Mostrando postagens com marcador Resenha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Resenha. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 27 de março de 2012

Cinema com aspirinas


"O cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho." (Orson Welles)

"O cinema é um modo divino de contar a vida." (Federico Fellini)

"É nos cinemas que se realiza o único mistério totalmente moderno."  (André Breton)

Cinema com aspirinas

Parece que foi ontem minha primeira sessão de cinema numa imensa sala de mil poltronas vermelhas, aos dez anos, para ver um filme grandioso e belo confirmando a tese de que a primeira vez é realmente inesquecível! Sempre haverá um fato marcante em cada momento da vida e, em se tratando da sétima arte e meia – como costumava brincar, pelo fato de Cinema e Literatura ocuparem um espaço primordial em minha vida e ambas são, para mim, necessidades básicas fundamentais como o ar que se respira. Costumo dizer também que somos resultados dos filmes a que assistimos e das leituras que fazemos. sem  desmerecer outras modalidades artísticas.

Estamos presentes em cada filme que assistimos; cenas são como espelhos que refletem imagens da alma, às vezes meio que embaçadas, porta-voz daquilo que desejamos transmitir, muitas vezes nos vemos como as próprias personagens ocupando espaços de meros espectadores nas mais diferentes histórias.

O significado da palavra CINEMA, durante longo período de minha infância era de algo sagrado e profano; ou sagrado ou profano, duas faces de uma mesma moeda, pelo fato de não aceitar ou entender determinadas normas e regras impostas, censurando ao acesso a determinados filmes. Daí passei a criar uma regra pessoal e intransferível de interpretar e entender que não se vai ao cinema, mas ao filme.

Sagrado pelo fato de o espaço físico daquele cinema, estar inserido no contexto de uma escola católica de padres salesianos, os fundadores, e por esse motivo, durante anos a fio, assistíamos a grandes produções cinematográficas de cunho religioso sucessivamente, tanto que a minha primeira vez, como não poderia deixar de ser, foi com o formidável, necessário e inesquecível “Os Dez Mandamentos” o que se tornou o clássico da minha infância, e acabei assistindo a várias sessões em um mesmo dia.

O cinema passou a ter significado profano quando me proibiram de assistir a um determinado filme censurado a menor de dezoito anos. E aí surgiram perguntas sobre o intocável e pecaminoso, e isso fazia aumentar o meu desejo e a minha curiosidade de não saber ou entender determinadas proibições. O filme era ”Boccaccio 70”, de Federico Fellini e Vittorio de Sica. A censura aguçou minha curiosidade. Sabia da existência do livro “Decameron” – As novelas de Boccacio - na biblioteca da escola, e alguns amigos e eu passamos a ler uns aos outros essas formidáveis narrativas transformadas em magia graças à literatura.
Karenina Rostov

sábado, 5 de abril de 2008

JUNO, a filha de Zeus.




Juno MacGuff (Ellen Page) é uma adolescente que engravida de maneira inesperada de seu colega de classe Bleeker (Michael Cera). Com a ajuda de sua melhor amiga, Leah (Olivia Thirlby), e o apoio de seus pais, Juno conhece um casal, Vanessa (Jennifer Garner) e Mark (Jason Bateman), que está disposto a adotar seu filho, que ainda nem nasceu.

**********************

Juno , a filha de Zeus. É assim que a adolescente se apresenta, não?

O filme bem que poderia se chamar: Obrigada, por não abortar! (fazendo alusão ao outro filme desse diretor)

Não estava animada para assistir a esse filme – JUNO – pois fazia uma idéia preconceituosa achando tratar-se de mais um daqueles filmes estilo sessão da tarde, para “aborrescentes” ver. Confesso que me enganei redondamente. O filme não é lá uma obra-prima cinematográfica, mas tem um valor humanístico imenso. Logo pela sinopse constata-se isso:

Uma garota de dezesseis anos é pega de surpresa com uma gravidez não planejada, e toma uma decisão incomum e ligeiramente bizarra de doar a criança.

Discordo do termo “bizarro” empregado para definir a decisão tomada pela protagonista.

No início da trama, mostra a garota fazendo uma longa caminhada bebendo um galão de suco, até chegar a um mercado a fim de comprar um kit de exame de gravidez o qual a mesma faz pela terceira vez. Certamente algo a preocupa. Certamente ela sabe o que fez e a sua preocupação tem fundamento.

É um filme que nas entrelinhas, há uma mensagem expressiva e tão importante para os tempos modernos.


Traçando um parâmetro entre o filme e os dias atuais, muitas lições de vida podemos tirar, e concluir que a arte imita a vida e vice-versa. Gravidez na adolescência. Ou melhor, gravidez em qualquer idade, principalmente se ela não foi planejada ou se ela for indesejada.


Houve um tempo em que o aborto, ainda considerado ilegal, era a melhor decisão ou solução a ser tomada para uma gravidez indesejável.


O genial desse filme é a idéia de se salvar uma vida. E pasmem! É uma menina de dezesseis anos que pensou nessa solução. Geralmente nessa fase da vida, o jovem não tem maturidade suficiente para tomar decisões como essa. Sem falsos moralismos, ela tomou a decisão certa e com o apoio da família, do namorado e dos amigos.

Sem falsos moralismos também quando se trata de doar um ser, uma vida nos questionamentos infindáveis do tipo: “e onde fica o amor materno?” “doar um filho?” , “doar um ser que você gerou?” Etc...

Ao se pensar em todos os problemas já existentes no mundo, fico feliz em saber que esse - o de se salvar uma vida - seriam dois de muitos problemas resolvidos. Não matar (o aborto é uma forma de assassinato), e salvar (salvar uma família que deseja ter um filho e não poder, salvar uma vida que não pediu para ser gerada, não pediu para nascer). Está ficando complicado, não?

É um filme para levar a sociedade a muitas reflexões em torno da situação levantada. É um filme que dá margem a muitos questionamentos: familiares, relação sexual sem proteção – dando margem a doenças sexualmente transmissíveis, adoção, aborto, separação etc.

Realmente é um filme digno de muitas premiações.

Eunice Bernal

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

PRESENTE!

RESULTADO OFICIAL:

1o. Lugar: EUNICE (LIVRO LEMBRANÇAS DE HOLLYWOOD/DVD ERA UMA VEZ NO OESTE/CD MOVIE MASTERPIECES: Ennio Morricone)

2o. Lugar: MADALENA (LIVRO OS CEM MELHORES POEMAS BRASILEIROS DO SÉCULO/DVD SEM DESTINO: Edição de Colecionador)

3o. Lugar: CARLOS HENRIQUE (DVD ROMEU E JULIETA/CD ROD STEWART: THE GREAT AMERICAN SONGBOOK III)

Parabéns aos vencedores!!! E obrigado a todos pela participação!!!


