quarta-feira, 17 de março de 2010

Divagações sobre as divagações de um ator

Divagações sobre as divagações de um ator

Abaixo a mesmice! Às vezes é bom variar. Mudar de banca de jornal, de padaria, de mercado, posição de dormir, o corte de cabelo, mudar de casa, de entretenimento e tudo o mais. Enfim mudanças!

Cinema e teatro são linguagens diferentes. Lembrei-me de duas peças que assisti recentemente nesses tempos de mudança. A primeira foi Um Navio no Espaço com o ator que admiro muito Paulo José e suas reminiscências.
 Paulo José divagou entre outras coisas, sobre a formidável lata de fermento em pó Royal. Ele dizia mais ou menos o seguinte:

“Eu me lembro que, quando eu era pequeno, o fermento em pó Royal tinha como rótulo uma lata de fermento em pó Royal, dentro de outra lata de fermento em pó Royal e essa outra lata de fermento em pó Royal, e assim sucessivamente até o infinitamente pequeno. E se pegar um microscópio, lá estaria outra mínima lata de pó Royal.”

E o ator acabou comparando a função conativa da linguagem com o universo, a galáxia, os planetas, a infinitude até chegar a Deus. Um estando contido no outro. Todas as coisas estão interligadas.

Tive vontade de ao sair do teatro, passar no mercado e comprar uma lata de fermento em pó Royal. Ahahaahaha... E lembrei-me que isso apesar de ser teatro é Royal, digo, é REAL. As minhas lembranças aguçaram-se; nesse dia fizeram festa. Eis duas delas que brincaram de roda, tudo graças a essa bendita peça:

O padeiro quando faz pão, usa sempre um pedaço de massa do dia anterior na massa nova, e no dia seguinte juntará um pedaço da de ontem na do de hoje, e assim será infinitamente.

Temos em nosso DNA partículas elementares de nossos pais que por sua vez têm nos nossos avôs e eles têm a dos nossos bisavós até chegar a Adão e Eva. Ahaha... Então todo mundo é um pedaço de todo mundo. Todos interligados. E a teoria darwiniana, idem, ibidem... Esqueça os conflitos de qualquer gênero aqui.

Ah, Um Navio... faz qualquer um viajar. Uma lembrança remete à outra e a outra, e a outra...nem sempre boas, nem tudo más... Às vezes, lembramos de coisas insignificantes e esquecemos de importantes. Porque ambas são marcantes. A memória não faz distinção entre elas. Simplesmente as guardam, quando se precisa, procura-se e se acha. Ou algo ou alguém nos faz lembrar.

Se ainda estiver em cartaz, assista. Vale o investimento. Vale a pena lembrar.

A outra peça que gostaria de comentar é Sopros de Vida com Nathalia Timberg e Rosamaria Murtinho. Essa também fala em reminiscências de duas mulheres interligadas pela razão de dividirem o amor de um mesmo homem. Uma é a esposa e a outra a amante, numa relação que durou 25 anos, fazendo brotar um mundo de sentimentos nunca expressos de recordações, dúvidas e decisões, fundamental para a vida dos personagens.

Fica a sugestão. Está no CCBB. Inteira R$ 10,00. Gostei tanto que... surgindo um convite...
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Endereço: CCBB – r. Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro - (21) 3808-2020
Horário: quarta a domingo, às 19h
Até 28 de março
Preço: R$ 10

quinta-feira, 11 de março de 2010

O Banheiro do Papa – A vida imita a arte que imita a vida

O Banheiro do Papa – A vida imita a arte que imita a vida

O Banheiro do Papa (El Baño del Papa) é um filme baseado em fatos reais. Um drama que narra a vida e a luta diária de um povo sofrido e seus subempregos, vivendo de fazer bicos e transporte ilegal de muambas (pleonasmo proposital) na fronteira entre Brasil e Uruguai; fato centrado em uma família miserável da cidade de Melo, no Uruguai no ano de 1988, época do Papa João Paulo II e sua Odisséia pelo mundo.
O que mais me chamou a atenção nesse roteiro foi a criatividade, algumas ótimas sacadas, e a fotografia belíssima. São pequenas histórias assim banais que me cativam sendo transformadas em obra de arte. A viagem do maior representante da igreja católica pelo mundo tornou-se assunto corriqueiro depois de um determinado tempo; a imprensa no início fazia aquele alarde, cobertura ampla, geral e irrestrita, o foco estava centrado no Vaticano e na próxima parada de Vossa Santidade Karol Wojtyla.
Melo, que faz fronteira com o Brasil, começou a se preparar para esse santo dia. Os meios de comunicação anunciando constantemente a passagem do Papa por lá, contabilizando 50 mil pessoas participando do evento, deixou o povo pra lá de eufórico. A vinda dele é esperada pela população como uma forma de ganhar dinheiro extra. Muitos deles investiram suas economias comprando comida para alimentar a população nesse dia, bandeirinhas, souvenires e outras bugigangas; outros com a mesma idéia, mas sem recursos próprios, recorram a empréstimos a bancos.

Somente uma família teve uma idéia genial: A do Beto e sua esposa Carmen mais a sua filha Silvia. Pensaram em construir um banheiro, para uso exclusivo dos visitantes que por lá passariam, a fim de atender suas necessidades fisiológicas e cobrariam um valor simbólico de $$ 1,00, com direito a papel higiênico e tudo o mais.
Começaram a construir o banheiro no quintal da casa com tudo o que tem direito: porta, paredes de alvenaria, pia e faltava o detalhe principal o vaso sanitário. Carmen, a esposa que não era boba nem nada, tinha lá escondido no colchão suas economias que guardava para a educação de Silvia, sua filha que sonhava ser radialista. A propósito, a chegada do Papa por aquelas paragens seria o momento ideal para a garota mostrar seu talento, que por sinal vivia ensaiando. Já no dia D, da chegada do ilustre visitante é que Beto foi à cidade comprar o trono, porém, com todo o alvoroço, o formigueiro humano que se formava  naquele dia, fez com que ele se atrasasse e não conseguisse voltar para casa com o tão sonhado objeto do desejo nas costas. Num determinado momento, a família estava antenada com um canal de televisão que noticiava o povo se dirigindo ao local da chegada do divino evento, no centro da cidade e, de repente, vê no meio da multidão Beto carregando a privada e deduz que não chegaria a tempo de terminar o banheiro.
Muito trabalho por nada. Os moradores queriam tanto ganhar uns trocados, mas todo esforço de tempo e dinheiro investidos, tantos sacrifícios foram parar na lixeira. E ninguém naquele bendito dia queria fazer xixi.

