marcada para o dia 20 / 09 - domingo.

As inscrições continuam abertas, e eu concorro com mais 09 candidatos para o cargo de TECNICOS EM ASSUNTOS EDUCACIONAIS. Pode ser qualquer nível superior. Tem muito mais coisas. Siga o link.

www.nce.ufrj.br/concursos


Este é um dos meus sonhos. Quem gosta de mim, torça para que eu consiga ser aprovada.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Salmo 27

Salmo de Davi

1 O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de quem me recearei?
2 Quando os malvados investiram contra mim, para comerem as minhas carnes, eles, meus adversários e meus inimigos, tropeçaram e caíram.
3 Ainda que um exército se acampe contra mim, o meu coração não temerá; ainda que a guerra se levante contra mim, conservarei a minha confiança.
4 Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei: que possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor, e inquirir no seu templo.
5 Pois no dia da adversidade me esconderá no seu pavilhão; no recôndito do seu tabernáculo me esconderá; sobre uma rocha me elevará.
6 E agora será exaltada a minha cabeça acima dos meus inimigos que estão ao redor de mim; e no seu tabernáculo oferecerei sacrifícios de júbilo; cantarei, sim, cantarei louvores ao Senhor.
7 Ouve, ó Senhor, a minha voz quando clamo; compadece-te de mim e responde-me.
8 Quando disseste: Buscai o meu rosto; o meu coração te disse a ti: O teu rosto, Senhor, buscarei.
9 Não escondas de mim o teu rosto, não rejeites com ira o teu servo, tu que tens sido a minha ajuda. Não me enjeites nem me desampares, ó Deus da minha salvação.
10 Se meu pai e minha mãe me abandonarem, então o Senhor me acolherá.
11 Ensina-me, ó Senhor, o teu caminho, e guia-me por uma vereda plana, por causa dos que me espreitam.
12 Não me entregues à vontade dos meus adversários; pois contra mim se levantaram falsas testemunhas e os que respiram violência.
13 Creio que hei de ver a bondade do Senhor na terra dos viventes.
14 Espera tu pelo Senhor; anima-te, e fortalece o teu coração; espera, pois, pelo Senhor.

sábado, 11 de julho de 2009

Борат!!!!!!

Борат!!!!!!!!!!!!

BORAT, o Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão.

Há tempos não me divertia como hoje assistindo a BORAT, esse bem-humorado e barulhento filme. (A última vez talvez tenha sido na sessão de O SENTIDO DA VIDA - Monty Python.)

Afinal, quem é BORAT? Um repórter, um humorista? Um repórter-terrorista? Simplesmente ele apareceu para aterrorizar o povo americano. Ele saiu de um país bem distante, chamado Cazaquistão a fim de fazer um documentário sobre hábitos, atitudes e costumes dos norte-americanos ou simplesmente fazer merchandising? Mistério...

Borat é um repórter que vai à America do Norte a trabalho, fazer uma espécie de documentário sobre esse país, mas na verdade a imagem que nos passa é de que está nos vendendo um pacote turístico de seu país – o Cazaquistão, cuja capital, ALMA-ATÁ(até 1997), hoje é a cidade de ASTANA na época em que era uma das repúblicas da antiga URSS. Alma-Atá é uma belíssima cidade que significa “A cidade das maçãs”, país que fala dois idiomas oficiais: o cazaque e o russo; uma das maiores reservas de petróleo não exploradas do mundo, e por aí vai... Daí não entender as contradições desse filme: O protagonista se apaixona justamente por uma atriz de filme pornô, e a sua irmã como ele mesmo dizia era uma rameira.


Se Borat é o segundo melhor repórter de seu glorioso país, imagine como deve ser o primeiro? A curiosidade em conhecê-lo aumenta.

Humor, ingênuo, às vezes; outras sarcásticas.

Não há como silenciar diante dessa comédia. Borat é um escracho.

Nem de longe Borat seria daqueles filmes de humor refinado, pelo contrário, é atrevido; mostra que cinema é uma forma de manifestar emoções, alegrias, tristezas, protestos, raiva... capaz de mexer com a nossa razão e emoção. Foi assim com o filme A PAIXÃO DE CRISTO de Mel Gibson que não há como segurar o choro, ou como no A CAMINHO DE GUANTÁNAMO, em que a reação mais comum seria de raiva dos yanques. Borat não podia ser diferente, mesmo nas situaçães hilárias em que o humor estava mais para OS TRAPALHÕES (na cena do galo dentro da mala); ou pastelão como em O GORDO E O MAGRO (na cena em que ele e seu amigo correm nus e uma a tarja preta cobrindo suas partes íntimas).

Talvez humor negro na residência do casal de judeus idosos quando Borat e seu amigo pensaram que seriam envenenados, mortos ou trucidados ou quando ele oferece dinheiro às baratas achando se tratar desse mesmo casal transformados? E na cena em que ele canta o hino nacional americano com a letra do hino nacional cazaque em forma de deboche? São muitos os questionamentos...

Borat é um filme simplesmente divertido do início ao fim. Borat é um personagem mundial; por onde passar será lembrado ou ser reconhecido em alguma situação, alguma cena ou alguma piada. E não há quem não diga “Já vi esse filme”, “Essa piada é velha”, talvez graças à globalização, as piadas tornaram-se universais. Borat não é novidade; é apenas mais um filme de humor. Mas por que está fazendo tanto sucesso? Talvez pela sua irreverência e seu cinismo.

O ator nem é lá tão engraçado assim como Jim Carrey, por exmplo, que mesmo em um filme sério nos passa o inverso. Talvez a receita de bolo fosse essa; o objetivo alçancado: basta consultar a número de espectadores na semana de lançamento.

Qual é o objetivo desse filme nas entrelinhas, nas suas “metáforas”? Um ator inglês alfinetando os americanos, pra quê? Não importa. O importante é que diverte. Apesar dos pesares a diversão é necessária.

Gostaria de conhecer um pouco mais dessa grande figura que é BORAT. Depois dele você não é mais o mesmo; eu já não sou a mesma. Um dia comprarei uma passagem para conhecer o exótico país Casaquistão.

Cinema é ainda a maior diversão.

Eunice Bernal

Borat Sagdiyev (em cazaque cirílico Борат Сагдиев) é um personagem de televisão criado pelo humorista britânico Sacha Baron Cohen. Originalmente criado para o Da Ali G Show — programa de televisão no qual Cohen interpreta um rapper escrachado e recebe convidados ilustres —, Borat, o segundo melhor jornalista do Cazaquistão, viaja pela Inglaterra e pelos Estados Unidos entrevistando diversas pessoas dos nichos mais extremados da sociedade, de sulistas americanos a feministas e figurões de elite da Rainha. O sucesso do repórter da Ásia Central rendeu um longa-metragem campeão de bilheteria na Europa e na América do Norte.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

AO ALUNO COM CARINHO


Declaração de amor - Amo a minha profissão e meus alunos. Vocês fazem parte da minha vida.
AO ALUNO DA VIDA, COM CARINHO

Você, aluno, amigo, companheiro, criança desta vida,
Que está ainda no início desta caminhada
Que é longa e muitas vezes árdua,
que está passando para uma nova fase,
Uma que se acaba
e outra que se iniciará em breve,
A construção do saber, do conhecimento da verdadeira
Escola que é essa vida
E você, companheiro, não é o futuro deste país,
como dizem,
Mas sim, o momento presente
A esperança, a alegria, a liberdade,
A realidade que faltava para
Concretizar todos os sonhos da
Humanidade que é de tornar
Este mundo cada dia melhor.