MEU FILME NATALINO FAVORITO

O EXPRESSO POLAR – de Robert Zemerckis

O Expresso Polar foi um dos filmes natalinos mais sublimes que já assisti (ultimamente, claro!) e, tão marcante...
Ele traz uma mensagem singela em forma de fábula e nos faz embarcar numa aventura fantástica, num expresso, num trem negro surgido no meio da noite, do nada, envolvido em brumas, para um passeio surreal, juntamente com outros passageiros escolhidos a dedo, sonhadores, realistas, descrentes, passionais... mas, enfim, um desejo maior e ardente que era o de querer fazer parte daquele mundo e descobrir o que havia de tão especial e de mágico que essa viagem proporcionaria, nos conduzindo uma vez ao ano, nos fazendo sonhar acordado a um mundo onde acredita-se ainda ser possível sonhar, devanear, e continuar na eterna busca daquele presente tão desejado, aquela jóia preciosa que cada um sabe o seu valor.
O presente nem sempre precisa vir na maior caixa, no melhor embrulho; ou vale quanto pesa; o valor maior é simbólico, ou o prazer que o mesmo irá proporcionar.
O PRESENTE é o AGORA, e ele é o maior presente. E Papai Noel existe. E esse filme realmente nos leva a uma viagem inesquecível.



PRESENTE!


Papai Noel apareceu por aqui mais cedo do que eu imaginava. Não estava com aquele seu tradicional traje de gala. Nem com a sua típica barba branca, seu trenó, tampouco desceu pela chaminé (se bem que aqui só temos um velho alçapão). Simplesmente tocou a campainha. Abri a porta e prontamente ele me entregou uma imensa caixa.

Papai Noel estava mais em forma do que nunca. Jovial, atlético, super-animado, trajando, bermudas azul-claro, camisa amarela e tênis. No lugar do gorro, um boné da mesma cor da bermuda, alto; magro, atlético, uma barba negra, sorridente, que não era o tão conhecido e reproduzido HO, HO,HO, mas um sorriso contagiante, cativante, um convite para um sorriso mútuo.

Papai Noel não carregava sacos, mas duas sacolas lotadas de caixas. Em uma bicicleta que deixou no andar de baixo havia tantas coisas mais, que seu trabalho nesse dia seria, certamente, árduo, porém, compensador. Imagine a cena. E eu não o esperava tão cedo. Surpresas sempre são agradáveis. Entregou-me não apenas um presente, mas quatro. Um livro, um CD, um filme e uma Comunidade. E essa é a melhor parte do presente. Uma comunidade que todos os dias me presenteia com experiência e conhecimento daquilo que amo. CINEMA. É uma troca constante entre todos os participantes, prazerosa, em que, ensinamos e aprendemos, nos motiva, emotiva, nos cativa e nos vicia.

Confesso que é um vício gostoso, passar por lá sempre que for possível. É uma sala de arte, é uma escola, onde todos são mestres e alunos. Adquire-se um pouco mais de conhecimento da sétima arte, trocando-se experiências. Um brechó cinematográfico. Adoro!

Obrigada por tudo, Roberto! Amei os presentes.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Dez contribuições do cinema by myself

Dez contribuições cinematográficas


1- Corra, Lola, Corra – Um filme moderno indispensável. É um três em um, digamos assim, o mesmo objetivo, porém, acontecimentos diferentes. Passei a acompanhar o trabalho da atriz Franka Potente e admirá-la a partir deste. A trilha sonora é ótima.
O diretor Tom Tykwer usa diversos tipos de linguagens cinematográficas para contar a história de uma jovem que tem apenas 20 minutos para salvar seu namorado. A mistura de animação deu um tom “cool” . Uma película simplesmente deliciosa.

2 - A Bruxa de Blair – Esse tornou-se um dos meus filmes de cabeceira. Um pseudo-documentário - feito por três estudantes de cinema (isso já faz parte do roteiro) que se vão para uma cidadezinha dos EUA, a fim de fazerem um um trabalho de fim de curso sobre uma lenda de uma bruxa que vive na floresta e de estranhos acontecimentos que cercam essa aldeia.
Um roteiro simples e inteligente transformada numa idéia genial. É um suspense psicológico brilhante! O medo daquilo que não se sabe exatamente do quê.

3 - O Pagador de Promessas – É um dos melhores filmes do cinema nacional. Tanto que é um dos mais copiados pelos cineastas brasileiros; há muitos outros, com certeza, mas cito este pelo fato de ter sido injustiçado, não ganhando o prêmio que tanto merecia. Mas o prêmio maior é o reconhecimento dado pelo seu público. Um filme simplesmente magnífico.

Sinopse: Ao tentar cumprir uma promessa feita em um terreiro de candomblé, um humilde homem, após carregar uma pesada cruz por um longo percurso, enfrenta a intransigência da Igreja. Dirigido por Anselmo Duarte e com Leonardo Villar, Glória Menezes e Norma Bengell no elenco. Recebeu uma indicação ao Oscar.

4 – A Balada do Soldado – Sublime, intenso, delicioso, ardente... é tudo o que o cinema russo tem de bom e de melhor. A cena mais tocante e emocionante acontece já no final, quando Alyosha (o soldado) encontra-se com a mãe e esta chora ao se despedir dele no portão de casa para que ele retorne à guerra. Ela estava prevendo que esse seria a última vez que veria o filho amado.
Direção:
Grigori Chukhraj – Drama / Guerra / Romance.


Sinopse: Durante a Segunda Guerra, o jovem garoto Alyosha se vê abandonado nos campos de batalha quando seu parceiro morre, e sendo caçado por quatro tanques nazistas. Ao destruir dois na mais pura sorte, ele recebe uma condecoração, mas a troca por uma semana de licença para visitar sua mãe e consertar seu telhado. Só que o caminho de volta é longo e, sem um meio de transporte definido, Alyosha vai de comboio em comboio, vendo as diversas facetas da sociedade e as mazelas da guerra.


5- Casablanca – Nem toda história de amor tem que ter final feliz. Parece que quando isso acontece o amor tem mais intensidade, esse sentimento é mais profundo... Contado em flash-back, então, dá-se a idéia de um amor eterno, aquele que ficará para sempre na lembrança e no coração. AMO ESSA HISTÓRIA DE AMOR. Interpretada pelo casal – a atriz sueca lngrid Bergman e o galã Humphrey Bogart.

6- Disque M para Matar – Sou fã número um de Alfred Hitchcock, e esse é um dos meus preferidos dele, como também Festim Diabólico, Frenesi, Psicose, entre outros. Completamente instigante, mexe com a minha imaginação. “ Disque M para Hitchcock matar você de suspense” .

Sinopse: Um homem cria um plano para assassinar sua esposa pelo dinheiro, mas, quando as coisas dão errado, ele consegue improvisar um genial plano B para ainda tentar levar vantagem.
A versão que Alfred Hitchcock fez para o cinema adaptando a famosa peça de Frederick Knott, Disque M Para Matar, é uma saborosa combinação de elegância e suspense estrelada por Grace Kelly, Ray Milland e Robert Cummings como os protagonistas de um triângulo amoroso.
7 – De Volta para o Futuro I, II, III – Direção: Robert Zemeckis. Também sou fã desse diretor, já sabem, né? E adoro esses filmes. Confesso que sou fã de “cinemão” e aventura é indispensável. O genial de tudo é quando eles retornam ao futuro, no seu tempo, só que alguns minutos antes, e por esse fato, encontra tudo alterado. Após algumas tentativas, conseguem voltar ao tempo ideal. E tudo se ajusta, tudo se resolve.
Sinopse: Marty McFly (Michael J. Fox) é o típico adolescente norte-americano dos anos 80, que é enviado de volta no tempo, para 1955, por uma invenção (o DeLorean) do excêntrico Dr. Brown (Christopher Lloyd). Enquanto estiver no passado, Marty deve tomar cuidado para não interferir em nada, para que o futuro não seja alterado. Porém, sua futura mãe acaba se apaixonando por ele, e as coisas começam a dar errado.