Aprende-se muito com histórias desse gênero. Sempre tiramos alguma lição de vida. No carnaval 2010 do Rio de Janeiro, por exemplo, jovens moradores vizinhos do Sambódromo, aproveitaram o momento festivo para ganhar dinheiro. Como os banheiros químicos espalhados pela cidade nesse período não estavam dando vazão, duas adolescentes tiveram a idéia de alugar o de suas casas cobrando R$ 1,00 daqueles que precisavam se aliviar. Se deram bem. Chegaram a ganhar R$ 400,00 num dia de carnaval. Isso foi notícia em vários meios de comunicação, e a associaram a outro fato negativo que esse período proporciona, o de fazer as necessidades em lugares públicos. O Brasil está no ranking do ato obsceno com maior representação entre os porcalhões, que fazem xixi na rua. A repressão para os mijões presos no carnaval resultou em prisão e multa. Haja cadeia. E adianta?
Esse povo pagante é, lamentavelmente, a porcentagem mínima dos educados da nação "não faz mais que a obrigação", já que muitos preferem deixar seus dejetos nas praças, postes, árvores ou ao lado mesmo do banheiro perdendo o seu propósito. Sem falar nos lixos que são largados em qualquer canto, em qualquer lugar.

Será que uma campanha educativa na mídia, ajudaria? Abraço a genialidade do roteiro pelas boas intenções. Por outra ótica, pode ser interpretada como uma crítica aos atos de um povo, questão de ética e cidadania, por mais simples que ela seja. Fazer xixi no lugar certo, por exemplo. A educação que deveria vir de berço não existe há tempos. Sobra mais um desafio para os bancos escolares. Clap! Clap! Clap!
K Rostov
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O Banheiro do Papa ganhou alguns prêmios e indicações:

Festival de Gramado

• Vencedor nas categorias:

Melhor Filme — júri popular e Prêmio da Crítica
Melhor ator (César Troncoso, Kikito de Ouro)
Melhor atriz (Virginia Méndez, Kikito de Ouro)
Melhor roteiro (Kikito de Ouro)
Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
• Vencedor: Melhor filme (júri internacional)

Festival de Cinema Latino-Americano de Huelva

• Vencedor: Melhor roteiro

• O filme conquistou o prêmio Horizontes no festival de San Sebastián de 2007.
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• título original: El Baño del Papa
• gênero: Drama
• duração: 01 hs 37 min
• ano de lançamento: 2007
• estúdio: O2 Filmes / Laroux Cine / Chaya Films
• distribuidora: César Charlone e Enrique Fernández
• direção: Enrique Fernández, César Charlone
• roteiro: César Charlone e Enrique Fernández
• produção: Elena Roux
• música: Luciano Supervielle e Gabriel Casacuberta
• fotografia: César Charlone
• direção de arte: Ines Olmedo
• figurino: Alejandra Rosasco
• edição: Gustavo Giani
• efeitos especiais:

Sinopse:

1998, cidade de Melo, na fronteira entre o Brasil e o Uruguai. O local está agitado, devido à visita em breve do Papa. Milhares de pessoas virão à cidade, o que anima a população local, que vê o evento como uma oportunidade para vender comida, bebida, medalhas comemorativas e os mais diversos badulaques. Beto (César Trancoso), um contrabandista, decide criar o Banheiro do Papa, onde as pessoas poderão fazer suas necessidades durante o evento. Mas para torná-lo realidade ele terá que realizar longas e arriscadas viagens até a fronteira, além de enfrentar sua esposa Carmen (Virginia Mendez) e o descontentamente de Silvia (Virginia Ruiz), sua filha, que sonha em ser repórter.

terça-feira, 9 de março de 2010

Solano Trindade

Concurso de Redação 2009  "100 Anos de Solano Trindade"

O CEAP - Centro de Articulação de Populações Marginalizadas realiza há três anos, com o patrocínio da Petrobras, o Concurso de Redação Camélia da Liberdade 2009, sob o tema "100 anos de Solano Trindade, o poeta do povo" destinado aos alunos das escolas de Ensino Médio das redes pública e particular e, também, aos alunos dos cursos de pré-vestibulares, dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo.

Hoje, por acaso, estive na Unidade Escolar e fiquei sabendo que rendeu louros ao CIEP 432.   Um dos cinco alunos que inscrevi está entre os vencedores. Por enquanto não posso divulgar o seu nome. O magistério continua me dando alegria.
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Tem Gente com Fome

Solano Trindade

Trem sujo da Leopoldina
Correndo, correndo, parece dizer
Tem gente com fome, tem gente com fome
Tem gente com fome, tem gente com fome
Tem gente com fome, tem gente com fome

Tem gente com fome
Estação de Caxias
De novo a correr
De novo a dizer

Tem gente com fome, tem gente com fome
Tem gente com fome, tem gente com fome
Tem gente com fome, tem gente com fome
Tem gente com fome
Tantas caras tristes
Querendo chegar em algum destino
Em algum lugar
Sai das estações
Quando vai parando começa a dizer
Se tem gente com fome, dá de comer
Se tem gente com fome, dá de comer
Se tem gente com fome, dá de comer
Se tem gente com fome, dá de comer
Mas o trem irá todo autoritário
Manda o trem parar
- Shhhhiiiii!