Só é possível a existência do passado e do futuro
pelo momento AGORA.
E este momento é VOCÊ que
está CONSTRUINDO!
Persevere, e jamais
deixe de sorrir para a vida.

Eunice

segunda-feira, 6 de julho de 2009

AppaloosA - Uma Cidade Sem Lei


Somente a sinopse de AppaloosA e algumas frases de efeito que lembram a minha infância.

Qualquer um que come carne gosta de Búfalos.

Nunca o tempo é muito.

O que eu devo fazer é o que me preocupa, não é o que os outros pensam.

Tem certas horas que você não quer que eu feche a minha boca.

Appaloosa - Uma Cidade sem Lei (Appaloosa)
Elenco: Ed Harris, Robert Knott, Viggo Mortensen, Renee Zellweger, Timothy V. Murphy.
Direção: Ed Harris
Gênero: Romance/Western
Duração: 108 min.
Distribuidora: Playarte Pictures
Estreia: 21 de Novembro de 2008

Sinopse: No Velho Oeste norte-americano, Virgil Cole e Everett Hitch, dois amigos e pistoleiros, são contratados para tomar conta de uma pequena cidade chamada Appaloosa. O vilarejo está sofrendo nas mãos de Randall Bragg, um brutal rancheiro sem respeito pela lei, que toma suprimentos, armas, cavalos e mulheres a seu bel prazer e que mandou matar o último xerife e seu auxiliar. A dupla, no entanto, acaba tendo sua luta complicada com a chegada de uma jovem viúva ao local.




quinta-feira, 2 de julho de 2009

A VIAGEM DO BALÃO VERMELHO

A VIAGEM DO BALÃO VERMELHO

A Viagem do Balão Vermelho é uma fábula sublime para crianças de 8 a 80 anos transformada em belíssimas imagens pelo diretor taiwanês HHH - Hou Hsiao-Hsien. Ele se baseou no filme que sempre admirou e que assistiu na infância, O BALÃO VERMELHO de Albert Lamorisse, sendo uma forma singela de homenageá-lo.

O filme de Albert Lamorisse ganhou o Oscar de melhor Roteiro Original na década de 50. É um conto sobre um menino solitário que encontra um balão vermelho na rua. O balão estava amarrado a um poste de iluminação e ao soltá-lo de sua “prisão” ele passa a acompanhá-lo pelas ruas de Paris, no metrô, nas avenidas, na escola e até a sua casa, como se fosse um cão de estimação que ganhou um dono. O filme de Lamorisse tem mais de 40 anos e continua fazendo a alegria e mantendo o encanto inerente ao imaginário infantil.

A Viagem do Balão Vermelho de 2007 é a recriação dessa história. Simon é um garoto de sete anos e tem como amigo um misterioso balão vermelho que segue-o por Paris. A mãe, Suzanne (Juliette Binoche), é uma atriz de marionetes que utiliza os seus talentos vocais para trazer à vida os espetáculos que ela escreve. Suzanne contrata uma jovem para tomar conta de seu filho. Essa jovem é uma estudante de cinema. Interessante essa prosopopéia, a idéia de um balão encontrar um menino e adotá-lo como amigo, e não o contrário.

O filme é um poema de amor; singelo, encantador, de uma pureza e simplicidade que emociona do início ao fim. Assistir a esse filme é viajar pela nossa memória trazendo à tona lembranças da nossa infância. O próprio adulto costuma dizer que fala com seus botões, onde, conclui-se que, não é nenhuma loucura conversar com plantas, com um ventilador, ou adotar um balão como amigo, ao invés de adotar um animal para companhia.

São tantos momentos tocantes e belos. Uma das cenas mais lindas do filme é quando o balão sobrevoa Paris como se estivesse procurando Simon, seu dono. Há outra cena mostrando a família reunida na sala de jantar e o balão observando pelo lado de fora da janela. Formidável e comovente. Realmente mexe com o nosso emocional.

E então, quer brincar de esconde-esconde numa nebulosa e depois pegar carona nesse lindo BALÃO VERMELHO? Viaje nessa história você também. Garanto que você vai se apaixonar e irá guardar de recordação para rever e lembrar sempre que sentir saudade.
Eunice

A VIAGEM DO BALÃO VERMELHO (Le Voyage du Ballon Rouge) - França, 2007
Direção: Hou Hsiao-Hsien.
Elenco: Juliette Binoche, Simon Iteanu, Fang Song, Hippolyte Girardot, Louise Margolin e Anna Si

sábado, 27 de junho de 2009

Angel-A

Angel-A

“O que conta é o que está no interior, não o exterior.” Luc Besson

Dizem que o ser humano é diariamente acompanhado por três anjos: dois bons e um mau.
Depois de assistir ao filme Angel-A tente descobrir qual dois três é que se materializa para ajudar o personagem encrencado.

Angel-A é um roteiro surpreendente e instigante mostrando os dois lados de uma mesma moeda, ou cara e coroa, corpo e alma, dois em um, de Luc Besson que também é o responsável pela direção e produção. É a história de André, um rapaz de 28 anos totalmente endividado e por isso é perseguido por perigosíssimos gângsteres que lhes dá um prazo mínimo de algumas horas apenas para quitar a alta dívida, caso contrário, ele sofrerá terríveis conseqüências.

André se vê sem saída, e seu desespero é infinito. A solução que ele encontra é o suicídio. Quando está preste a pular de uma das mais altas pontes de Paris, ele se depara com uma linda mulher, alta, loira, aos prantos e muito triste, também com a mesma intenção de deixar de viver.

A presença dessa misteriosa moça atrai a atenção de André, que a todo custo tenta convencê-la que isso que ela pretende fazer é loucura que não vale a pena. Há um jogo de palavras interessante entre eles, dando a entender que ambos são a mesma pessoa.
Ela acaba pulando e ele, ironia do destino, acaba resgatando-a e a salva do afogamento.