8 – Salada Russa em Paris – A magia do real nos leva a um mundo imaginário. Você entra dentro de um guarda-roupa na Rússia e sai em Paris. Que criatividade, hein? Adorei essa história. Veja a genialidade da sinopse apesar da simplicidade. Esse filme é apaixonante!

Nikolai (Sergei Dontsov) foi despedido de seu emprego como professor de música. Sem dinheiro para pagar o aluguel, vive em uma academia até encontrar um lugar que caiba em seu orçamento. Finalmente, ele consegue um quarto conjugado com Gorokhov (Victor Mikhalkov). A última pessoa que ocupou o quarto, uma idosa, morreu um ano antes e seu gato continua trancado no quarto. Mesmo morando sozinho, o felino está gordo e bastante saudável. Logo Nikolai e seus vizinhos descobrem o mistério: há uma janela no quarto que leva a Paris. É quando a comédia toma rumos. Será que os russos conseguiram deixar em segredo a grande descoberta?

9 - Cachê – Um filme simplório, porém, um roteiro que me deixou intrigada e angustiada. Também um suspense psicológico, sem respostas aparentes, o que exige uma reflexão cuidadosa e nos faz pensar um pouco mais da medida. Por isso, o considero sensacional e não pode ser dispensado da prateleira do amante de cinema.

Sinopse - Após receberem uma fita de vídeo com imagens de sua casa, um casal tenta descobrir quem é a pessoa que os está espionando. Dirigido por Michael Haneke (A Professora de Piano) e com Juliette Binoche e Daniel Auteuil no elenco.

10 - Os 10 Mandamentos – Para mim, esse filme Bíblico, é um dos Maiores Espetáculos da Terra. É um filme maravilhoso, emocionante.

Sinopse - Leva às telas a clássica história de Moisés, criado como irmão do faraó e destinado a ser o líder do povo hebreu contra a dominação dos egípcios. Com Charlton Heston e Yul Brynner. Vencedor do Oscar de Efeitos Especiais. O diretor Cecil B. DeMille

Eunice Bernal

terça-feira, 20 de novembro de 2007

IMPÉRIO DOS SONHOS




Irland Empire - um delírio a la Carlos Castañeda, uma forma mágica de brincar com o nosso emocional e nos brindar com a embriaguez das nossas mais profundas inquietações.

Leva tempo para conseguir digerir...


Titulo Original: Inland Empire
Titulo Português: Império dos sonhos

Realizado por: David LynchAtores:

Laura Dern, Jeremy Irons, Justin Theroux

País de Origem: França/Polónia/Estados Unidos

Duração: 172 min.


E sobre a questão da família de cabeça de coelho, é uma metáfora que precisamos desvendar, afinal filme hollywoodiano está cercado por esse seres alienígenas, e me fez lembrar de alguns filmes onde eles aparecem.


O que aparece, por exemplo, em Matrix I - um coelho, é justamente o "Night of the Lepus", em português, "Coelhos Assassinos", "A Noite dos Coelhos", "O ataque dos coelhos gigantes"... outro sobre "A Gang dos Coelhos", um terrir, em que numa cidadezinha era atacada por uma gangue de coelhos assassinos...


Enfim, coelhos estão presentes no Império dos Sonhos talvez representando a própria vida, gerando vida, produzindo sonhos...


segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Brasil, bom de bola!



A GRANDE FINAL
O filme acompanha o divertido drama que se passa em três comunidades isoladas em três cantos distintos do mundo - índios brasileiros em plena floresta amazônica, nômades nas geleiras da Mongólia e negros africanos no deserto de Níger. Todos tem o mesmo propósito: fazer um velho aparelho de TV funcionar para que possam acompanhar a partida final da Copa do Mundo de 2002.
» Direção:
Gerardo Olivares
» Gênero: Comédia» Origem: Alemanha/Espanha
» Duração: 88 minutos
» Tipo: Longa

A GRANDE FINAL

Tive a sorte de assistir a esse filme A GRANDE FINAL duas vezes. A primeira vez no Festival do Rio de 2006, foi exatamente no dia 23 / 09 / 2006, às 17h:45min, no Espaço Unibanco 2, como podem constatar pelo ingresso que guardo de lembrança e com carinho desse grande dia. Ah, confesso que coleciono todos meus ingressos de cinema; e assisti pela segunda vez na primeira Maratona de 2007, sendo o terceiro filme exibido dessa mostra, e fiquei meio surpresa, confesso, ou melhor dizendo, decepcionada, já que a maioria disse não ter gostado, pelos comentários que li sobre o mesmo. Se bem que dizer apenas “gostei ou não gostei” soa muito vago, já que numa obra cinematográfica, há tanto o que se falar: do roteiro, direção, fotografia, atores, locações e, rótulos são rótulos, como foi esse classificado na categoria DOCUMENTÁRIO. Seria mesmo Documentário? Eis minha dúvida...
Para mim, A GRANDE FINAL é um grande exercício de criatividade e originalidade. Se eu fosse roteirista, me sentiria orgulhosa, modéstia à parte, de ter escrito um roteiro, tão belo, criativo, tão singelo, a respeito de um esporte que une povos e que, de quatro em quatro anos torna-se o maior evento Mundial do planeta Terra (é proposital falar assim, pois se existir vida em outro planeta, talvez, nesse momento extraterrestre sinta uma ponta de inveja de um esporte tão prazeroso para o homem, e quem sabe também faça como muitos daqui um esforço incondicional e extraordinário para tentar assistir a essa " pelada").

Três povos distintos que jamais, nem em sonho um dia se conhecerão (índios na mais fechada mata do mundo: a Amazônia; nômades em seus poneis, no mais gelado canto da Rússia e sempre vagando pelos cantos do mundo; e os povos do deserto, atravessando de um lado a outro em seus camelos lentos, ou em suas “charretes” abarrotadas de muambas...) distantes, difícil acesso a tudo, vivendo suas vidas precariamente, mas com os mesmos sonhos, os mesmos gostos, os mesmos desejos -homens comprando páginas da Playboy única e exclusivamente pelas mulheres nuas), os mesmos ideais, as mesmas piadas (mulheres que criticam os homens por gostarem de futebol) ...

Sem energia elétrica, sem televisão de plasma, sem antena, sem conforto mas o sonho de asssitir a qualquer custo A GRANDE FINAL da Copa de 2002 no Japão entre A Alemanha e o Brasil, custa caro para cada coração que tenta torná-lo realidade a qualquer preço. E enfim, com toda luta e esforço eles conseguem!