Leia mais aqui sobre o poeta:

http://www.socialismo.org.br/portal/arte-cultura/78-noticia/523-cem-anos-de-solano-trindade

domingo, 7 de março de 2010

Ser ou não ser CINÉFILO?


Presentear é uma arte. Arte no sentido de fazer a escolha certa, aquela que vai realmente agradar ao presenteado. De aniversário ganhei uma camiseta e na manga está escrito “Louco por Cinema”. Quem me presenteou é um artista. Gostei tanto que usei no mesmo dia. Exagerou. Não sou tão louca assim por cinema.

Talvez amante da sétima arte que é sinônimo de cinéfilo. E como não há sinônimos perfeitos, fica a dúvida. Entre Cinéfilo e Amante da Sétima Arte existe um abismo.

Considero uma das palavras mais elegantes da língua portuguesa. Cinéfilo é composto por duas partes: cine e filo. Esta última quer dizer amigo, amante. Cinéfilo é, pois, Amante do Cinema.

O filo- de cinéfilo é o mesmo filo que aparece em bibliófilo e filósofo. O primeiro morre de paixão pelos livros. O segundo, pela sabedoria. Imagino o cinéfilo um exímio conhecedor deste universo artístico.

E basta gostar de um filme, uma trilha sonora, uma frase, um ator, diretor, roteiro etc, para que a pessoa rotule-se Cinéfilo, e a questão é que surgem cobranças de se mostrar um profundo conhecedor e dominar e saber tudo e qualquer assunto dessa arte, de modo a andar preocupado em ser cinéfilo, ao invés de apenas ver e gostar de filmes.

São tantas considerações em torno do significado dessa palavra, muito aquém, que quando se assume um cinéfilo de carteirinha cria-se uma expectativa diante das pessoas que passam a exigir que se saiba tudo de um determinado diretor, por exemplo, ou tudo sobre o Oscar, ou ficam desconfiados quando se diz nunca ter assistido a um filme asiático, ou nunca ter ouvido falar em Kublick, algo assim...

Talvez fosse melhor declinar todos os tipos de cinéfilos e dizer em qual delas cada um se encaixaria, como na escolha de gênero, qual a sua preferência, se tentaria chegar a um denominador comum.

1º Cinéfilo eclético;
2º Cinéfilo nerd;
3º Cinéfilo pipocão;
4º Cinéfilo clássico;
5º Cinéfilo, mas só de filme Europeu;
6º Cinéfilo, só de lançamento;
7º Cinéfilo cult – não assiste a qualquer coisa;
8º Cinéfilo de todos os gêneros;
9º Cinéfilo de suspense e terror;
10º Cinéfilo rato – De festivais ao Anima Mundi.
11º ...

It´s a joke!

Cinéfilo: A palavra tem um significado especial, alguém que gosta muito de assistir a filmes, que eternamente ama cinema e atualmente é um simples rótulo e banalizou-se o termo. Não se pode negar que é um entretenimento formidável, faz parte da minha, da sua vida. É essencial, não posso viver sem. E sem rótulo, por favor!

Aos Cinéfilos de plantão, hoje é um dia especial, dia de Festa. OSCARito 2010. Então prepare-se, alegre o seu coração  e divirta-se! Em Ultraje a Rigor

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

For Chat

Let's talk!


I will read, reply, delete. Not necessarily in that order!

I begin.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Sessão Nostalgia II - As Fotonovelas

Das fotonovelas aos dias atuais.
Vale a pena ler de novo...

Fotonovela era o entretenimento favorito das meninas da década de 70, que, ao invés dos gibis (revistas em quadrinhos) do Tio Patinhas, Recruta Zero, Luluzinha etc, apreciavam um romance mamão com açúcar. Confesso: era meu passatempo favorito. A diversão do momento. O tema era único, o sentimento universal, ou Love Story, e o protagonista considerado o príncipe encantado das garotas o que as faziam sonhar e declarar amor platônico por um determinado galã daquelas histórias.

Na minha casa esse tipo de leitura era permitido, apesar do rótulo literatura marginal, não havia o preconceito como acontece atualmente com determinados gêneros literáros como o de auto-ajuda, por exemplo, ou certos autores, certas músicas, em que se ouvirá uma crítica não construtiva por diversas razões.


Éramos inclusive fregueses de uma banca de revista onde comprávamos fiado toda semana. Conhecia todas as revistas de fotonovelas; era a febre da época, tanto que as minhas favoritas eram duas: a Grande Hotel e o Almanaque Capricho. As fotonovelas italianas, então, faziam sucesso e a alegria da rapaziada!

Mundinho cor de rosa aquele. Exagero à parte, preconceito sempre existiu, diziam ser gosto e linguajar duvidosos, não apropriado para menores etc e tal.

As revistas não eram caras, a venda não era proibida, apesar da censura 15 anos, se não me engano;  o material era o mesmo do jornal, as fotos em preto e branco, mas muito tempo depois algumas passaram a ser coloridas, principalmente as fotonovelas brasileiras.

Vaga lembrança de algumas atrizes e atores italianos, entre eles,  Ornella Mutti, Franco Gasparri, Gianfranco de Angelis, Katiuscia, Paola Piretti, Luciano Franciolli, Bruno Minniti, Alex Damiani, Franco Dani, Massimo Ciavarro, entre tantos outros que protagonizaram e povoaram aqueles momentos de magia e o mundo de fantasia literário era esse.

Século XXI, a literatura nobre está atrativa  e mais apaixonante do que nunca. Faz lembrar aquele tempo da fotonovela. As editoras estão investindo em massa transformando-as em quadrinhos a fim de agradar o publico infanto-juvenil  cada vez mais exigente, e não perder a leitura ainda em papel de vista. Em plena era digital, com livros até para se ouvir, ou o modismo dos i-books a ideia é formidável, os alunos vão adorar. (Assim espero).