André e essa misteriosa mulher descobrem que têm muito mais coisas em comum, além da tentativa de suicídio, e vão se conhecendo aos poucos. Ela passa a segui-lo, na tentativa de ajudá-lo a mudar sua vida. Decide retribuir a ajuda de seu salvador. Os dois passam a noite tentando resolver seus problemas, além de um mistério que os cerca. Ele lhe conta que deve dinheiro a Deus e ao mundo e que esse era o motivo do seu desespero. Bem, ele precisava de um anjo. E Angel-A caiu do céu no momento certo.
O céu mandou um anjo e o anjo estava com ele; e o anjo era ele. Um dia um anjo apareceu na vida dele e teve a gentileza de julgá-lo. E esse anjo o amou mesmo não sendo grande coisa.
“Nós podemos fazer escolhas justas. Eu te amo quero passar o resto da minha vida com você. Minha vida é você. Você me ensinou o essencial, a não mentir. O que eu faço. Meu Deus? Eu estou morta?”

O filme é todo em preto e branco, com momentos singelos, tocantes e divertidos.
André e Angel-A são a mesma pessoa. Um é a extensão do outro. Angel-A é o anjo protetor que veio para ajudá-lo. É como aquela história de a outra metade da laranja. Só que um é um ser carnal; o outro angelical; o encontro do corpo com a alma. A simbologia significante e significado; linguagem completamente metafórica.

Angel-A é um anjo pornográfico. A forma que encontrou para solucionar os problemas de seu protegido seria como prostituta. Isso vai contra todos nossos conceitos concebidos de anjo em nossas mentes. Todas as leis do paraíso. Um ser sublime. Sem pecado ou mácula. Em uma só noite conseguiu uma fortuna em “programas” que daria para pagar toda a dívida de André e ainda sobraria um bom troco.

Para quem gosta de romance angelical, este é uma boa pedida; nos faz lembrar vagamente do formidável Asas do Desejo de Wim Wenders.

O filme é uma lição de amor, com muitos ensinamentos, principalmente o de não desistir da vida. É uma história de descobertas, encontrar a si próprio, buscar saídas. Acreditar em si mesmo, alimentar as esperanças, achar soluções para os problemas por mais difíceis que possam parecer. A busca da auto-estima e da felicidade constante.

Angel–A falando com André:

“- Sou seu reflexo, sou sua imagem. Eu sou você!”
CREDITOS

Título Original: Angel-A
Gênero: Comédia Romântica
Tempo de Duração: 88 minutos
Ano de Lançamento (França): 2005
Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson
Produção: Luc Besson
Música: Anja Garbarek
Fotografia: Thierry Arbogast
Desenho de Produção: Jacques Bufnoir
Figurino: Martine Rapin
Edição: Frédéric Thoraval
Efeitos Especiais: BUF

O filme surpreende do início ao fim. Ótimo é pouco.
Eunice

terça-feira, 23 de junho de 2009

GARAPA SEM PASTEL

GARAPA SEM PASTEL

“Comer é uma necessidade do estômago; beber é uma necessidade da alma.”
Victor Hugo

A linguagem de uma narrativa cinematográfica no formato documental é de extrema importância e valor já que é um constante aprendizado, acrescentando novas informações, somando experiências, matando curiosidades ou especulações de um determinado assunto de total ou parcial conhecimento, que se domina ou não.

Fazer um filme DOCUMENTÁRIO, a princípio, parecer ser algo fácil e simples, bastando uma idéia na cabeça e uma câmera na mão. Mas nada é o que parece ser. A dificuldade é tamanha, tal qual a uma superprodução recheada de efeitos especiais.

José Padilha, cineasta brasileiro, ganhador de muitos prêmios pelos seus filmes TROPA DE ELITE e ÔNIBUS 174, realizou recentemente um documentário intitulado GARAPA.

Garapa é uma bebida nacionalmente conhecida como caldo de cana. Garapa pode ser também qualquer bebida refrigerante mistura de água com açúcar.

O cinema DOCUMENTÁRIO é fascinante. O fascínio está na forma de abordagem, na temática e em todos os ingredientes inseridos. O fascínio daquilo que temos sede de aprender e apreender. E o aprendizado às vezes é doloroso; e a apreensão às vezes maltrata a alma.

Assistir ao documentário GARAPA, é preciso ter estômago de avestruz e sangue de barata. É um filme indigesto. Um filme VERDADEIRO. As verdades de nosso país muitas vezes varrido para debaixo do tapete. O problema existe, e finge-se não ouvir, ver e falar.

GARAPA mostra o drama de três famílias nordestinas miseráveis, e é considerado um dos mais contundentes retratos da fome no Brasil, tendo como único recurso alimentício a garapa (mistura de água com açúcar), e um auxílio de um pouco mais que R$ 50,00, repassado pelo programa bolsa-família ou Fome Zero. O filme é todo em preto e branco (o que torna o documentário menos chocante e violento), sem música, confetes ou serpentinas, tendo como protagonistas três mulheres batalhadoras e seus filhos como figurantes. A tristeza e o drama enfrentados diariamente por essas três famílias não param aí. São vários os fatores: o desemprego, a falta de saneamento, educação e lazer ou programa de controle familiar. Acostumados com a situação, vivem sem nenhuma expectativa.

A fome é um assunto mundial e parece não ter fim. É o pior tipo de violência. Não precisa citar a África, ela está aqui, ao nosso lado, o nosso vizinho, em nosso país.

É um documentário que veio para somar e sensibilizar a todos do grande problema que é essa forma de violência que considero a pior de todas: A FOME. Lembrando que há vários tipos de fome: fome de saber, de conhecimento, de amor, de solidariedade, de amizade, mas a de não ter um pão para se comer pela manhã, nunca comer uma fruta, nem água potável, passar por todo tipo de privação e humilhação, pedindo, esmolando é simplesmente o fim, a pior desgraça que o ser humano NÃO deveria enfrentar.

Para quem é sensível, se choca e passa mal com facilidade com o que fere e maltrata, com as mais diversas formas de violência, este filme não é aconselhável. NÃO ASSISTA em hipótese alguma. Que eu me lembre é o primeiro filme que a censura não é definida. A informação sobre ele diz CENSURA A DEFINIR. Talvez seja um tipo de aviso ao expectador como: CUIDADO, ou ATENÇÃO.

Vivendo e aprendendo e nunca mais ser o mesmo assistindo a documentários. Fará parte de sua história de vida, estará para sempre nas suas células, na mente ou no coração; de alguma forma te modificará. Repensar os valores da sociedade, a ética, seu espaço e liberdade, direito de ir e vir, as obrigações, os deveres, a impotência diante desse caos que não embevece, nem orgulha; entristece e envergonha.