Se a maioria não gostou posso até achar que foi pelo cansaço por ter sido o último filme da maratona e também por causa do calor que fazia dentro do cinema o que é lamentável.

A GRANDE FINAL é para mim UM GRANDE E IMPORTANTE FILME. Parabéns ao idealizador.
Eunice Bernal

terça-feira, 30 de outubro de 2007

ENCONTRO MARCADO




ENCONTRO MARCADO


Olá, pessoal tudo bem?

Não se preocupem que hoje serei breve, pois ainda estou de ressaca....

Quero registrar desde já em uma única palavra que o dia de ontem foi MÁGICO.

Sei lá como chamar tudo que está acontecendo conosco: “Vale a pena ver de novo”, “O que é bom, merece bis”. Mas afinal do que se trata? Nem eu estou entendendo direito, tudo é meio confuso é uma organização caótica, inexplicável, vou tentar...

Encontro marcado parece mais um título de filme do que qualquer coisa: um drama, uma comédia, aventura?

Bem, ficção científica não é, está realmente acontecendo conosco, somos um grupo de pessoas com interesses iguais, faixa etária diferentes, da comunidade CCBB, hoje carinhosamente chamada de “os ccbbianos”, que periodicamente marca reunião para travar conhecimento, talvez matar curiosidade de quem somos, quais os nossos sonhos e anseios, o que queremos e desejamos, como nos vestimos como é a nossa cara, nossas feições, estatura, jeito, trejeitos, enfim, matar essa nossa curiosidade mórbida de quem é esse ser que está do outro lado do monitor... parece que falamos a mesma língua e estamos começando a nos entender, será?
Oficialmente, esté foi o II encontro marcado, realizado nessa data 17 / 06 / 2006, sábado, às 17h escadaria do Teatro I, no centro do Rio, e praticamente todos os que confirmaram presença compareceram, um número expressivo, significativo, ou seja, 22 pessoas. Isso é FANTÁSTICO!
Muito prazer, queridos amigos, juntem-se a nós, Jan, Carmem Lúcia, Sérgio, Luiz, queremos é mais, Guilherme, Flavio, Regina Lilás, Mauro, Fellipe Archer, Renata, Wagner, Renato, Josilane, Fellipe Chaves, ah, desculpa os que não citei, pois ainda não gravei o nome de todos, mas tenham certeza que o mais rápido possível consertarei esse meu lapso, vou me informar prometo.
Não sei se devemos nos chamar de A GRANDE FAMÍLIA, mas que ela está aumentando, ah, oh, yes, dá, sí, isso está . Gol de placa!!! O número de presentes superou ao primeiro, aliás dobrou 22 (acho que já falei isso, mas volto a reforçar). Para facilitar o contato entre todos, as apresentações, claro, óbvio e evidente, é fundamental e necessário, concordam? Formamos, para esse fim uma mesa redonda, e todos seriam vistos e ouvidos, e cada um falou um pouco sobre si, o básico, já dá para se ter uma idéia, de quem é quem, sem formalidades, apesar de que o barulho não ter colaborado, pelo menos foi o que pude constatar, daí, ter entendido falas pela metade, frases soltas, final de palavras, início de um, fim de outro, não importa, isso a princípio é irrelevante, o importante de tudo mesmo foi o sorriso de cada um, um olhar, o momento de descontração misturado à ansiedade e ao nervosismo. Nada que possa preocupar, isso é normalíssimo, acontece nas melhores famílias.
Não deu para saber os detalhes, das intimidades, dos gostos da vida de cada um, tipo: qual é a cor da escova de dentes, se gosta de pepsi ou coca-cola, os dos segredos mais profundos, muito bem guardados, tudo sem importância, irrelevante para o momento.

Bem, o objetivo não foi realmente esse, pelo menos NÃO AGORA. Apenas descobrir que temos algo em comum: queremos coisas iguais, corremos atrás dos sonhos – eis o motivo que estamos aqui, pelo menos é um deles – pertencemos o que denominamos de COMUNIDADE, e o nome já diz tudo: COMUM UNIDADE. E esta, onde estamos inseridos, diz respeito aos nossos gostos pessoais, ou as artes em geral, cinema, literatura, artes plásticas, dramaturgia, música e agora também até esportes. Objetivo daquele TELÃO? Talvez o calor humano, a aproximação das classes sociais (classes? que classes? Eu, hein! ) a união dos povos, a não-segregação.... sei lá, alguém tocou nesse assunto na nossa roda de samba, e precisamos retomar esse ponto depois, como muitos outros que ficaram sem remate. Precisamos bater uma bolinha juntos, formar o nosso time, alguém até já começou...

Enfim, (calma, que já estou terminando, falta pouco) para concluir, temos muito em comum. Talvez um seja o espelho do outro embaçado, onde podemos ver nossa imagem refletida, distorcida, sombras, mas um reflexo de nós mesmos. Passamos a nos conhecer superficialmente, não poderia ser diferente, já que isso leva tempo, às vezes nem uma vida inteira, mas que deu vontade de parar o relógio e congelar o tempo para que esse momento não acabasse jamais, ah, isso deu. Falou-se de tanta coisa, amenidades, e dessas coisas surge um livro que nos relete à belas lembranças em nossas vidas; de um filme que nos deixa nostálgicos e cheios de desejos, às vezes sérios, às vezes descontraídos.
Passamos belos momentos juntos, não podemos negar, e desfrutamos e compartilhamos nossas diferenças, alegrias, paixões e tudo o mais nesse breve período que agora chamamos de LEMBRANÇA.

Um abraço apertado a cada um e saibam desde já que gostaria de manter contato e continuar sempre presente na vida de todos, apesar de compreender as dificuldades das incompatibilidades de horários e outros contratempos. Não desapareçam, não sumam, adorei conhecer todos vocês.
Amo todos vocês.
Confesso que não bebi, mas estou até o momento embriagada e de ressaca.

Um dia, quem sabe, passamos a nos conhecer na essência, nas amarguras, alegrias, tristezas, felicidades, na poesia que há em cada um e nos tormamos verdadeiros amigos.
Quero guardar na memória e no coração essa experiência de conhecer gente nova e torná-la inesquecível.
Pois é gente, é isso aí, acho que nossa história de amor está apenas começando. Um dia, quem sabe, escrevemos um livro contando tudo isso, uma novela, um romance um conto, uma crônica, uma poesia, uma resenha...

“Do cvidania!” "Paká”, Até logo, Bye, Tchau. Já estou com saudades.

P.S.: ainda não está claro o que queremos, o que pretendemos, o que almejamos, com tudo o que aconteceu, e que está acontecendo, mas que está sendo bom, ah, isso está.


NINGUÉM PODE NEGAR.

BEIJOS E FLORES! ATÉ A PRÓXIMA!

terça-feira, 9 de outubro de 2007

FILME DE CABECEIRA


A Bruxa de Blair

Sinopse

Em outubro de 1994, três jovens foram para a floresta de Black Hills nos EUA, filmar um documentário sobre uma lenda local: “A Bruxa de Blair”. Nunca mais ouviu-se falar deles. Um ano depois, a gravação que eles fizeram é encontrada e seu legado tem o título de “ A Bruxa de Blair” , que documenta a angustiante e arrepiante jornada de cinco dias através da floresta, e todos os eventos aterrorizantes que resultaram no desaparecimento deles.