Estou lendo em formato quadrinhos A Cartomante de Machado de Assis e Aniuta de Anton Tchekhov e aprovo e confirmo que dá  um gosto especial, tanto que se viaja nas histórias com mais prazer. Assim, os estudantes tomarão gosto especial e vão amar ler.

Tempos Modernos - Os Clássicos da Literatura agora em quadrinhos.

O Alienista
A Metamorfose

Ler é uma ótima diversão e faz bem à saúde mental.

Ler bula de remédio, receita de bolo, poesia,  gibis, conto, romance, sinais, pessoas, o mundo, o que se quiser e convier. Depois dar o  parecer. Escrever o que achou, um exercício gratificante.
O Guarani

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Coisa mais linda, mais cheia de graça



A cidade do Rio de Janeiro tem tanta magia, é cativante e sedutora;  anfitriã por excelência! Sempre de braços abertos recebendo o mundo. Beleza que embriaga e extasia.  Tudo é belo, sublime;  suave e imponente; aqui a perfeição reina.

Mar e montanha, do Leme ao Arpoador. É tudo tão real e contagiante. Deleitem-se!

Praia de Ipanema, uma das mais mundialmente conhecidas por causa da música de Vinicius de Moraes e Tom Jobim "Garota de Ipanema". Praia do Arpoador, Forte de Copacabana, Leme, morro Dois Irmãos,  visual deslumbrante, uma pintura de museu a céu  aberto, uma música clássica, uma obra literária, arquitetura de Deus. 

Declaro que sou apaixonda pelo Rio e que sou carioca de coração. É isso que se chama Sonhar Acordado


sábado, 13 de fevereiro de 2010

Cada um com a sua fantasia


Qual é a sua?



Fora da noite que me encobre,

Negro como o poço de polo a polo,
Agradeço ao que os deuses possam ser.
Pela minha alma inconquistável.
Nas garras das circunstâncias.
Eu não recuei e nem gritei.
Sob os golpes do acaso.
Minha cabeça está sangrando,
mas não abaixada.
Além deste lugar de ira e lágrimas.
Só surge o horror da sombra,
E ainda a ameaça dos anos.
Encontra e me encontrará... sem medo.
Não importa quão estreito seja o portão,
Como é cobrada a punição do que está escrito
Eu sou o mestre do meu destino:
Eu sou o capitão da minha alma.
Nelson Mandela

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O lado amargo dos DOCEntes

Carta Aberta à População do Estado do Rio de Janeiro.

Nós, professores servidores do Estado do Rio de Janeiro, escrevemos esta carta aberta à população do Rio de Janeiro para mostrar aquilo que realmente envolve a questão a incorporação da gratificação chamada

Nova Escola e a diminuição do nosso plano de carreira.

A princípio, não foi dito o valor do salário do professor estadual, que é de apenas R$ 607,26. A população deve imaginar que recebemos alguma ajuda extra, como vale transporte, vale refeição, que qualquer empresa é obrigada a pagar a seu funcionário. Porém, não é isso o que acontece: não recebemos estes benefícios que são direitos de todo o trabalhador e ainda temos o desconto previdenciário de 11%, recebendo um salário líquido de aproximadamente R$ 540,00.

O Governo faz propagandas na televisão dizendo que deu laptops para todo professor, mas na verdade, estes laptops foram adquiridos pelo sistema de comodato, ou seja, estes equipamentos são emprestados pelo governo que, quando bem entender, pode pedir os mesmos de volta. Atualmente, observamos a climatização das salas de aula, onde o Governo aluga os aparelhos e ainda terá um consumo absurdo de energia elétrica, gerando consumo de energia bastante elevado.

A incorporação do Nova Escola se dará até 2015, em 7 parcelas. O governador já se considera reeleito. Existem casos de professores que receberão, no ano que vem, segundo este projeto, um aumento de R$ 2,47! Isso mesmo, talvez não dê para pagar uma passagem com o valor deste aumento em 2010. Um outro ponto é o grande número de pedidos de exoneração de professores, estima-se que seja aproximadamente 30 por dia! Não existem condições de trabalho e isso nos incomoda.

Contudo, o que mais nos deixa indignados, é a carta compromisso enviada aos nossos lares onde o mesmo governador empenha sua palavra e agora se esquece de tudo aquilo que prometeu. As promessas são:

Promessa 1- Reposição das perdas dos últimos 10 anos.

Resultado- Reajuste de 4% e mais 8% de uma perda de mais de 70%.

Promessa 2- Manutenção do atual plano de carreira e inclusão dos professores de 40h.

Resultado- Não só manteve o professor 40h de fora do plano como diminuiu as diferenças entre níveis de 12% para 7,5%.

Promessa 3- Fim da política da gratificação Nova Escola e incorporação do valor da gratificação ao piso salarial.

Resultado- Esqueceu de avisar que seria em 7 anos e sem reposição da inflação.

Promessa 4- "A secretaria de Estado de Educação do meu governo terá como titular pessoa com histórico na área de educação e vínculos com o magistério."

Resultado- A atual titular da pasta é da área de computação, burocrata sem passagem pelo magistério.

Não somos ouvidos, e ainda vemos a imprensa nos virar as costas e distorcer a situação real. Somos pais e mães de família, que fizeram um curso superior, na esperança de um futuro melhor.

Contamos com a compreensão e a colaboração da população do Estado do Rio de Janeiro.

Vista a camisa da Educação, você pode não ser professor, seu filho e sua família podem não precisar da Educação Pública, mas a nossa sociedade só vai melhorar com Educação Pública de qualidade Faça a sua parte, essa será uma verdadeira mudança na história da Educação no Estado do Rio de Janeiro, porém precisamos adequar a verdadeira realidade do magistério Estadual.