E depois de assistir ao GARAPA o expectador nunca mais será o mesmo. E o assunto não se esgota aqui.
Eunice

quinta-feira, 11 de junho de 2009

MOMENTOS DE REFLEXÃO



MOMENTOS DE REFLEXÃO

01- Elogie três pessoas por dia.
02- Assista ao nascer do sol ao menos uma vez por ano.
03- Tenha um aperto de mão filme.
04- Olhe as pessoas nos olhos.
05- Cante no chuveiro.
06- Gaste menos do que ganha.
07- Saiba perdoar a si e aos outros.
08- Aprenda 03 piadas boas, mas inocentes.
09- Devolva tudo o que pegar emprestado.
10- Trate a todos como gostaria de ser tratado.
11- Faça novos amigos.
12- Saiba guardar segredos.
13- Não adie uma alegria.
14- Reconheça seus erros.
15- Sorria, não custa nada e não tem preço.
16- Ao orar, peça apenas coragem e sabedoria.
17- Dê as pessoas uma segunda chance.
18- Não tome nenhuma medida enquanto estiver zangado.
19- Dê o melhor de si em tudo o que executar.
20- Jamais prive uma pessoa da esperança; talvez ela só tenha isso.
21- Aprenda a arte de ouvir, porque não basta escutar.
Karenina Rostov

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Um pouco de PROSA e POESIA

VIDAS AMARGAS, MEDOS DIFUSOS
Onde estará o sol que nós aquecia?
Guardado, esperando o momento,
Brilhando longínqüo qual incenso,
Abençoando este futuro de alegria.

As certezas por nós são construídas,
Na atração irresistível dos desejos,
Na força carinhosa de doces beijos,
No abraço protetor que a faz querida.

Procuro sempre tua face na neblina,
Nas brumas do tempo, se escondida,
Se na pousada vejo um sorriso de menina,
Na morada descubro o encanto da mulher.

Tantas noites a dois, tantas histórias,
Tateando juntos longas madrugadas,
Ao amanhecer, o renascer em glória,
De corações servis destas cavalgadas.

Outros desafios, antigos segredos,
No toque mútuo o valor da alforria,
O prazer de propor novos enigmas,
O pacto de recriá-los todos os dias.

Se o caminho é longo, o que importa,
Ao seu final aguarda a maior riqueza,
Na travessia impetuosa da mudança,
O encontro natural da nossa certeza.

No lugar de bradar aos ventos,
Quero sussurrar ao teu ouvido,
Palavras de doçura e de alento,
Frases que invadem ao infinito.

Não será a cavalo, mas vindo num carro,
Não tenho armadura, somente as vestes,
Não há doença, apenas nossas crenças,
Não existe separação e sim a redenção.
*
Faces cruas exibindo vidas amargas,
Semblantes vívidos e medos difusos,
Quando a minha mão se fechar na tua,
Acenderemos até o lado escuro da Lua.
Roberto Souza

VIDAS AMARGAS, MEDOS DIFUSOS
O sol brilhará e nos aquecerá sempre
Independente de dias nublados
Mormaço no momento presente
Acredite, futuramente abençoado.

A paixão pouco a pouco tomando forma
Porque a cada despertar o desejo aumenta
Querer a presença amada tornou-se norma
Proteger quem amamos a alma acalenta.

Por todos os cantos da cidade te procuro
Nos bares, nas praças, nas esquinas, vinda e ida
Em cada olhar de menino sua presença no escuro
Aos poucos dando espaço ao homem da minha vida

Pouco tempo e construímos tantas histórias
Começou bom em curto espaço e é maravilhoso
Imagine só tudo o que reteremos na memória
Em outros momentos juntos relembrar será gostoso.

O amor um desafio novo, segredos a revelar
É importante e necessário ser sincero
Ser criativo, original, o prazer renovar
A cumplicidade, o pacto selar o que mais quero.

Se o amor acontece quero o longo caminho
Porque amor é tudo, a maior riqueza
Atravessar obstáculos enfrentar os espinhos
Queremos ser amados e a nossa certeza.

No lugar dos ventos, prefiro seus alentos
Ouvir ao pé do ouvido declaração de amor
Minha alma precisa, todos os momentos
Não pode mais viver sem o teu calor.

O modo de chegada não importa
O modo que fala, anda, veste também não
O que importa é a crença, a felicidade, a emoção
O coração tem a certeza desse querer, ele suporta.

Certamente que existe o medo
Do novo, do desafio do que não é tão certo
Não sabemos qual será o nosso futuro: incerto?
Um ao outro o que queremos neste momento.
Eunice Bernal

Veja Esta Canção

Ela tem história...

http://www.youtube.com/watch?v=7GX17qvrBtQ&feature=related

Muito Estranho (Cuida Bem de Mim)

Dalto

Composição: Cláudio Rabello / Dalto

Hum!
Mas se um dia eu chegar
Muito estranho
Deixa essa água no corpo
Lembrar nosso banho...

Hum!
Mas se um dia eu chegar
Muito louco
Deixa essa noite saber
Que um dia foi pouco...

Cuida bem de mim
Então misture tudo
Dentro de nós
Porque ninguém vai dormir
Nosso sonho...

Hum!
Minha cara prá que
Tantos planos
Se quero te amar e te amar
E te amar muitos anos...

Hum!
Tantas vezes eu quis
Ficar solto
Como se fosse uma lua
A brincar no teu rosto
Cuida bem de mim
Então misture tudo
Dentro de nós
Porque ninguém vai dormir
Nosso sonho...(2x)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Eu sei o que vocês fizeram no ano passado

É verdade. no ano passado homenageamos o maior escritor do Brasil: Machado de Assis.

http://www.youtube.com/watch?v=YphuVxsWwU4


E neste ano de 2009, elas não devem parar!


Letra do samba-enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel - Carnaval 2009

“Mocidade apresenta: Clube Literário – Machado de Assis e Guimarães Rosa…
Estrelas em Poesia!”

Reluzente, estrela de um encontro divinal
Risca o céu em poesias
Traz a magia pra reger meu Carnaval
Despertam das páginas do tempo
Romances, personagens, sentimentos…
Machado de Assis que fez da vida sua inspiração
Um literato iluminado
As obras, um destino a superação
Nos olhos da arte, reflete o legado
Do gênio imortal, do bruxo amado
Que deu ao jornal, um tom verdadeiro
Apaixonado pelo Rio de Janeiro
A canção do meu sarau, te faz sonhar

A emoção vai te levar
A estrela adormece, na paz do amor
Abençoado um novo sol brilhou
O vento traz Rosa de Minas

Rosa do mundo pra te encantar
Palavras que tocam a alma
Fascinam e tem poder de curar
Pelas veredas do sertão, a fé, o povo em oração
Pedindo a santa em romaria, pra chover em nosso chão
Mistérios na vida desse escritor
Revelam histórias de um sonhador
Brasil de tantas artes, nas letras sedução
Herança em cada coração
Mocidade, a sua estrela sempre vai brilhar

Um show de poesia, em nossa academia
Saudade em verso e prosa vai ficar

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Violência Gratuita

(Funny Games)

Dois mais dois são quatro. Cinco mil anos para se entender isso. Sempre haverá violência gratuita. Em nenhum tempo se entenderá isso.

São tantos os tipos e modos de violência, em todos os tempos e todos os lugares. A violência verbal é só uma delas, e é tão agressiva quanto a física: ambos ferem e machucam como o machado. Mas o objetivo aqui não é listá-los.