Ficha TécnicaTítulo Original: The Blair Witch Project
Gênero: Terror
Tempo de Duração: 88 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1999
Estúdio: Haxan Films
Distribuição: Artisan Entertainment
Direção: Daniel Myrick e Eduardo Sánchez
Roteiro: Daniel Myrick e Eduardo Sánchez
Produção: Robin Cowie e Gregg Hale
Música: Tony Cora
Direção de Fotografia: Neal Fredericks
Desenho de Produção: Ben Rock
Direção de Arte: Ricardo Moreno
Edição: Daniel Myrick e Eduardo Sánchez
Elenco
Heather Donahue (Heather Donahue)
Michael C. Williams (Michael Williams)
Joshua Leonard (Josh Leonard)
Bob Griffin (Entrevistado)
Jim King (Entrevistado)
Sandra Sánchez (Entrevistada)
Ed Swanson (Entrevistado)
Patricia Decou (Entrevistada)
Mark Mason (Entrevistado)

Um dos roteiros mais originais dos últimos tempos, ou melhor dizendo, da década de 90, foi o do filme A Bruxa de Blair. Considero-o um dos mais sensacionais e formidáveis, já fazendo parte do meu acervo; é um dos meus filmes de cabeceira. Realizado pelo diretor Daniel Myrick e Eduardo Sánchez, uma idéia genial, simples e barata, custando a bagatela de 50 mil dólares; uma trama perfeita com um final instigante.

Esse filme conta a história de três jovens universitários de cinema que tem como tarefa de curso produzir um filme. Os três resolvem fazer um documentário sobre uma lenda norte-americana de uma bruxa que vivia na floresta de Black Hill, uma pequena aldeia do Estado de Maryland – EUA (evidentemente).

Chegando ao local, à pequena aldeia, esses jovens entrevistam moradores, perguntando se realmente a tal bruxa existe. A maioria confirma sua existência contando o que sabem, o que ouviram e um pouco de imaginação e delírio, que, se não mata, engorda.

E assim, os três estudantes se embrenham na floresta para fazer o tal documentário com as suas parafernálias e começa, então, estranhos acontecimentos mata adentro, a grande aventura, ou seria terror, suspense, drama?

O filme A BRUXA DE BLAIR, gerou polêmica por confundir-se com algo que poderia ser real, por manter o máximo de veracidade antes, durante e após toda a sua gravação. Os próprios atores não tinham um roteiro de todo o procedimento da obra em questão, do que deveriam falar, como agir, e até sem um ensaio prévio; a maior parte, enfim, era o improviso. Em momento algum os atores sabiam o enredo. Propositalmente, para que o filme se aproximasse de um fato verídico, o diretor apenas os orientavam através de bilhetes que diziam o que cada um deveria fazer e deixando com cada ator com uma câmera de vídeo. Eis, afinal, o mistério desse filme sensacional ter se tornado um dos maiores fenômenos e recordistas de bilheteria.

Os jovens desapareceram misteriosamente. Somente um ano depois, todo material utilizado por eles é encontrado numa sacola, e, a partir daí, das imagens registradas pelo trio, dariam pistas do macabro destino.

A idéia de se encontrar a câmera um ano após o desaparecimento dos estudantes numa casa escura e abandonada na floresta, e mostrando todo o conteúdo desse material registrado, impedindo-os de continuarem suas filmagens pelo pavor, pelo medo intenso, deixando um dos equipamentos cair, correndo o risco de perderem todo aquele trabalho, e o risco principalmente de perderem a própria vida, correndo para tentar salvar primeiramente a própria pele, faz-nos argumentar temas divergentes:

1º - que é possível fazer filme barato e inteligente como esse – A BRUXA DE BLAIR;

2º - faz-nos devanear sobre a história em si. Real ou fictícia? Um dos entrevistados falou da existência da casa abandonada na floresta onde a bruxa fazia suas possíveis vítimas. Uma abstração profunda. O que aconteceu depois? Realmente existe a bruxa? Alguém se salvou? Por que nenhum dos três teve a idéia de subir em uma árvore, por exemplo, para tentar se localizarem? Por que não fizeram uma fogueira? (Diz o ditado que, onde há fumaça, há fogo);

3º - e o que aconteceu com os eles? Estariam vivos? Estariam mortos? Se mortos, por que a dificuldade em localizar os restos mortais, já que encontraram seus equipamentos?
É realmente um grande filme inovador e necessário para a bagagem cultural de todos os amantes de cinema.

É um filme bem pensado, que mexe com a imaginação das pessoas, e a melhor forma de assustá-las. Não se tem como definir o que significa; todas as sensações ou se fundem, se confundem, ou se completam; um medo psicológico de não sei o quê, ou tudo pode acontecer. Medo, ansiedade, insônia, calafrio, se fundem ao pavor na escuridão da mata e barulhos ensurdecedores do silêncio, do vento, dos animais, de crianças, medo do nosso próprio eu. O filme é simplesmente perturbador.

O objetivo é transmitir esse medo ao expectador, em um grau de tensão que aumenta ao longo do filme, e, com certeza esse objetivo foi alcançado. É um suspense psicológico brilhante.

O final não podia ser melhor...o que realmente aconteceu? Até agora me questiono isso; para bom entendedor, meia palavra, ou nenhuma, basta. Para um filme independente é uma obra-prima. Uma idéia absolutamente original, um marco para o cinema de terror. Constantemente põe nossa imaginação fértil à funcionar e nossa abstração a devanear. Um filme criativo, bem feito, sem dúvida, e inteligente. Era o filme que eu gostaria de ter feito.
E como eu sempre digo: vale a pena conferir.


Observação: conseguiu causar polêmica nos cinco cantos do mundo devido ao seu marketing. Por sinal, um dos melhores já feitos em cima de um filme.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

MARATONA ODEON


MARATONA: UMA DELÍCIA DE JOGO

É um tipo de jogo delicioso, mensal, com direito a três filmes que acontece no cinema Odeon.Na maratona, como de praxe, o filme do meio é o filme surpresa. Aquele filme que realmente não se sabe o que será. O nome já diz: SURPRESA, o que nos leva a crer que pode ser bom, médio, ruim, drama, suspense, aventura, velho, novo, enfim, é SURPRESA. Os filmes lançamentos ou novos anunciados, para a maratona também não deixam de ser surpresa, pois não se sabe exatamente os seus respectivos conteúdos, e contar apenas com a sinopse é vago, não ajuda tanto; ou contar com a opinião de críticos e de quem já os tenham assistido, muito menos; é tudo tão relativo. E questão de gosto não se discute, ou se discute, mas não se chega à nenhuma conclusão. Aquela velha história “O que seria do...