Mande para os seus contatos a vergonha que acontece no RJ.e vamos mostrar a nossa força!!!!!!!

Agradecemos imensamente a atenção Professores do Estado do Rio de Janeiro.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Saw - Jogos Mortais

“Quanto vale a sua vida? Quanto sangue você daria para continuar vivo?”

Jogos Mortais - Saw

Jogos Mortais (SAW) é um filme do gênero terror e fez um sucesso considerável no ano de seu lançamento, (mais de 600.000 assistiram nos cinemas) tanto que seus realizadores o transformaram numa série. O primeiro foi escrito pelo também ator Leigh Whannell, que se baseou no curta Saw ½ de aproximadamente dez minutos, de James Wan, o que deu origem a esta saga. Para muitos, Saw deveria terminar no terceiro episódio com a morte de John, o vilão, mas parece que está conseguindo sobreviver para sorte dos fãs do gênero tanto que conta já com um lançamento anual, caminhando para o sétimo exemplar.

Jogos Mortais não é um mero filme de terror com finalidade de mostrar simplesmente sangue e vísceras. Saw tem um argumento instigante, um roteiro criativo e inteligente; uma idéia original o que geralmente me atrai é exatamente o diferente. A produção é caprichada, este suspense psicológico é um dos melhores dos  últimos tempos. Destaca-se pela qualidade de um thriller, muito bem feito e de tirar o fôlego. A fotografia é o ponto alto como também a montagem, e a direção excepcional; as atuações competentes. Gostei do elenco, tudo nos seus conformes. Mesmo para quem não gosta de filme com cenas fortes e de muita violência acaba se interessando e assistindo por curiosidade, pelo trailer caprichado e também pelos próprios críticos que deram parecer bom, dando crédito e concordando que vale uma conferida, pois prende a atenção do inicio ao fim. Afirmaram que nada deixou a desejar aos clássicos de terror vampirescos, que sempre reservavam para o final o melhor dos sustos. Este não, é o tempo todo. O final surpreende, nada do tipo obvio.

Diz em um dos cartazes desta série: É o melhor  serial killer desde Seven e uns dos melhores do gênero feito nos últimos tempos.

JOGOS MORTAIS - SAW - nada mais é que um jogo comparado aos simples ou super produzidos para computadores, ou aqueles joguinhos nossos velhos conhecidos de damas, xadrez, cartas etc, que certamente precisa de parceiros para que se concretize. Jogos Mortais, porém, vai além; é um Jogo de vida ou morte.

E o filme começa com a seguinte frase: QUE OS JOGOS COMECEM!

Jogos Mortais é um dois em um: um filme e um jogo. Quando se assiste em DVD, para se começar a rodá-lo, deve-se clicar, interessantemente, na palavra JOGAR, o que chamou a minha atenção.

Nesta primeira edição John é o vilão interpretado pelo ator Tobin Bell, mas aqui ele está desfocado, não é o centro das atenções, só será foco a partir do II episódio.



O jogo começa com duas vítimas trancadas e que acordam acorrentadas pelo pé num banheiro úmido, sujo e assustador; uma delas desacordada numa banheira cheia de água, e ao despertar, tamanho é o susto, esvazia a banheira e uma chave que se encontrava lá acaba indo pelo ralo; e outro corpo ensanguentado estirado de bruços no chão, parece estar morto, em uma das mãos segura um mini-gravador e em outra uma arma. Eles não sabem exatamente o que aconteceu e o motivo de estarem nessa situação até que o mistério aos poucos vai sendo desvendado.

Um dos presos é médico, Dr. Lawrence Gordon, e outro, um detetive, Adam Faulkner. Conversa vai, conversa vem, eles acabam seguindo pistas do porquê estarem naquele lugar e daquela maneira.

“Adam: – Socorro, alguém me ajude!

Dr. Lawrence: – Não adianta gritar, ninguém vai te ouvir, eu já tentei.

Adam: – Acende a luz!

Dr. Lawrence: – Acenderia se pudesse. Eu sou médico. Acordei aqui como você. Sabe por que veio parar aqui?

Adam: – NÃO! E quanto a você?

Dr. GLawrence: - Hoje você vai se ver morrendo, Adam. O que pensa a respeito disso?
...
Dr. Lawrence  – Temos que pensar por que estamos aqui. Há um relógio novinho na parede. A pessoa que fez isso nos monitora através do tempo.“

A primeira pista é Adam que encontra em um de seus bolsos, uma fita cassete dizendo: TALK ME. Conseguem dar um jeito de pegar o gravador que está na mão do corpo estirado no meio do chão. (No final é que se descobre que aquela pessoa estirada é o John, o vilão ou anti-herói desta história que acaba se levantando e eis o desfecho inesperado e surpreendente dessa história). A fita lhes dá a primeira coordenada, dizendo que devem encontrar algo para que se livrem da armadilha. Adam encontra dois pequenos serrotes. O maquiavélico jogador colocou com o objetivo de serrarem o tornozelo para se desvencilharem e escaparem, mas a dupla entendeu que era para serrar as correntes, o que não deu certo por serem grossas e acabaram desistindo. E foram encontrando outras pistas, outra fita e um celular que serviria somente para receber chamadas do jogador-mor.

Enquanto isso a polícia já começa suas investigações a partir de Amanda, garota bonita, porém transtornada por tudo que viveu e passou, nas últimas semanas e a sua luta para sair viva da situação absurda que se viu; ela uma ex-drogada que estava presa em uma armadilha juntamente com o namorado, e a pessoa que os prendeu é a mesma que agora “joga” com essa dupla. Amanda teve que matar o namorado para poder pegar uma chave que estava no estômago dele e se livrar da sua armadilha num tempo mínimo de menos de três minutos, caso contrário essa armadilha a detonaria, exatamente como acontece num game qualquer.