Esta semana acompanhou-se pelos meios de comunicação mais alguns casos de VIOLÊNCIA GRATUITA que chamou a atenção. Uma delas tendo como protagonista uma brasileira grávida fora de seu país agredida por três rapazes (a versão desse fato ainda não está esclarecida; independente do que aconteceu realmente não tira o mérito de um ato de extrema violência); a outra aconteceu com uma menina de cinco anos, morta porque chorou ao ver seu pai sendo assassinado. Parece que ninguém mais se choca quando presencia algo do gênero; age-se como imunes e vacinados, não demonstrando reação de revolta, raiva ou qualquer sentimento de pena ou culpa. Talvez pela própria impotência: fazer o quê? Isso é fato. É real. E cada um com o seu individualismo.

E sempre se falou que a arte imita a vida. Ou a vida é que imita a arte? Há uma inversão de valores. A vida já não vale nada. A arte é ficcional. A arte baseia-se no real. O conceito de estética cinematográfica como sinônimo de entretenimento há muito já não existe. As novas mudanças são facilmente reconhecidas no cinema inovador do austríaco Michel Haneke. Ele, em seu filme Funny Games NÃO deixa o expectador ficar à vontade. Certamente se você ainda não assistiu ficará perturbado e chocado com a trama. A história é banal, só que envolve o expectador de tal maneira que o torna praticamente conivente e cúmplice das as situações de violência.

Só de se pegar o filme, já sabendo de antemão a sua sinopse, um thriller provocante e brutal de uma família em férias que recebe a inesperada visita de dois jovens profundamente perturbados, torna-se responsável por aquilo que se assiste. A partir daí as férias de sonhos dessa família se transforma em pesadelo quando são sujeitados a inimagináveis terrores e provações para continuarem vivos. A violência é sutil, ela é apenas sugerida. Paul e Peter, personagens impecavelmente vestidos de branco, a cor que simboliza pureza, iniciam seus jogos de sadismo e horror com a família (homem, mulher, o filho e o cão) sempre intitulados com frases de duplo sentido, engraçadas infantis, chegando a ser um JOGO ENGRAÇADO, brincadeira de criança.

O fato inusitado nesta história que Haneke presenteia seu público começa quando Peter, o líder da dupla delinqüente, fala com a câmera com a certeza da presença do expectador, não pura e simplesmente como um voyeur, mas com a certeza de que ELE faz parte desse jogo e é conivente, não estando ao lado da família, mas apoiando toda a maldade que ali se instalou e impera. Às vezes um deles dá umas piscadas como que autorizando e confirmando com o espectador a aceitar essa condição, lembrando-o de vez em quando que está vendo um filme e, pior do que isso, colocando-o na inusitada posição de cúmplice passivo do ato de violência.

Bem ou mal, quem o assiste acaba fazendo parte da narrativa. É um filme não confortável porque quase que obriga a fazer parte da história e tomar partido dela. Parece que o real e o imaginário fundem-se. A tal linha tênue que separava ambos não existe aqui.

É uma receita velha para ingredientes novos. O cinema com uma nova roupagem, novos elementos instigantes que nos prendem a atenção. Apesar de o título VIOLÊNCIA GRATUITA (a tradução faz sentido), porém, ela quase não é mostrada. E é isso que torna o filme mais genial e inteligente do que ele deveria ser. Tudo é sugerido. Quando vai acontecer algo de terrível e violento a câmera não mostra, se ouve apenas sons dizendo que algo ruim aconteceu. E o resto fica por conta dos devaneios de quem assiste. Tem que refletir. Ou melhor, isso não é necessário.
Uma vez usado o tempo ele não volta mais. Daqui a pouco o agora será passado. Em Violência Gratuita, pode-se retroceder. Pode se alterar a história, ressuscitar os mortos; pode se pegar o controle remoto e fazer as mudanças necessárias. Na arte tudo é possível. Basta querer. Um filme ousado. Gosto disso.

Eis alguns bons motivos para se conferir a mais essa jogada do mestre Haneke. Uma obra prima.
***
Violência GratuitaFunny Games USReino Unido / EUA / França, 2007 -
107 min
Suspense / Drama
Direção:Michael Haneke
Roteiro:Michael Haneke
Elenco:Naomi Watts, Michael Pitt, Tim Roth, Brady Corbet, Boyd Gaines, Siobhan Fallon e Devon Gearhart

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Em agosto, se Vênus me ajudar...

A Unidade Escolar 432 homenageará neste ano letivo de 2009 a poetisa Cora Coralina no já consagrado Concurso de Poesia

E vamos à 9a. Edição!

Homenagem a Cora Coralina

Em 20 de agosto de 1889, nascia em Goiás, Ana Lins dos Guimarães Peixoto. Conhecida como Cora Coralina.

Cora Coralina, a doce e ao mesmo tempo forte poetisa brasileira.

Cora teve sua estréia literária aos 76 anos de idade, mas seu afã era de alguém muito jovem e além do seu tempo.

Autodidata, a ausência de um ensino formal jamais a prejudicou. Contou apenas com uma professora particular por dois ou três anos do ensino primário, mas seu conhecimento cultural sempre esteve evidente.

Tornou-se uma poetisa indiscutível e nada convencional, jamais tolerou a rima, seus poemas, contos e prosas apresentam características marcantes do modernismo brasileiro.

“Ela declarou, mais de uma vez em entrevistas e depoimentos preservados por meio magnético, que só foi capaz de fazer poesia depois das conquistas dos modernistas, da adoção do verso livre”.

Deixo aqui, em homenagem, um pouquinho de Cora Coralina, lembrando que ela sempre exaltou sua confiança na juventude.

***
Aos Moços

Eu sou aquela mulhera quem o tempo muito ensinou.
Ensinou a amar a vida.
Não desistir da luta.
Recomeçar na derrota.
Renunciar a palavras e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos.
Ser otimista.
Creio numa força imanente
Que vai ligando a família humana
Numa corrente luminosa
De fraternidade universal.
Creio na solidariedade humana.
Creio na superação dos erros e angústias do presente.
Acredito nos moços.
Exalto sua confiança, generosidade e idealismo.
Creio nos milagres da ciência e na descoberta de uma
profilaxia futura dos erros e violências do presente.
Aprendi que mais vale lutar
Do que recolher dinheiro fácil.
Antes acreditar do que duvidar.
Cora Coralina

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

DEPOIS QUE OTAR PARTIU

Vista parcial de Tbilissi, Capital da Georgia, onde foi rodado o filme Depois que Otar Partiu.


Tbilisi é uma multicultural cidade. A cidade é lar de mais de 100 grupos étnicos diferentes. Cerca de 80% da população é etnicamente georgiana, com importantes populações de outros grupos étnicos que incluem russos, arménios e azeris. Juntamente com os referidos grupos, Tbilisi é também a casa de vários outros grupos étnicos, incluindo ucranianos, gregos, judeus, estónios, alemães, curdos, assírios, e outros.

Tbilisi é a
capital e a maior cidade da República da Geórgia, situada nas margens do rio Kura. A demografia da cidade é diversificada e historicamente tem sido a casa de povos de diferentes culturas, religiões e etnias. Apesar de ser extremamente ortodoxa cristã, Tbilisi é um dos poucos lugares no mundo (Sarajevo e Paramaribo ser outra) onde uma sinagoga e uma mesquita estão localizados próximos uns aos outros.