Mas a questão que pegou a maioria de surpresa nessa última maratona foi o por quê da escolha de SAW. Um filme que a todo momento passa nos canais a cabo principalmente, e disponível em qualquer locadora, e a maioria dos maratonistas já assistiu. Repare também que a posição desse filme dito surpresa, foi antecipadamente anunciado que seria o último da sequência. Por que será, hein? Mistério...

A maratona acontece uma vez por mês, de madrugada, a maioria paga meia, e ainda tem o custo com o café da manhã, o Fome Zero. Paremos para pensar e analisar o seguinte: será que não é questão de lucro? Os organizadores não estariam perdendo dinheiro e tempo? Será que com isso não estão querendo acabar com ela? O que eles realmente estão lucrando? Torçamos que não... Na cinelândia já perdemos o Metro Boavista e o Pathé...
Talvez a escolha desse filme surpresa pelos organizadores tenha sido proposital. A história do filme é um jogo, muito bem bolado. Quem não ama a vida, não merece viver. E o que eles pretendem jogar com os maratonistas? Quem não ama cinema, desista! Havia, no início um tipo de freqüentador assíduo, aquele amante da sétima arte MESMO, que ia ao FILME, e não ao CINEMA simplesmente, e quando a qualidade da escolha dos filmes deixou a desejar, esse tipo de freqüentador, começou a se afastar, desapareceu deixando sua vaga para um novo tipo que não se sabe o que quer nesse espaço, que cá entre nós, é único, o ODEON é TUDO!.

Talvez eles estejam observando os atuais freqüentadores, e talvez estejam jogando há algum tempo, e só agora escolheram esse filme JOGOS MORTAIS para deixar claro isso. O que realmente cada um quer? Quem permanecerá no jogo? Quem sairá vivo dele? Quem já desistiu de jogar e quem continua no páreo? Em Jogos Mortais, o final é surprendente, por ser imprevisível, e como no filme Jigsaw III está de volta com mais requinte de crueldade, o que os organizadores estão arquitetando? Só na próxima maratona para se saber....
Эуниси Бэрнал



FESTIVAL DO RIO 2007





Adorei a vinheta 2006!

É uma das melhores. O Cenário há tempos já estava pronto, não? Toda essa beleza dessa cidade linda e maravilhosa, só faltava mesmo o cinema ser inventado. E escolheram muito bem cada personagem: o asiático, a branca, o negro, a friorenta o velho...Pois é, escolheram a dedo.O asiático jogando enquanto aguarda a sua pipoca ficar ppronta; a torneira pingando, com direito a onomatopéia, plic-plic, lembra aquele filme paradão do Tarkovski, o Nostalgia; o velho sentado confortavelmente na sua poltrona na estação do metrô assistindo ao ir e vir da multidão através das janelas dos vagões; o ator negro lembra algum enlatado americano, faz parte do show, né(?); a encasacada até o último fio de cabelo, de um país bem gelado e distante...E por último, a metáfora do homem pegando fogo correndo pela praia, e logo a seguir a camêra atrás...o cenário também pode ser produzido, Lars Von Trier que o diga. Simplesmente gostei e foi um dos meus filmes preferidos. Parabéns para o idealizador.

domingo, 29 de julho de 2007

Depois do 1o. Encontro dos CCBBianos

Foto: Eunice Bernal
Resumo da ópera

Encontro dos amigos da Comunidade CCBB


Entre muitas comunidades existentes no Orkut, encontrei uma que tem algo em comum comigo. É a Comunidade denominada “CCBB”. E eu, como uma das freqüentadoras (não tão) assiduas deste espaço cultural, passei a freqüentar, como dizem por aí, os tópicos de certas questões.Há mais ou menos um mês, alguém teve a idéia de colocar como tópico, um convite para um encontro informal a se realizar nesse mesmo local. Tudo bem, gostei da idéia!

A princípio gerou-se uma pequena confusão em relação às datas, mas que logo foi sanada. Até entendo que há gente desligada, como eu sou, mas não ao ponto de se esquecer de consultar uma folhinha ou um calendário a fim de confirmar dia da semana, dia do mês, dia do ano, pois o dia escolhido foi 21 de maio, e muitos acharam que esse dia cairia num sábado. Desculpa, engano. Por cair num domingo, muitos ficaram receosos. Deserto, violência, seqüestro, assalto...

A questão só foi realmente resolvida quando se criou um novo tópico, o tópico de confirmação: “quem vai quem não vai, confirmem, por favor!” até quem disse que iria, acabou não indo.

- “Quem vai, pode xeretar meu perfil etc e tal, eu deixo!” Alguém disse.

Bem , eu também fiquei na dúvida se iria ou não, e quando isso acontece decido não opinar para não se criar nenhuma expectativa. E como sugeriram, andei consultando o perfil de gente que disse que iria e acabou não indo. Que bobagem! Desisti na primeira, isso cansa.

E isso até me fez lembrar de um antiqüíssimo filme que nunca foi escrito tampouco produzido ou dirigido, porém muitos conhecem. É o famoso A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM.

Eu não iria mesmo. Pensava fazer outro programa nesse dia, como assistir ao lançamento do polêmico Código Da Vinci – no Rio Sul. O que valeu a pena não ter ido. Conheci pessoas interessantes, divertidas, formidáveis, alegres e bom astral.

Entrei mais uma vez no Orkut naquele sábado para confirmar a lista dos que iriam, e acabei anotando: Dezessete confirmaram presença.

Desses 17, 80% foram. Pessoas de palavra! É um bom número. Com um pouco de atraso, mas todos estavam lá, de plantão na escadaria do Teatro I, conforme combinado. Enquanto aguardávamos, alguém fez um comentário sobre o relógio, para matar o tempo, que fica quase em frente dessa escadaria. Os números são em romanos, e ninguém consegue entender o porquê do quatro ser escrito com quatro “IIII”, e não como deveria realmente ser “IV”. Dizem que os números não mentem jamais, mas esse??? Não sei se seria um caso para pesquisa ou para a KGB. Será um código? Será que Dan Brown decifraria esse mistério?

Começamos a corversar lá mesmo. A nos aparesentarmos, até que fomos convidados a nos retirar daquele local porque já se formava uma fila dos que aguardavam a entrada ao teatro. Procuramos outro local, foi difícil, mas achamos. Foi no segundo andar onde acontece a exposição sobre futebol, se não me engano. Aqui a conversa ficou meio difícil pois não se ouvia quase nada por causa do barulho do som do telão ligado. A conversa a partir daí teve como pano de fundo um pouco de futebol do telão.
Que maravilha!
Falamos de tudo um pouco. Mas a conversa teve que continuar novamente em outro local. Voltamos à estaca zero, ou melhor, voltamos ao térreo, e terminamos a nossa apresentação por lá. Tudo registrado, com fotos, mas não se sabe se sairá alguma coisa, ainda falta revelar o filme. E falta grana. Por último, quase na hora do CCBB fechar, resolvemos fazer um lanche. Encontramos um único lugar aberto naquela hora da zona morta, ou melhor, 22h, no Timão, bar que fica em frente ao Centro Cultural dos Correios. Comemos, conversamos e bebemos. Foi ótimo! Apareceu até um simpático vendedor de amendoim em promoção. Estão na dúvida nessa ambigüidade? Não repare, foi proposital.

