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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

'Canticíssimos'

Não há nada mais sublime do que o encontro de um  texto bíblico com a arte da palavra. Isso acontece no livro Cântico dos Cânticos

Cântico dos Cânticos é um  pequeno livro poético da Bíblia,  contendo apenas oito capítulos de ensinamentos, escrito por Salomão.

Salomão, filho do rei Davi,  pediu a Deus sabedoria, porém, Deus em Sua bondade e misericórdia, lhe deu muito mais: deu-lhe  riqueza, entendimento, conhecimento, amor e por último, talento para escrever os mais belos poemas.

Cânticos dos Cânticos (seria o poema do poema, ‘cantícíssimos’ - ah, desculpa o neologismo!)   representa um superlativo, e é um dos livros poéticos do conjunto de livros da Bíblia Sagrada, do Velho Testamento, escritos há mais de dois mil anos, são verdadeiros poemas de amor, apaixonantes. lindos e sensuais, que emocionam, nos tiram do sério, e às vezes nos deixam  encabulados.  

O interessante neste livro é o formato de diálogo entre um casal. “Esposo”, “Esposa”, no qual os emissores se alternam num jogo de sedução e expressões da alma e de carinho ardentes.


Como apreciadora de obra poética. selecionei dois capítulos para o seu deleite e reflexão. Os Cânticos 4 e o 7.

Kisses and flowers for you.
K.R.
Cânticos 4

Eis que és formosa, meu amor, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas entre as tuas tranças; o teu cabelo é como o rebanho de cabras que pastam no monte de Gileade.
Os teus dentes são como o rebanho das ovelhas tosquiadas, que sobem do lavadouro, e das quais todas produzem gêmeos, e nenhuma há estéril entre elas.
Os teus lábios são como um fio de escarlate, e o teu falar é agradável; a tua fronte é qual um pedaço de romã entre os teus cabelos.
O teu pescoço é como a torre de Davi, edificada para pendurar armas; mil escudos pendem dela, todos broquéis de poderosos.
Os teus dois seios são como dois filhos gêmeos da gazela, que se apascentam entre os lírios.
Até que refresque o dia, e fujam as sombras, irei ao monte da mirra, e ao outeiro do incenso.
Tu és toda formosa, meu amor, e em ti não há mancha.
Vem comigo do Líbano, ó minha esposa, vem comigo do Líbano; olha desde o cume de Amana, desde o cume de Senir e de Hermom, desde os covis dos leões, desde os montes dos leopardos.
Enlevaste-me o coração, minha irmã, minha esposa; enlevaste-me o coração com um dos teus olhares, com um colar do teu pescoço.
Que belos são os teus amores, minha irmã, esposa minha! Quanto melhor é o teu amor do que o vinho! E o aroma dos teus ungüentos do que o de todas as especiarias!
Favos de mel manam dos teus lábios, minha esposa! Mel e leite estão debaixo da tua língua, e o cheiro dos teus vestidos é como o cheiro do Líbano.
Jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada.
Os teus renovos são um pomar de romãs, com frutos excelentes, o cipreste com o nardo.
O nardo, e o açafrão, o cálamo, e a canela, com toda a sorte de árvores de incenso, a mirra e aloés, com todas as principais especiarias.
És a fonte dos jardins, poço das águas vivas, que correm do Líbano!
Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que destilem os seus aromas. Ah! entre o meu amado no jardim, e coma os seus frutos excelentes!

Cânticos 7

Quão formosos são os teus pés nos sapatos, ó filha do príncipe! Os contornos de tuas coxas são como jóias, trabalhadas por mãos de artista.
O teu umbigo como uma taça redonda, a que não falta bebida; o teu ventre como montão de trigo, cercado de lírios.
Os teus dois seios como dois filhos gêmeos de gazela.
O teu pescoço como a torre de marfim; os teus olhos como as piscinas de Hesbom, junto à porta de Bate-Rabim; o teu nariz como torre do Líbano, que olha para Damasco.
A tua cabeça sobre ti é como o monte Carmelo, e os cabelos da tua cabeça como a púrpura; o rei está preso nas galerias.
Quão formosa, e quão aprazível és, ó amor em delícias!
A tua estatura é semelhante à palmeira; e os teus seios são semelhantes aos cachos de uvas.
Dizia eu: Subirei à palmeira, pegarei em seus ramos; e então os teus seios serão como os cachos na vide, e o cheiro da tua respiração como o das maçãs.
E a tua boca como o bom vinho para o meu amado, que se bebe suavemente, e faz com que falem os lábios dos que dormem.
Eu sou do meu amado, e ele me tem afeição.
Vem, ó amado meu, saiamos ao campo, passemos as noites nas aldeias.
Levantemo-nos de manhã para ir às vinhas, vejamos se florescem as vides, se se aparecem as tenras uvas, se já brotam as romãzeiras; ali te darei os meus amores.
As mandrágoras exalam o seu perfume, e às nossas portas há todo o gênero de excelentes frutos, novos e velhos; ó amado meu, eu os guardei para ti.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Paradoxos

“Não te aceito, não te perdôo, quero-te como és, e, se possível, ainda pior do que és agora, Por quê?
Porque este Bem que eu sou não existiria sem esse Mal que tu és, um Bem que tivesse de existir sem ti seria inconcebível, a um tal ponto que nem eu posso imaginá-lo, enfim, se tu acabas, eu acabo, para que eu seja o Bem, é necessário que tu continues a ser o Mal, se o Diabo não vive como Diabo, Deus não vive como Deus, a morte de uma seria a morte do outro (...)”  
 SaraMAGO
*
O mal não existe. O que existe é a falta de compreensão, e somente através dela é que viria o perdão.

Bem e Mal:  paradoxos. Andam de mãos dadas. Todos carregam as duas cargas; porém,  deixam sobressair o Bem, mesmo quando é o seu oposto que predomina; não querem o Mal para si, por isso, tentam expulsá-lo a qualquer custo de suas vidas, e acabam atingindo alguém. Magoando quem só quer o seu bem.

O respeito há tempos acabou e o amor anda escasso.   Somente o amor de Deus é infinito.

Lembrei-me deste salmo 139 V.1-10

1 Senhor, tu me sondas, e me conheces.
2 Tu conheces o meu sentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento.
3 Esquadrinhas o meu andar, e o meu deitar, e conheces todos os meus caminhos.
4 Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó Senhor,  tudo conheces.
5 Tu me cercaste em volta, e puseste sobre mim a tua mão.
6 Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim; elevado é, não o   posso atingir.
7 Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua presença?
8 Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também.
9 Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar,
10 Ainda ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.

DEUS