Sempre tive vontade de fazer um passeio pelos bastidores de um filme, ver a preparação dos atores, a decupagem, as locações, o idioma, a cidade e o país escolhido, enfim, curiosidades de um cinéfilo. Acabei escolhendo um que de certa forma muito me chamou a atenção: DEPOIS QUE OTAR PARTIU, pelo fato de ser um título pra lá de sugestivo.

As perguntas que imediatamente surgem são: 1º Quem é Otar? 2º Partiu para onde? 3º Por que partiu?

Na verdade Otar nada mais é que um retrato na parede, uma lenda urbana, nem aparece na trama, apenas é citado através de suas cartas que chegam e são lidas. Desculpa esfarrapada para a história existir.

Então se prepare! Faremos uma viagem nesta história que boa parte dela acontece Tbilissi, capital da Geórgia (uma das ex-republicas da antiga URSS), depois vamos nos aventurar até Paris, capital das Luzes.

A trama é sobre segredos, mentiras e coisas mais de uma família de três mulheres e faixas etárias diferentes: Eka (honesta, patriota, altruísta e stalinista com orgulho, como ela mesma se denomina) mãe de Otar e Marina e avó de Ada; Ada, filha de Marina vivem nessa cidade pós-soviética onde faltam água, luz e outras precariedades.

Não costumo contar detalhes para não estragar a surpresa e o impacto de quem ainda vai assistir; apenas sugerir para que atente aos detalhes que aparentam insignificância. E este é recheado deles.

Otar é um médico desempregado que resolve tentar a sorte em outro país, e sua escolha não podia ser melhor que Paris, deixando para trás sua família. Ele passa sete meses se correspondendo com ela através de cartas, enviando juntamente algum dinheiro. Outras vezes, mantém contato por telefone.
Segundo o que conta nas cartas, a vida em Paris, a princípio, não é nada fácil, trabalhando ilegalmente na construção civil, sem contrato, sem nenhum direito.

Ada, a neta é que faz a leitura das cartas de Otar para a avó e posteriormente as responde. O ciúme entre os irmãos Otar e Marina é evidente; Eka não escondia sua preferência pelo filho querido que agora estava distante.

De repente, as cartas param de chegar. Marina fica sabendo por um amigo do irmão que ele morreu num acidente de trabalho e foi enterrado como indigente. Parece que caíra de um andaime. Sem saber o que fazer, Marina conta com a ajuda da filha e decidem não contar o fato à Eka para não entristecê-la e fazê-la sofrer. E ambas acham uma solução insólita e mágica: resolvem que elas escreveriam as cartas se passando pelo falecido Otar. E a mentira perdura por tanto tempo que Eka resolve vender a biblioteca de sua casa para comprar as passagens das três até Paris e visitar o filho.

Em Paris, enquanto Marina e Ada vão ao cemitério, Eka vai ao endereço de Otar, e lá descobre por um dos vizinhos que ele falecera já há alguns meses. Parece que no íntimo ela já sabia por não expressar nenhuma reação. Agora o segredo é de Eka e ao encontrar a sua filha e neta conta-lhes uma mentira, dizendo que Otar foi para a América do Norte que era o seu sonho. O instigante jogo de mentiras nesta história não pára por aí.

*****
Niko, Vai até a casa de Eka entregar uma mala com os pertences de Otar.
Especula-se a morte de Otar. Niko, um dos amigos dele conta que não havia segurança e nenhuma proteção aos trabalhadores. A empresa, para não se responsabilizar diz que Otar andava depressivo e que ele se suicidara. Mas isso já é outra história.

E os bastidores um mundo de encanto e magia à parte tanto quanto ao filme pronto.

*** **
Depois que Otar partiu tem produção e direção francesa. Dirigido por Julie Bertucelli. A maior parte da história se passa em Tbilissi. Dos três idiomas - francês, russo e georgiano - a diretora optou pelo último já que é o idioma oficial falado na Geórgia, onde o filme foi rotado, a outra locação foi Paris. A cultura, o folclore é freqüentemente mostrado em close up, como por exemplo, a ÁRVORE DOS DESEJOS, localizada numa estrada movimentada, onde pessoas param amarram um lenço nos galhos e fazem seus pedidos; a leitura de borra de café deixado na xícara por Ada, a neta; um passeio pelo campo e colheita de frutas silvestres por Eka, a avó; na casa, a preciosa e imponente biblioteca de causar inveja, e o quarto de Otar com todos os seus objetos e coisas pessoais, minuciosamente escolhidos e ali plantados.
A sensualidade na cena do namoro de Ada dentro do carro a plena luz do dia não passa despercebida.

Muita água rola, antes de se ouvir a frase “VAMOS RODAR!” É gratificante e emocionante saber como é a realização e a preparação do filme, que trabalheira que dá. A escolha das locações, dos objetos e todos os seus acessórios. Os mínimos detalhes na casa onde a família viverá, desde o abajur comprado na vizinhança até o varal improvisado, e todos outros detalhes de jardim e pequena horta na entrada; na sala não se deve esquecer da vela derretida no castiçal (pelo calor que faz na Geórgia), uma foto de Paris na parede (lembrança de Otar), o detalhe da marca registrada do envelope florido russo das cartas respondidas pela mãe, o retoque constante no roteiro, cenas de três segundos que duram uma eternidade para se rodar...

O nome OTAR é homenagem a Otar Losseliani diretor Georgiano de Adeus, Doce Lar e
Bandoleiros, Capítulo 7. Migrou para a França devido à censura; seus filmes foram proibidos repetidamente na URSS.
Em Tbilissi há um famoso Mercado de Pulgas onde engenheiros, professores etc vendem seus próprios objetos; a equipe de filmagens esteve lá e comprara muita coisa.

Há uma cena maravilhosa gravada num parque charmoso de Tbilissi, fizeram muitas fotos, para se filmar quatro ou cinco cenas com Eka fumando numa roda-gigante.

Pais - FRANÇA
Ano: 2003
Direção: JULIE BERTUCCELLI
Elenco: ESTHER GORINTIN, NINO KHOMSSOURIDZE
Genero: Drama

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Profissão de Fé

Homenagem ao aluno Bruno

Acredito e sempre acreditarei que o melhor investimento que se pode oferecer ao cidadão é a EDUCAÇÃO. É um investimento para toda vida. O princípio básico do desenvolvimento humano merece uma atenção especial da sociedade e dos governantes. É o que engrandece uma nação e o faz desenvolver política e socialmente.

Uma boa educação implica em investimento árduo, a longo prazo, participação e boa vontade de todas as partes envolvidas.

Trabalhar nessa área, é mais que um prazer e nem sempre é um mar de rosas como se imagina, há momentos bons o que é gratificante, como também há maus momentos.