Para se entender essa história de vez, a filosofia de Jigsaw (John) é a seguinte: Quem ama a vida, não briga com ela, não a destrói, é “politicamente correto” E Amanda, não se amava, já que usava drogas o que acabava com sua vida aos poucos.

Amanda dizendo para o delegado: "– Foi por isso que ele te escolheu. Eu era uma viciada, e ele me ajudou, me salvou.”

Acompanhando as cenas dos próximos filmes se descobrirá a performance de  Amanda como seguidora e ajudante de John. Totalmente mudada. Transformada numa exímia jogadora e súdita do rei dos jogos mortais. Quem te viu, quem te vê.
O médico Lawrence é um dos suspeitos da polícia, porque encontraram na cena de um dos crimes uma caneta dele, e ninguém sabia nem mesmo ele como ela foi parar lá. John, o vilão tem tumor cerebral (câncer) e, coincidentemente é paciente de Lawrence. No hospital, um dos enfermeiros sabe muito desse vilão e descobre-se que está metido na história dos “jogos” da cabeça aos pés; a princípio é um dos colaboradores de John; é ele que está monitorando no momento aqueles dois do início da história.

A polícia, o detetive David Trapp (Danny Glover) que foi escalado para conduzir esta investigação, e rastrear o serial killer juntamente com o seu companheiro acabam descobrindo o esconderijo do jogador. E “voam” para o local. Lá encontram a próxima vítima, todo amarrado numa cadeira, pronto para ser executado. São recebidos pelo que passei a chamar de bonequinho vil andando numa bicicleta. Esse bonequinho está presente nas histórias falando por John, quase sempre pelo monitor, passando as informações aos jogadores.

A dupla de policiais procura se esconder ao perceber que o assassino esta prestes a executar essa vitima, mas John percebe a presença de ambos e tenta matá-los. Corta o  pescoço de um deles e acerta com um tiro o outro. Enfim, o sortudo vilão consegue escapar.

Enquanto isso o médico e seu colega continuam se questionando a fim de descobrirem o motivo de estarem presos e o tempo começa a se esgotar.

O médico era infiel, traia sua esposa com uma colega de trabalho; o detetive fora contratado para tirar fotos para o policial David (Glover) que o tinha como suspeito. Enfim, para o vilão, segundo a sua filosofia, todos teriam motivo de sobra para não continuarem vivendo até que se provasse o contrário. O médico resolve serrar seu tornozelo para poder escapar. Pega a arma que esta no chão, atira no seu companheiro de cárcere que não morre, enquanto o médico sai se arrastando e sangrando muito para procurar ajuda.

Na verdade, John, nunca matou ninguém, então ele não é assassino. Indiretamente ele tenta por meio de suas vítimas, fazer com que uma elimine a outra. O objetivo dele é dar propósito à vida dos jogadores.

E no fim ele diz que as pessoas não dão valor ao que possuem, e que algumas pessoas são ingratas por estarem vivas, e tem sempre aquele que merece segunda chance.

E ele fala: - "Nestes últimos anos você fez de tudo para morrer (jogo de vida ou morte). Agora você tem tanto tempo para tentar. A ironia de tentar viver. Mas seja rápido porque a porta estará trancada e o quarto será o seu túmulo. Mas não você; nunca mais.” E conclui dizendo a célebre frase:

"GAME OVER." Trancando definitivamente Adam naquele lugar.

O Jogo Terminou.
Neste primeiro o clima de terror psicológico e mortes são considerados incríveis e sem clichês. A história é bem coerente e procura desvendar os mistérios e a razão em comum dos escolhidos a participarem desse Jogo Mortal.
***
Como dizem os fãs “Perfeito! Soberbo! Surpreendente! Tornou-se um clássico do gênero.”

O expectador acaba entrando no jogo, tornando-se bem participativo, mesmo não conhecendo as regras acaba aprendendo e como se sair delas. Ética e lição moral, conseqüências dos atos. A platéia em certas cenas parece se identificar e vê a vida girando como se estivesse em um carrossel, baseando-se nas vivências e experiências humanas. Ficção e realidade mesclam-se.

Usa-se freqüentemente da abordagem e função social de um filme para se dizer se ele é bom ou ruim e todos os elementos que se esperam do dito “qualidade”. A trama está bem amarrada. Pode-se assistir aos jogos seguintes independentemente de não ter assistido a sequência ou a todos da série, pois o recurso flashback está ativado. Assista e saberá.

É surpreendente do início ao fim. Gostei. Recomendo! Que venham os outros jogos!

Karenina Rostov
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título original:Saw
gênero:Terror
duração:01 hs 42 min
ano de lançamento:2004
site oficial:http://www.jogosmortais.com.br
estúdio:Evolution Entertainment / Saw Productions Inc.
distribuidora:Lions Gate Films Inc. / Paris Filmes
direção: James Wan
roteiro:Leigh Whannell, baseado em estória de James Wan e Leigh Whannell
produção:Mark Burg, Gregg Hoffman Oren Koules
música:Charlie Clouser
fotografia:David A. Armstrong
direção de arte:Nanet Harty
figurino:Jennifer L. Soulages
edição:Kevin Greutert
efeitos especiais:Title House Digital

Quer Jogar?

Eis um brinde para você que é fã da série de terror Jogos Mortais -
SAW. Curta de James Wan Como tudo começou. Também chamado de Saw 1/2.

Escrito por Leigh Whannell que também atua como David. O Curta que deu origem a saga Jogos Mortais. Eu Curto esse jogo, e se você também gosta, aguarde as novidades.

Divirta-se!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

De Volta para o Presente

De volta às aulas!

* Discutindo Planejamentos
* Proposta Curricular - New
* Turmas
* Díario Rupestre
* Diário Virtual
* Calendário de Provas
* Projetos
* Preparando Aulas
* Pit Stop = Café.



domingo, 31 de janeiro de 2010

Uma breve mensagem...