Espero que momento igual a esse se repita muitas e muitas vezes.

sábado, 28 de julho de 2007

Sou CCBBiana!

PARECE QUE FOI ONTEM...
E foi mesmo...

O último sábado do mês de novembro deste ano, para o resto de nossas vidas, inacreditável, ACONTECEU!Que maravilha! Estou falando do IV ENCONTRO dos CCBBianos; dos “veteranos”, e dos como dizer? “calouros” ou como disse o MC Fellipe, os ainda não batizados.

Como todo verdadeiro brasileiro que se preze, somos irresponsavelmente impontuais, para ser mais preciso. Enfim, “antes à tarde do que nunca”. Mas no fim tudo dá certo, se não deu certo é porque ainda não é fim, esse é um ditado que resume exatamente como somos: irreverentes, alegres, extrovertidos, e politicamente incorretos; decidimos tudo “in loco”, algo meio que louco, aonde vamos e o que faremos.

Foi tudo de bom e saudável, rever os sorrisos, renovar os abraços, beijos e amassos, falar trivialidades. Ah, espero que os que foram pela primeira vez, tenham gostado, porque eu, particularmente adorei conhecer e fazer amizades novas. E cada um no seu jeitinho de ser, porque cada ser é único e exclusivo Bom rever a Lilás, essa pessoa formidável e amiga, como ela mesma já havia explicado não poder estar conosco nesse dia, porém, com todo esforço e sacrifício não deixou de comparecer e não perdeu mais esse momento único e exclusivo.

Bom ter reunido todos novamente nessa confraternização de alegria e descontração. Mas pessoal, onde o Luiz se meteu? Eu que sempre o considerei o mais animado, dos animados, de repente, sumiu...será que se perdeu?

Esse encontro foi tudo de bom e diferente; houve mudanças, claro, isso é sempre bom. A apresentação que costumava ser no próprio CCBB, desta vez foi no local sugerido pela Lidia, ou Beco do Rato, cheiro de de bueiro, e febre de 40’ C. Foi lá a maior parte das risadas e apresentações, com direito a balões coloridos e pensamentos no ar... deixando o nosso lado criança nesse momento brincar...

O bar do Timão não deixou saudades, mas senti falta do vendedor de amendoim oficial; esse seu representante nesse novo bar que não me lembro o nome, deixou muito a desejar, mas valeu! A Vanda bancou o amendoim.

A apresentação foi breve, porém, marcante. Depois disso, uma ronda pela cidade, pelos points onde se concentrava o início da Noite Branca, custou um pouco mais da companhia da maioria.Um abraço saudoso, caloroso e carinhoso a todos: Renato (ficamos felizes pela sua presença especial, Renato) Luiz, Sérgio, Wagner, Fellipe, Fellipe II, Guilherme, Jan, Vanda, Flávio (apesar de não ter ficado, não deixou de comparecer), Ellen, Diego Assunção, Renata, Renata Braga, Alex, Ana Carolina, Carmem... ah, desculpas, mas algum nomes não consigo me lembrar, amnésia, sabe?

Beijo e flores a todos.

P.S.: Para os novos e interessados em atualizar a lista de amigos, e não perder contato, por favor, deixem um recado com seus dados “internauticos”: msn, e-mail, tel, cpf, conta bancária e senha.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Cinema, muito cinema...


2:37 X ELEFANTE


2: 37 foi um dos filmes que assisti no Festival Internacional do Rio deste ano de 2006, e, confesso que passei praticamente a sessão toda me lembrando de Elefante e comparando ambos. Pensei tratar-se de mais um filme do Gus Van Sant, mas para a minha surpresa, tratava-se de um outro cineasta, o Murali K. Thalluri, e não me lembro de ter assistido a algum filme dele antes. Mas sobre o quê é esse filme 2: 37 que muito se falou nas comunidades do festival, e nas rodas de bate-papo? Vejamos a sinopse de cada um deles para entender um pouco mais e se chagamos a alguma conclusão.

2:37 - Two Thirty 7 - Murali K. Thalluri (Imagem Filmes)


Sinopse:Em uma escola do segundo grau, a vida de seis distintos estudantes é afetada por uma tragédia que ocorre precisamente às 2:37. Numa escola secundarista na Austrália, algo de terrível acabou de acontecer a portas fechadas. A partir desse fragmento de informação, o filme retrocede para esmiuçar os traumas secretos de alguns dos alunos e revela conflitos envolvendo relações amorosas, homossexualismo, drogas, abuso sexual, negligência familiar. O filme, inspirado em fatos da vida do diretor, foi exibido na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2006.


Elefante - A tragédia da Columbine High School, recriada sob a direção de Gus Van Sant o mesmo diretor de Gênio Indomável.


Sinopse:Um dia aparentemente comum na vida de um grupo de adolescentes, todos estudantes de uma escola secundária de Portland, no Estado de Oregon, interior dos Estados Unidos. Enquanto a maior parte está engajada em atividades cotidianas, dois alunos esperam, em casa, a chegada de uma metralhadora semi-automática, com altíssima precisão e poder de fogo. Munidos de um arsenal de outras armas que vinham colecionando, os dois partem para a escola, onde serão protagonistas de uma grande tragédia.

Trata-se de filmes aparentemente distintos, apesar de ambos basear-se em fatos reais. Elefante foi uma forma poética do diretor contar a trágica história que se passou em uma escola de Columbine – EUA, com jovens estudantes, como Michael Moore, vencedor do Oscar de melhor documentário contou aos mínimos detalhes. E 2:37. Através de belas imagens de origem feérica, nos revela detalhes de também, jovens estudantes, cada qual com seus problemas suas inquietações, onde todos os jovens retratados, teriam seus motivos para desesperar-se e cometer suicídio: o garoto manco e que faz xixi nas calças; o homossexual; a que foi molestada pelo próprio irmão etc, enfim, desconhecemos o que se passa no mais íntimo do ser, da mente humana e em seus corações.


Tragédia em Columbine e tragédia na Austrália. Elefante, como alguém comentou, “é um pseudo-documentário” , como o 2:37. O que nos chamou muita a atenção foi a engenharia da construção e montagem de imagens de ambos, pois são filmes que se podem ver sob diversos prismas, de todos os ângulos cada passo de cada personagem. Há um comentário também de alguém da comunidade que achei formidável sobre esse jovem diretor, e repito aqui por achar genial. Essa pessoa da comunidade sob o nome de “Jovem Cineasta” diz que Murali K. Thalluri “bebeu na mesma fonte do Gus Van Sant, bebeu tanto que quase que se afogou’. Achei o máximo esse comentário. Parece que Gus Van Sant e Murali K. Thalluri são amigos, daí a semelhança na construção das cenas. Um deve ser admirador ou fã do outro.


Apesar de tratar-se de duas histórias que narram tragédias em escolas envolvendo jovens, a forma de compor, a sua estética, é que nos chama a atenção. 2: 37 é tão maravilhoso quanto Elefante. Este relata o peso de um Elefante na mente humana, como tudo que é imenso, tudo que é pesado e grande lembra um Elefante, Dumbo, suas enormes orelhas, ou as Memórias de Elefante como fala nessa obra o escritor português Lobo Antunes.