E hoje me lembrei de um fato, de un dos momentos marcantes e que vale a pena comentar aqui.

Em turmas de 50 alunos, nunca dá para se lembrar de todos. Nomes, fisionomias, exceto daqueles que de alguma maneira se destacam.

Lembrei-me de um dos meus alunos do ano de 2004. Chamado Bruno de Amorim Elias, 13 anos e, na época cursava a 6ª série do 1o Grau. Ele estava  atrasado. Mas isso se explica porque nessa idade, além de estudar, trabalhava em um supermercado próxima à Escola.

Hoje não tenho notícias dele, mas com certeza é um exemplo para a sociedade e seus pais; parentes e amigos devem se orgulhar muito dele.

Naquele ano descobri um concurso de redação vindo lá da Região CENTRO-OESTE do Brasil, Patrocinado pela EMBRAPA Pantanal na cidade de Campo Grande – MS. Não pensei duas vezes. Comuniquei à direção e resolvemos inscrever a escola.

O Edital dizia que seria uma redação por escola. Para se tirar uma única redação, um único aluno, envolvemos a Unidade toda, ou melhor, todas turmas deveriam participar escrevendo sobre o tema proposto: "Concurso Nacional de Redação Fauna e Flora do Pantanal".

Qualquer atividade extraclasse é cansativo, trabalhoso, desgastante. Mas esse em especial foi GRATIFICANTE MESMO! O nosso aluno inscrito Foi um dos primeiros colocados, único a vencer do Estado do Rio de Janeiro e de toda a região SUDESTE. É um aluno vencedor.

E essa é uma das boas lembranças que guardo com carinho desse aluno. Ficou como exemplo de vida. Sempre conto essa história aos demais e me emociono.

Obrigada, Bruno. Você é um vencedor!

Concurso Nacional de Redação do Pantanal divulga trabalhos premiados (25/11/2004)

Embrapa Pantanal (Campo Grande, MS), Embrapa Florestas (Colombo,PR), unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculadas ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Conservation International do Brasil (CI-Brasil) divulgam o nome dos oito estudantes premiados no "Concurso Nacional de Redação Fauna e Flora do Pantanal". Os autores das 2734 redações que chegaram de todo Brasil concorreram a uma viagem, com direito a acompanhante, para a fazenda Rio Negro, propriedade da CI-Brasil, onde será realizada, de 20 a 24 de outubro, a Oficina de Fauna e Flora do Pantanal, a ser ministrada por pesquisadores da Embrapa.

Após passarem por um rigoroso processo de seleção, de acordo com os quesitos estabelecidos e divulgados no regulamento do Concurso, as oito melhores redações foram escolhidas. Está sendo premiada a melhor redação de cada uma das cinco regiões do país, totalizando cinco vencedores. As outras três redações premiadas foram selecionadas entre as melhores de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Corumbá/Ladário.

Confira o nome dos estudantes que serão contemplados com a viagem para o coração do Pantanal, onde poderão conhecer pessoalmente o que descreveram em seus textos:

Mato Grosso do Sul: Hallana Souza Santos - 12 anos- 6ª série - Escola Estadual 13 de Maio – Deadópolis/MSMato Grosso: Valdeci Sobrinho Paz da Silva - 11 anos – 5ª série - Escola de Ensino Fundamental Carlos Pereira Barbosa – Rondonópolis/MT

Corumbá/Ladário: Tainá Aparecida Dias Herreira - 11 anos – 5ª série - Centro de Ensino Imaculada Conceição – Corumbá/MSCentro- Oeste: Diones Jardel Schüler - 12 anos – 6ª série - Escola Municipal Dona Amélia Garcia Cunha - Chapadão do Céu/GO

Norte: Magno Silva Macedo - 12 anos - 6ª série - Escola Prof. Daniel Neri Silva - Porto Velho/RONordeste: Jane Heli de Souza Silva - 11 anos – 6ª série - Escola Dom Antônio Campelo – Petrolina/PE

Sudeste: Bruno de Amorim Elias - 13 anos – 6ª série - C.I.E.P 432 Alberto Cavalcanti - Rio de Janeiro/RJ

Sul: Bárbara Conte Weck - 12 anos – 6ª série - Escola de Ensino Básico Orestes Guimarães - São Bento do Sul/SC.

Além dos estudantes acima relacionados, outras 42 redações serão selecionadas para compor um livro virtual sobre fauna e flora do Pantanal. A relação com o nome dos outros autores que farão parte do livro será divulgada no final do mês de outubro, após a realização da Oficina.

O Concurso conta com o patrocínio do Fórum Nacional das Atividades de Base Florestal, Federação das Indústrias do Estado do Mato Grosso, Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará – Aimex, Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente – Abimci e União das Entidades Florestais do Estado do Pará – Uniflor.

Mais informaçõesChristiane Congro - MTb 825 SCEmbrapa PantanalContatos: (67) 233-2430, ramal 252 - mailto:%20congro@cpap.embrapa.brKatia Pichelli - Jornalista MTb 3594 PREmbrapa FlorestasContatos: (41) 666-1313 - katia

Segue o link:

http://www.embrapa.br/imprensa/noticias/2003/outubro/bn.2004-11-25.8791289458/

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O Assunto do momento

FÉRIAS, EU?

Sim, aproveitando para arrumar as gavetas, pôr o cinema em dia, e estudar um pouco que ninguém é de ferro.

Vamos dar uma olhada na nova onda do momento. Estudar a nova ortografia da Língua Portuguesa. Lembrando que não é um bicho de sete cabeças, logo-logo você tira de letra.

É fácil, é simples, é o maior barato. Só não me conformo com a saída do trema, ( ¨ ) era o charme e o glamour do nosso idioma. Mas se é por falta de adeus, bye-bye, baby!

UFA! Ainda bem que não tiraram o pingo do jota. Sou do tipo que faz questão de colocar o pingo nessa letra.

Então vamos às mudanças:

Novas regras

O acordo incorpora tanto características da ortografia utilizada por Portugal quanto a brasileira. O trema, que já foi suprimido na escrita dos portugueses, desaparece de vez também no Brasil. Palavras como "lingüiça" e "tranqüilo" passarão a ser grafadas sem o sinal gráfico sobre a letra "u". A exceção são nomes estrangeiros e seus derivados, como "Müller" e "Hübner".
Seguindo o exemplo de Portugal, paroxítonas com ditongos abertos "ei" e "oi" --como "idéia", "heróico" e "assembléia"-- deixam de levar o acento agudo. O mesmo ocorre com o "i" e o "u" precedidos de ditongos abertos, como em "feiúra". Também deixa de existir o acento circunflexo em paroxítonas com duplos "e" ou "o", em formas verbais como "vôo", "dêem" e "vêem".
Os portugueses não tiveram mudanças na forma como acentuam as palavras, mas na forma escrevem algumas delas. As chamadas consoantes mudas, que não são pronunciadas na fala, serão abolidas da escrita. É o exemplo de palavras como "objecto" e "adopção", nas quais as letras "c" e "p" não são pronunciadas.