Prof. Anderson
Querido amigo, sei que você está bem, na presença do Senhor,

Não tenho palavras para dizer o quanto me orgulho de ter conhecido uma pessoa especial como você. Jamais te esquecerei. Desta que só tem boas lembranças da nossa amizade sincera e verdadeira.

"Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar."

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

De Mãos Dadas - Parte II

E voltando ao assunto  poeta J.G.

J.G. de Araújo Jorge escreveu De Mãos Dadas, o  segundo livro com a poetisa Maria Helena que ele prefere chamar de segundo volume. Neste, Maria Helena responde aos poemas do livro dele chamado Espera. Em carta a J.G. ela pediu a ele que este novo livro se mantivesse o título com um pequeno acréscimo: Appassionato. Realmente, neste livro a musa prolonga as notas líricas e passionais de "Espera...." , "A Sós...." e "Harpa Submersa", a tetralogia do Amor. E como já sabem, eles não se conheceram pessoalmente. Um oceano os separavam.


Entretanto, como um maravilhoso arco-íris de belezas e de emoções, suas poesias fazem uma "ponte" , onde os dois se encontram " de mãos dadas" em duetos líricos e num diálogo de fantasias.

E vamos a duas poesias que escolhi dos amantes para que degustem:

Amor fora do Tempo

O tempo - esponja e inverno,
tédio e rotina,
epitáfio e adeus,
irremediável partida sem partidas,
destilaçãos de ausência -

para nós, é teia e amarra,
- fusão.

O tempo é que se ausenta
e à margem dele, restamos eternos,
dois a viverem
num coração.

J.G.

Amor dentro do Tempo

Que importam horas ou momentos?
A ti que importa o Tempo e a mim que importa,
Se hoje somos os líricos rebentos
De uma roseira morta?!

Se tanto nos queremos,
Se eu em ti moro e em mim tu moras,
Vai para além das horas que vivemos
O nosso amor sem horas.
Que faz que o mundo tenha muitas rotas,
Quando o caminho é um, longe de quaisquer vistas?
Se mudamos a mais humana das derrotas
Na mais divina das conquistas?
Se é certo que a alegria nos sobeja
E espedaçamos a neblina
E nos teus olhos tens os meus,
Deixa que o Tempo seja
Tédio e rotina,
Epitáfio e adeus.

De olhos enxutos,
Vivendo cada qual a sua arte
Na fé imensa com que nos amamos,
Pela estrada complexa dos minutos,
A Vida parte,
Mas nós ficamos.
Ficamos em certeza e valimento
Neste esplendor de Sol que nos invade.
Ficamos a jurar cada momento
Que o nosso amor, no coração do Tempo,
Fica a pulsar Eternidade.

M.H.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Só Dez por Cento é Mentira


Um breve merchan da Desbiografia do poeta  Manoel de Barros. Só Dez por Cento é Mentira, é título do  filme baseado na vida dele.  E esses livros na foto são os seus livros.

O tempo vai passando, mais um ano de vida, o primeiro mês do ano já se foi.  Continuo  torcendo para que coisas boas aconteçam para todos.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Achados e perdidos














Fotos E. B.  Centro do RJ 2010.


Achar dinheiro é sorte. Coloque esta sorte dentro do sapato se for dinheiro. Atrai coisas boas. Tsc, tsc, tsc...Crendices!

"Achado não é roubado, quem perdeu foi relaxado." Mesmo achado, não nos pertence, deve-se desolver. Mas nem sempre é possível.

Tem gente que tem sorte, acha coisa o tempo todo.

Já encontrei  filme DVD  dentro de cinema, no ao passado três. Talvez alguém tenha copiado a ideia do "perca um livro". Eu apoio. Caso seja descuido, que tal  criá-la? Fica a sugestão.  Dois deles devolvi, um acabei me esquecendo, ficou por um bocado de tempo na bolsa, quando me lembrei resolvi assistir. É um filme nacional chamado (...) a fotografia é belíssima. Gosto tanto dessa arte que pelas minhas andanças, encontrei estas imagens, fácil de se identificar, tiradas todas no mesmo dia, nas mesmas proximidades, fácil de localizar.

Perca um tempo ao dia, apreciando a paisagem, a natureza, e tudo de bom qua a vida nos proporciona. A primeira arte.
 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Data Memorável


Aniversário da metrópole brasileira: São Paulo completa hoje, dia 25 de janeiro, 456 anos. Toda gente desta nação está ali representada. Todo sotaque do planeta acaba se esbarrando em SAMPA. Terra da miscigenação universal.  Terra da Garoa, a cidade que  gente de toda parte do mundo escolheu para viver e trabalhar. Ela é patrimônio da humanidade.


Feriado na maior cidade do Brasil (que quase não para) neste dia porque ela realmente é especial e merece. Parabéns!

Caetano Veloso canta SAMPA - o que traduz o meu sentimento, meu carinho por esta maravilhosa cidade.



domingo, 17 de janeiro de 2010

Decálogo IV

Os Dez Mandamentos - Versão resumida – Velho Testamento – Êxodo 20.

1. Não terás outros deuses diante de mim.
2. Não farás para ti imagem de escultura, não te curvarás a elas, nem as servirás.
3. Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão.
4. Lembra-te do dia do sábado para o santificar. Seis dias trabalharás, mas o sétimo dia é o sábado do seu Senhor teu Deus, não farás nenhuma obra.
5. Honra o teu pai e tua mãe.
6. Não matarás.
7. Não adulterarás.
8. Não furtarás.
9. Não dirás falso testemunho, não mentirás.
10. Não cobiçarás a mulher do próximo, nem a sua casa e seus bens.
DEUS

"Ninguém pode viver nossa vida por nós.
Se há algo que eu quero é paz."
Kieslowski
 Decálogo IV  -  Kieslowski

Quem já não viu um filme que envolva carta? São tantos, não? De amor, de escárnio, de conteúdos diversos... é o fetiche máximo do melodrama. Em Lolita de Stanley Kubrick, carta de Charlotte endereçada ao amado; Ligações Perigosas de Stephen Frears a carta ocupa lugar privilegiado, como também em Nunca te vi... Sempre te Amei de David Hugh Jones; Disque M para Matar de Alfred Hitchcock; Cartas de Iwo Jima de Clint Eastwood; Rastros de Ódio de John Ford; em Casablanca é uma quase carta; na verdade trata-se de um bilhete de conteúdo significativo e como este último tornou-se um cult, achei interessante destacar o de Isa para Rick. E a finalidade quase sempre é a mesma: é usada como pretexto para o desenrolar das ações e dos diálogos.