As imagens em preto e branco dos depoimentos dos jovens envolvidos na trama, dá uma característica de documentário a 2:37. Ambos tem conteúdos e acabamentos similares. Ambos são filmes que mexem com nosso emocional. Construídos de modo instigantes, inteligentes, uma nova roupagem daquela que não estamos acostumados a ver. Assim é Elefante, assim é 2:37. Aplausos de pé para esses dois filmes e a esses dois brilhantes diretores. Talvez seja muita rasgação de seda da minha parte, mas é assim que eu sou quando gosto de algo, como gostei desses dois filmes que acabam entrando nas nossas células, na nossa corrente sangüínea, no nosso dna. E se não me acrescentaram em nada, ao menos veio a somar, coisas boas, coisas estranhas, coisas diferentes, coisas intrigantes. Dois filmes para se guardar com o maior carinho.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

CINEMA, CINEMA, CINEMA... NINA



Cinema Nacional Legendado


NINA


Nina é nome de mulher e título de um filme nacional saído das páginas de uma novela russa, da obra máxima de Dostoievski – CRIME E CASTIGO. Dizer tratar-se de um nome feminino foi um pleonasmo proposital, já que Nina é a metamorfose da metamorfose da atormentada alma e personalidade do próprio autor, (a alma de Dostoievski é complexa, “como não ser ao mesmo tempo anjo e diabo?” um imenso labirinto) mais a personagem central ou principal dessa obra batizada de Raskolnikov. Autor e personagem fundem-se de tal forma que não se sabe onde começa um e termina o outro.


Uma obra da grandiosidade de Crime e Castigo sendo transformada em um roteiro para filme é maravilhoso; mais maravilhoso ainda é saber que a idéia partiu de um cineasta nacional, um roteiro nacional, o que muito me orgulha e lisonjeia. Raskolnikov foi transformado em Nina, isso me faz lembrar do filme Transamérica, cujo objetivo de vida da protagonista era mudança de sexo. Há muito o que se questionar em relação a isso, principalmente nos tempos atuais que praticamente quase tudo é possível: clonagem, barriga de aluguel, produção independente (basta pesquisar em um banco de sêmen e fazer a escolha), mudança de fenótipo, e por aí vai... (e isso seria assunto para outra história).


Será possível fazer mudança de alma? Alma masculina e feminina são iguais? Há o paradoxo do manto diáfano, da tênue linha que separa ambas. Pólos divergentes. Distintas. E como. Mas voltando ao filme Nina.


Nina / Raskolnikov / Dostoieviski são almas atormentadas. Assisti ao filme e fiquei maravilhada. Há tempos não via um filme tão interessante que me motivasse e que me divertisse. Quem leu essa obra dostoievskiana sabe muito bem do que estou falando. É a mesma história para almas diferentes: alma feminina e alma masculina. O criador de Nina agiu como um cirurgião competente, retirando o excesso, fez uma lipo, colocou silicone onde precisava, botox e uma leve maquiagem.

Mas há tanto que se falar dessa obra. Nomes de personagens das obras dostoievskianas são geralmente forjados; Ralkolnikov, por exemplo, vem do verbo rachar, dividir. Daí é só concluir a razão dessa escolha de palavra.


Retomando o que queria dizer sobre o filme NINA – personagem femininA, inteligente e sensível, porém solitária e abandonada à própria sorte da cidade grande, destino incerto, retrata a condição humana das pessoas e seus conflitos existenciais. Ela nada tem de valor material, vive de pequenos bicos e favores. Ela pouco tem de valor imaterial: a sensibilidade poética e artística, porém não a usa adequadamente. Nina (o filme) é ousado e sensível, num estilo meio sombrio, meio gótico, consegue desenvolver-se despertando o interesse das pessoas que o assistem (Mexeu comigo).


Nina, meio pretensioso, meio envolvente, fazendo suas escolhas, desempregada, prostituir-se ou não para sobreviver? Ou os caminhos da vida ou da morte, pelo livre-arbítrio (matar ou morrer de inanição?) Há tanto o que se questionar...Coincidência ou não predestinado a ser desconstruído por todo roteirista que se preze, por ser tão significativo.


Tenta levar o expectador à beira da loucura, insana e obediente, claro, transportando-nos aos eus mais profundos.Nina tem seu valor – qual foi o seu crime? E qual será o seu castigo? A sua caridade e boa ação, em dinheiro roubado, dinheiro doado, a velha história de ladrão que rouba ladrão (na cena caliente de paixão em que rouba do cego, inversão de valores, e doa à prostituta que por sua vez paga a viagem de taxi) Que viagem!


Nina (Guta Stresser) a garota sensível que via-se envolvida com seus desenhos em seu quarto, revelando um pouco de sua alma, é aquela que mata a bruxa, envolvida nos fantasmas do seu inconsciente, assim como Raskolnikov, um ser imortal pelo sopro de seu criador, envolvida no crime, vive angustiado pelo seu pecado ou pelos conflitos existenciais... assim é Nina-Raskolnikov, e punido será tendo como prisioneiro suas lembranças e a lâmina que fere... enfim... libertar-se, quem sabe...


Esse filme, com certeza, superou todas as expectativas. As cenas muito bem ilustradas com imagem metafóricas dos pintores de paredes (Selton Mello e Lázaro Ramos) que trabalhavam no apartamento ao lado onde Nina morava de aluguel, com a proprietária dona Eulália (Myriam Muniz) contrastando com as pinturas e desenhos de Nina. O diretor desse longa é Heitor Dhalia, que eu não conhecia, e a partir de então considero-o talentosíssimo. Adorei o filme!


O cinema nacional está a cada dia mais maravilhoso. Há nesse filme a figura constante da antítese: fome material x fome espiritual; vida e morte, miséria x riqueza; matéria x alma; bem e mal; juventude e velhice.


Uma vitória e tanto para o cinema brasileiro também no que se refere às interpretações e aos excelentes atores. Tudo no filme é envolvente, inclusive na escolha de cenário que dá aquele aspecto de antiguidade, de coisa velha e cheiro de mofo. Aliás, é um filme genial. Sinto um grande orgulho do cinema brasileiro. Nota 10! Há muito filme nacional interessante, mas esse além de interessante é genial. E se esse é o primeiro longa do diretor Heitor Dhalia, já começo a imaginar os seguintes...


E se você está se perguntando o porquê do título “Cinema Nacional Legendado”, assista ao filme e descubra entre os desenhos feitos nas paredes por Nina, que há palavras em russo não traduzidas, uma por exemplo, é a palavra “Saída”.

Talvez seja uma forma de nos apontar um caminho, uma saída, uma escolha para nossa própria condição humana, nossa própria vida. Existe saída????


P.S.1: Esse filme NINA participou do Festival de Cinema de Moscou e acabou ganhando um prêmio de crítica.P.S.2: Na Expectativa de “O cheiro do Ralo”.
Karenina Rostov