Com o acordo, o alfabeto passa a ter 26 letras, com a inclusão de "k", "y" e "w". A utilização dessas letras permanece restrita a palavras de origem estrangeira e seus derivados, como "kafka" e "kafkiano".

Dupla grafia

A unificação na ortografia não será total. Como privilegiou mais critérios fonéticos (pronúncia) em lugar de etimológicos (origem), para algumas palavras será permitida a dupla grafia.
Isso ocorre em algumas palavras proparoxítonas e, predominantemente, em paroxítonas cuja entonação entre brasileiros e portugueses é diferente, com inflexão mais aberta ou fechada. Enquanto no Brasil as palavras são acentuadas com o acento circunflexo, em Portugal utiliza-se o acento agudo. Ambas as grafias serão aceitas, como em "fenômeno" ou "fenómeno", "tênis" e "ténis".

A regra valerá ainda para algumas oxítonas. Palavras como "caratê" e "crochê" também poderão ser escritas "caraté" e "croché".

Hífen
As regras de utilização do hífen também ganharam nova sistematização. O objetivo das mudanças é simplificar a utilização do sinal gráfico, cujas regras estão entre as mais complexas da norma ortográfica.

O sinal será abolido em palavras compostas em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento também começa com outra vogal, como em aeroespacial (aero + espacial) e extraescolar (extra + escolar).

Já quando o primeiro elemento finalizar com uma vogal igual à do segundo elemento, o hífen deverá ser utilizado, como nas palavras "micro-ondas" e "anti-inflamatório".
Essa regra acaba modificando a grafia dessas palavras no Brasil, onde essas palavras eram escritas unidas, pois a regra de utilização do hífen era determinada pelo prefixo.

A partir da reforma, nos casos em que a primeira palavra terminar em vogal e a segunda começar por "r" ou "s", essas letras deverão ser duplicadas, como na conjunção "anti" + "semita": "antissemita".

A exceção é quando o primeiro elemento terminar em "r" e o segundo elemento começar com a mesma letra. Nesse caso, a palavra deverá ser grafada com hífen, como em "hiper-requintado" e "inter-racial".

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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O Retorno

O RETORNO

O título de uma produção artística, seja uma novela, um conto, um romance, um filme, geralmente, nos dá uma vaga idéia do que se trata a obra.

Foi o que pensei quando assisti ao primeiro filme do diretor russo Andrey Zvyagintsev: O RETORNO. A verdade é que nem sempre é possível, simples e fácil assim de se entender.

O Retorno é um deles; é uma caixinha de surpresas. É uma obra complexa. Chega o momento que a sessão de 105 minutos acaba, porém, a história em nossas mentes e entranhas, apenas começa. Começa e não termina ... não termina bem. E alguém acrescentaria: “Você faz o final da história, você decide”.

A primeira leitura que se pode fazer da obra O RETORNO é de um pai ausente, que abandona o lar - esposa e dois filhos. E doze anos depois retorna como se nada tivesse acontecido, como se tivesse apenas ido à padaria comprar cigarros. No mesmo dia de sua chegada, ele toma banho, faz sexo com a esposa, dorme, se levanta e ceia com os seus como se tudo fosse a rotina de familiar.

Que mistério é esse? Por onde andou esse ser que chega do nada, sem nenhuma explicação e retoma esse rumo de sua vida? A partir daí começa todo questionamento possível dessa história sem fim. O que aconteceu? Por onde ele andou? E como a família viveu esse tempo todo de seu sumiço, ou desaparecimento sem uma explicação plausível para esse fato insólito?

Os filhos agora adolescentes têm as mesmas dúvidas do expectador. “Será mesmo o nosso Pai?” Um dos filhos recorre ao álbum de família para tentar reconhecer essa pessoa que certamente nem se lembravam mais que um dia tiveram um. Como reconhecer o desconhecido? Mistério...

Na história de Homero, A ODISSÉIA, Penélope não reconheceu Odisseu (Ulisses), com quem dormiu uma vida inteira e teve com ele um filho, o ajuizado Telêmaco. A comprovação só veio por detalhes que ele a fez lembrar. Teve que provar que ele era ELE. Duas delas são: a cicatriz que ele tinha na perna causada pela mordida de um javali; a outra é a da cama do casal que fora construída do tronco de uma árvore.

E em O RETORNO? São tantos os questionamentos: um pai misterioso, desaparecido, estaria morto, ou fora seqüestrado? Por onde ele andou, o que fez, por que voltou? Teria outra família?

O filho mais novo cheio de medos e angústias; na presença do pai, aquele que amargurado e rancoroso é capaz de enfrentá-lo; o mais velho demonstra valentia e esperteza; na presença paternal, amável e submisso.

A novidade é que a figura paterna ausente, aquele que na família deveria dar segurança e proteção desaparecido por mais de uma década chegando em um carro simbolicamente vermelho, com autoridade de quem esteve acompanhando todos os momentos e fases de crescimento físico e emocional dos que mais lhes são caros, e que deveria prezar, ordena-lhes que na manhã seguinte madruguem para um passeio de carro e pescaria. Um passeio e tanto. Uma história marcante, recheada de belas imagens poucos diálogos que fatos e ações falam por si. Belas imagens registradas também pela máquina fotográfica de um dos filhos.

E contar o filme seria estragar todas as surpresas que ele apresenta. Um formidável argumento para se ficar horas, dias contando e recontando-a, talvez na tentativa de desvendar alguns de muitos mistérios nele apresentados.

Como se ausentar durante um longo período e não perceber mudanças e transformações que o ser humano querendo ou não passa? Dois filhos do mesmo sangue, com personalidades tão diferentes.

São muitos os retornos, e fazer uma viagem pelas estradas da vida é uma tentativa de reencontrar e reconciliar um passado quase esquecido, talvez adormecido ou arquivado na memória de um povo, de uma família, e desenterrá-lo na ilha da fantasia, salvar o tesouro perdido, atar os elos perdidos, compartilhar com os entes queridos, recomeçar uma nova vida às vezes não é fácil ou possível.

Nem sempre se consegue salvar a caixinha de pandora e desvendar o seu conteúdo. Talvez seria mais cômodo deixá-lo no fundo do lago como se ela nunca tivesse existido.

Um filme sensível, formidável e apaixonante...uma caixinha de belas e poéticas surpresas.


O RETORNO

Vozvrashcheniye,
Rússia, 2003.
Direção: Andrey Zvyagintsev.
Roteiro: Vladimir Moiseyenko e Aleksandr Novototsky.
Elenco: Vladimir Garin, Ivan Dobronravov, Konstantin Lavronenko, Natalya Vdovina e Galina Petrova.
Fotografia: Mikhail Krichman.
Montagem: Vladimir Mogilevsky.
Direção de Arte: Zhanna Pakhomova.
Música: Andrei Dergachyov.
Figurinos: Anna Barthuly.
Produção: Dmitri Lesnevsky.