“Richard, não posso te acompanhar ou te ver outra vez. Não pergunte o porquê. Apenas acredite que eu te amo. Vá, meu querido, e Deus te abençoe. Isa”.

Umas das histórias mais tocantes da telona que eu me lembro e que a protagonista é uma Carta é exatamente aquela que não vi. Como é possível? Parece loucura, mas é isso mesmo. Trata-se de um dos filmes do DECÁLOGO de Kieslowski que eu batizei de A CARTA. Vira e mexe, me lembro desse filme. A minha irmã foi que me contou, e sempre tive a sensação de tê-lo assistido, lembranças de algumas cenas de certos detalhes, as sutilezas nos gestos, olhares, e não sei por que, na época,  ao ouvir tive uma sensação desagradável, que me deixou agoniada e triste.

Anos depois é que assisti ao belo filme, (em janeiro de 2010, no CCBB- Rio) e para minha surpresa, é como se estivesse revendo.

 O Decálogo é uma adaptação livre de Os Dez Mandamentos do Antigo Testamento da Bíblia. Kieslowski realizou na década de oitenta para a televisão Polonesa e cada um deles com o tempo de 55 minutos, transformando, pouco depois os dois primeiros em longametragens:  o Não Amarás e o  Não Matarás. São histórias dos tempos modernos, mostrando que desde que o mundo é mundo quase nada mudou, que o homem continua o mesmo: invejoso, ambicioso, mentiroso, egoísta e toda espécie de fragilidade no que tange “a moral e bons costumes’.

Os episódios são independentes, e  foram realizados em Varsóvia, num conjunto habitacional - lugar-comum para todos eles. Há  um personagem misterioso que entra mudo e sai calado, que aparece transitando em cada história apresentada. Se você ainda não assistiu, preste atenção para saber quem é ele. Se já assistiu é forçar a memória. Neste 4 episódio é o homem que carrega uma canoa nas costas e ao passar por Anka a encara quando ela tenta em uma das vezes abrir a carta, o que a faz desistir. Isso daria margem a um novo roteiro.  Às vezes de uma frase se cria um conto, uma poesia, uma novela. Veio-me essa ideia... viajo... Kieslowski explica: Seria uma espécie de anjo. Parece querer dizer "Faça a coisa certa."

A Carta como eu a denominei trata-se do DECÁLOGO 4 – HONRAR O NOME DO TEU PAI E DE TUA MÃE. Kieslowski é bem didático, deixando claro a intenção da mensagem que se quer passar, daquilo que a pessoa faz, independente de certo ou errado, sofrerá a devida consequência; é metódico, tratando cuidadosamente questões éticas, morais e religiosas a cada respectivo mandamento, à maneira dele de interpretar e de  fazer a leitura do mundo.

Honrar o Nome do Teu Pai e de Tua mãe - É a história de Anka, uma jovem de vinte anos. A mãe morreu quando ela apenas tinha alguns dias de vida e passou a viver com o pai, Michel que a criou sozinho. Um dia ele viaja, e enquanto está fora a filha encontra em seu quarto um envelope escrito com a letra do pai: "Não abrir antes da minha morte". Dentro, um outro envelope endereçado, com a letra de sua mãe, para ela. Anka é uma estudante de teatro, com um professor que marca em cima, só podia mesmo levar jeito para a coisa e ter talento de sobra para dar e vender. Como toda garota de sua idade, tem namorado, e confessa que já fizera um aborto (isso para justificar ao pai que toda mulher sabe que é mãe e quem é o pai;  enquanto que  e o homem nunca tem essa certeza).

Excelente atriz. Revela ao pai que encontrou a tal carta  enquanto ele estava viajando e  mentiu-lhe que leu. Imaginou o conteúdo, decorou e contou a ele que acreditou. Na verdade ela escreveu uma outra com tudo o que imaginara. Um devaneio. Vinte anos se passaram  e nenhum dos dois leu a bendita Carta.

Envolve outros mistérios e segredos da alma. Amor velado e não revelado; sentimentos não vividos por medo. O que me deixou agoniada, na verdade foi não saber o conteúdo da mesma. Curiosidade mórbida essa do expectador, mas claro, fiquei intrigada. Não se tem acesso como os outros exemplos que citados no início. Lembra o filme russo O RETORNO -   uma caixinha e o segredo de seu conteúdo revelado apenas ao fundo do mar.

A intenção  era não revelar o mistério. Havia uma desconfiança de adultério no  ar. E desde então a incerteza povoa a mente do viúvo: “É a minha filha ou não?” E de Anka que amava aquele homem não como pai: “É ou não meu pai?” Sem resposta, sem certeza, gostavam-se através de gestos e insinuações. Um pedaço de papel pode fazer um estrago enorme na vida das pessoas. Resolveram queimar. Um mistério que virou cinza.

Tudo poderia ser diferente se eles a tivessem lido.  Mas aí não haveria roteiro, não teria filme, esta história não existiria...

São tantas coisas que se deixa para trás...cartas que não são lidas ou que não se escreve, palavras que não são ditas, sentimentos que não se vive, desculpas que não pedimos...Tem coisa que é melhor mesmo não se saber. Nunca.
Karenina Rostov